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terça-feira, 17 de junho de 2025

Divagações 206

 

É minha convicção que o rigor e a exigência abrandaram no mundo, nos últimos tempos. A tolerância quando não o relaxe ganharam uma flexibilidade impensável ainda no século passado. Ponto assente, anteriormente, era de considerar a literatura policial como um género menor...
A precedência de Georges Simenon em La Pléiade, de algum modo, permitiu que a prestigiada colecção francesa, quase equivalente a uma academia de imortais, viesse a albergar  agora parte dos livros de Arthur Conan Doyle (1859-1930), em dois volumes. Incluindo a dita obra canónica do escritor composta por 4 romances policiais e 56 novelas, produzidos entre 1887 (Um estudo em vermelho) e 1927, que têm por figura central o detective Sherlock Holmes. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Do que fui lendo por aí... 49

 

Não levo muito a sério as descrições de refeições ou receitas surgidas em livros de cariz policial. Mas há que referir o facto de que raramente um detective tem um cozinheiro particular em casa, como é o caso de Nero Wolfe, figura central dos policiais de Rex Stout (1886-1975). Invariavelmente, o detective de ascendência montenegrina, acompanha as refeições, ainda que sofisticadas de Fritz, com cerveja. O que, no meu entender, revela um certo mau gosto de eventual "gastrónomo", provável contágio de quem vive na América, já há muito. Pior seria, no entanto, que acompanhasse com coca-cola, esta refeição que vem descrita na página 151 (capítulo 14), de Crimes em Série (Vampiro, nº 564) que ando, intermitente, a ler há meses. Aí vai:

"Passámos o resto do dia em conferência, exceptuando o tempo para as refeições. As refeições foram deprimentes. Os borrachos marinados em natas leves, envoltos em farinha temperada com sal, pimenta, noz-moscada, tomilho e bagas de zimbro esmagadas, salteados em azeite e servidos sobre uma tosta, regados com geleia de groselha e molho de natas ao Madeira, são um dos petiscos preferidos de Wolfe, geralmente consome três, mas já o vi comer quatro. Nesse dia, eu (Archie Goodwin) quis ir comer para a cozinha, mas não. Tive que me sentar e comer os meus dois borrachos, enquanto ele debicava sombriamente as suas ervilhas, com salada e queijo. A refeição ligeira da noite de domingo foi igualmente má. Ele come geralmente qualquer coisa barrada com queijo e anchovas ou pâté de foie gras ou arenques em molho de natas azedas, mas, aparentemente, o voto incluía o peixe. Comeu bolachas com queijo e bebeu quatro chávenas de café. Mais tarde, no escritório, comeu uma taça de pecans e depois foi à cozinha buscar uma escova e uma pá para limpar as cascas que estavam sobre a secretária e o tapete."

Uma bela salgalhada, sem dúvida! Foi por isso que eu referi, no início do poste, que: não levava muito a sério as descrições de refeições  nos romances policiais.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Séries Policiais



Não fora o gozo caricatural com que é tratado o agente policial Agatino Catarella ( na foto, o último à direita), na série de Andrea Camilleri (1925-2019), eu até esquecia outros pormenores dos episódios de Il Giovane Montalbano, que pecam por não respeitar as regras narrativas que S. S. van Dine (1888-1939) diz serem essenciais para as novelas policiais. Mas Camilleri fez do pobre agente Catarella um disléxico, sempre a bater nas ombreiras das portas e um trangalhadanças com um cérebro de passarinho... é demasiado para o meu gosto. Depois, o vice-comissário Mimi Augelo, supostamente um Don Juan, é um amaneirado, mas isto é pecha antiga porque já o Poirot-Suchet, da série inglesa, era um adamado detective excessivamente pernóstico. Não sei para que efeminam, nestas séries, os investigadores. No conjunto, escapa o tratamento da figura do jovem Giuseppe Fazio. Mas voltando ao Montalbano, acho aqueles namoros com a Livia Burlando excessivamente delicodoces e românticos com as suas vindas de Génova, até à Sicília para os oaristos. Van Dine proibiria terminantemente estas efusões líricas em obras policiais!

Ainda assim, lá irei hoje ver na RTP2 mais um episódio, às 17h31, e no Domingo, às 17h33, outro. Parece que nunca mais aprendo a cingir-me às boas regras das tramas detectivescas!...

sábado, 10 de outubro de 2020

Da leitura 39

Raramente deixo finalizar na despensa os policiais por ler.  Depois dum interregno alongado, tinha acabado de ler, há dias, um Rex Stout (Clientes a Mais, Vampiro 559) sofrível, que me demorou vários dias a finalizar, apesar do Nero Wolfe. Resolvi, por isso, jogar pelo seguro, no livro seguinte.


