Um sistema de ensino
dedicado, essencialmente, a uma tarefa difícil e prolongada no tempo, i.e.,
fazer pensar não se coaduna com uma ausência de reflexão permanente sobre a
estratégia mais adequada para atingir esse fim, nem, e muito menos, com
soluções “ao sabor da onda” como demonstra a imagem acima.
Assim como me tem preocupado
a lenta, mas persistente, anulação do direito fundamental do docente à
autonomia na concepção e implementação de um Programa Nacional para uma dada
matéria, tem havido um processo administrativo contínuo na castração de alunos.
Em nome de uma pretensa objectividade, contrária à natureza da língua que, nas
suas combinações ilimitadas, não permite textos idênticos, o ME tem produzido
“papel” com uma prosa admirável.
Para exemplificar, se um
exame nacional, qualquer que ele seja, tem três páginas de enunciado, a
burocracia aumenta em três vezes esse aglomerado de indigências, acrescentando
“critérios”, “descritores” e “cenários de resposta”, tudo em nome de uma falsa
tentativa de alcançar a objectividade da avaliação. A autonomia do docente,
claro está, fica reduzida ao cumprimento desta fatalidade, sacrificando, se não
tiver o remédio de sair a tempo, a sua sanidade mental e contribuindo para industriar
“macacos” em vez de desenvolver a autonomia de pensamento de alunos.
Dispenso-me de sublinhar pormenores perversos como a “penalização” por usar
mais do que um determinado número de palavras nas respostas, o que, obviamente,
leva os alunos a contar as palavras em vez de se preocuparem com o essencial, a
saber, o conteúdo.
Dito isto, basta olhar para
a imagem acima para atestar a miséria a que chegamos e, sobretudo, sem vergonha
! De uma velada tentativa de instrumentalizar os professores para a formação de “empregados diligentes”, de
Azevedos e quejandos, surge, finalmente, a revelação por uma editora que
enriquece à custa do treino institucionalizado.
Definitivamente, e sem pejo, o
exame nacional passou a ter a figura de um avião e as restantes provas são meras malas de viagens. Não me parece que
a mensagem pudesse ser mais concludente quanto à natureza de uma máquina
instalada e com o objectivo de esvaziar, totalmente, a autonomia e a nobreza do
ensino, anulando, por completo, a dignidade do pensamento humano.
Post de HMJ