Calhou a vez a Agatha Christie (1890-1976) e à colecção XIS, da Editorial Minerva (nº 35),  intitulado Crime na Mesopotâmia, editado em 1943. A capa é de Edmundo Muge e a tradução de Baptista de Carvalho. A edição inglesa original saíu em 6 de Julho de 1936. E, menos de duas semanas depois (18/7/36)!, o TLS publicou uma crítica favorável sobre este romance policial.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Letras e imagens


Neste segundo episódio televisivo, ontem (11/8/2019), Hastings também não apareceu, mas ele consta, vindo da América, no policial de Agatha Christie. Nem o inspector Japp, substituído que foi pelo convencido Crome, também ele da Scotland Yard. Não é por isso literal e fiel esta adaptação de Sarah Phelps, do policial The A.B.C. Murders, para a Fox Crime. E não é que estou a habituar-me ao Poirot de Malkovich? Embora continue a pensar que o Poirot-Finney era melhor. O detective belga, nesta série, é um ser mais solitário.
Todos nos lembrámos das pequeninas zangas entre Agustina e Manoel de Oliveira, pelas infidelidades cometidas pelo realizador ao adaptar os romances da escritora  ao cinema. E será que Fitzgerald e Faulkner foram fiéis, quando andaram por Hollywood? Duvido. Assim, desculpemos a Sarah Phelps ter metido, na série televisiva, coisas da sua lavra. Como popularmente se diz: Quem conta um conto, acrescenta um ponto. É humano, e assim até parece história nova, esta, para quem a vê e já tinha lido o romance policial.
Por afecto às origens, e enquanto espero pelo terceiro e último episódio, no próximo Domingo, fui buscar à estante o número 167 da Vampiro (Os Crimes do ABC), para reconstituir a verdade ficcional que Agatha Christie imaginou em 1936. E que Sarah Phelps re-criou, agora, para a televisão.
Já  agora louve-se, na banda sonora, a breve entrada de Schubert (Trio op. 100). Copiada de Kubrick?
(Conhecem? Está por aqui [Arpose] a 3/1/2017. É uma peça musical lindíssima!)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Pequena história (50)


Em 1939, o escritor norte-americano Raymond Chandler (1888-1959) publicou o seu romance negro The Big Sleep que, em português, veio a ter o título de: "À Beira do Abismo". O realizador Howard Hawks resolveu adaptá-lo ao cinema, tendo concluido o filme em 1946. A película não teve boa crítica e, na altura, nem foi grande sucesso de bilheteira. Apesar do elenco distinto (Humphrey Bogart e Lauren Bacall) de bons actores e da importante colaboração de William Faulkner na adptação ao cinema do livro de Chandler. No entanto, com o tempo, a película ganhou notoriedade consistente e é, hoje, considerado um dos cem melhores filmes norte-americanos.
Diz-se que o enredo original (do livro) era um pouco atabalhoado e pouco claro, nalgumas cenas. De tal modo que Faulkner e Hawks, assoberbados com dúvidas, tiveram que perguntar a Chandler, entre outras coisas, se uma das personagens secundárias era assassinada ou se suicidava. Ao que o escritor teria respondido, confuso: Dammit I did'nt know either!*

* : Raios, nem eu sei.

sábado, 28 de outubro de 2017

Marcadores 28


Embora a edição de livros, na Grã-Bretanha, continue florescente, confesso que tive dificuldade, no que diz respeito a livros novos, em encontrar alguns clássicos ingleses. Por exemplo, a obra ensaística de W. H. Auden. E muito menos os encontraria na loja-livraria da British Library. Que, sendo agradável, privilegiava sobretudo a literatura infanto-juvenil e a temática policial na sua exposição e acervo. De lá trouxe estes 2 marcadores e posso informar que a colecção policial promovida e editada pela BL conta já com várias centenas de títulos...



para MR.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Leituras Antigas XLII


Creio que poderei dizer que me despedi, saciado, da infância, bem como da adolescência. Costumo até dizer, por ironia, que tive uma infância feliz. Porque raramente regresso a esse paraíso artificial ou ao fetichismo mental dos seus brinquedos, filmes ou livros. Embora, aquando da infanto-adolescência dos meus filhos, o tenha feito por obrigação afectuosa. Mas foi - diria - a despedida final, a cerimónia dos adeuses.
É possível, no entanto, que por vezes haja pequenas e fortuitas recaídas na compra de pequenas coisas, livros, postais de um tempo passado. Talvez mais até pelo seu lado estético, como estes dois Vampiros Magazines, dos anos 50, com belíssimas capas de Cândido Costa Pinto, com influência surrealista. Para não falar das traduções de Victor Palla dos contos de cariz policial, que estes pequenos livros encerram.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Da Holanda, em particular


Não é sequer dos meus escritores policiais preferidos, mas o inglês Nicolas Freeling (1927-2003) rodeava de ingredientes muito interessantes as obras que tinham o inspector holandês Van der Valk como protagonista central. Falava dos costumes, de gastronomia, do ambiente paisagístico holandês, com à vontade e propriedade. Talvez porque, apesar de britânico, vivera na Holanda, casara com uma holandesa e tinha uma avó dessa mesma naturalidade, com o apelido Vierling.
O livro (em imagem) que acabei, ontem, de ler, "Na pista do crime" (Sand Castles, 1989), foi o último que Freeling escreveu da série de Van der Valk que foi  adaptada pela BBC, em televisão. Comprei-o numa abada de Vampiros, que adquiri, usados, no Montijo, algumas semanas atrás, por 1 euro cada. São várias, nesta obra acima referida, as referências aos holandeses, e bem curiosas. Por isso, vou proceder a algumas transcrições:

" Os holandeses são democratas: quando tratam alguém por Meneer estão a ser sarcásticos. Como por exemplo: «Meneer, não se importava, por favor, de retirar a ponta da sua bengala de caça de cima do meu dedo do pé?" (pg. 8)
" O quarto de casal dava para o mar. Tal como todos os quartos holandeses era mal ventilado e sobreaquecido." (pg. 14)
" Os holandeses não são dotados para as artes culinárias. Falta-lhes o instinto que os belgas tão bem possuem (quando se deixam persuadir a cozinhar os seus pratos típicos). (pg. 15)
" Primeiro, a paixão dos holandeses pela luz eléctrica; as ruas podiam não estar mais iluminadas do que uma aldeia remota do Texas, mas no interior de uma sala de estar de doze metros quadrados, era vulgar encontrarem-se dez lâmpadas acesas." (pg. 17)

para a Sandra, no seu "Presépio com Vista para o Canal", que, com propriedade e conhecimento de causa, poderá apoiar ou refutar estas insinuações..:-)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vampiros de segunda geração


Parece-me que agora é de vez. Pré-anunciada, frequentemente, a ressurreição da memorável Colecção Vampiro, o jornal Público, de Domingo, em extenso e informado artigo de Luis Miguel Queirós, atesta a sua concretização pela Porto Editora. E tenho que me congratular porque, nos primeiros números, haverá algumas reedições de S. S. van Dine (1888-1939), o meu escritor de policiais preferido, e de quem, por aqui, já falei.
Não sei é se o preço de 7,70 euros será justo. Para quem ainda compra antigos Vampiros, como eu (faltam-me 89 números, para completar a colecção original, composta por 703), sabe que, usados e em razoáveis condições, se podem adquirir entre 1 e 3 euros. Excepto os autores de culto, mais procurados, que podem ir dos 6 aos 12 euros (Agatha Christie, Simenon, E. S. Gardner). Preços intermédios (3 a 5 euros) custam normalmente os Hammet, Chandler, Ellery Queen, Sayers, van Dine...
Seja como for, foi uma boa notícia, esta da ressurreição da celebrada Colecção Vampiro.


sábado, 31 de outubro de 2015

A colheita da manhã


Há muito que eu não via (pelo menos desde o tempo da saudosa Livraria Barateira) um estendal tão numeroso de livros policiais, usados, à venda. Principalmente, das colecções XIS e Vampiro. Foi na feira dos Sábados, na rua Anchieta. Uma banca enorme e coalhada de policiais, a bom preço. Acerquei-me, saquei da minha lista de faltas e comecei a confrontar títulos, autores e números: vieram 10. António Nobre e Borges vieram, também, para completar a dúzia. 


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Das leituras e séries policiais


O Verão convida à leveza nas leituras. Imagine-se que, ontem, até comecei a ler um policial de Leslie Charteris ("O Santo recebe um SOS", nº 204 da Vampiro), que é um dos autores que menos admiro, no género. Dos meus Top5, Agatha Christie (1890-1976) não consta, mas ainda leio os seus livros com agrado. Sejam eles com a investigadora Miss Marple, com Tommy e Tuppence (Beresford) ou Poirot, que é o meu preferido. Há dias, porém, apanhei um filme, na televisão, baseado numa obra da escritora britânica, mas não o consegui ver até ao fim. Tinha um erro crasso de casting: quem fazia de Poirot era o canastrão do David Suchet que, além de ser mau actor, adopta um tom amaneirado, excessivo, de falar que eu não consigo suportar muito tempo. Para quem viu Hércules Poirot ser desempenhado por Peter Ustinov e Albert Finney, no mínimo o Suchet é uma pobre caricatura infeliz...

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Dos policiais


O livro (Journal d'un lecteur) de que, aqui, falei ontem, tem vários oragos ou patrocínios. As primeiras 120 páginas desenvolvem-se a partir de uma obra de Bioy Casares. Seguem-se Kipling, Chateaubriand, Conan Doyle (The Sign of Four), como estímulos... Nas páginas dedicadas a este último, Sherlock Holmes serve de pretexto a Alberto Manguel para tecer várias considerações interessantes sobre os romances policiais e seus autores, bem como dos requisitos essenciais que deveriam presidir a estas obras.
O escritor argentino chega mesmo a incluir uma lista dos seus 20 romances policiais preferidos. Da lista vou referir, para além de Conan Doyle, aqueles autores que eu conheço, ou já li:
- Nicholas Blake : The Beast must die.
- Ruth Rendell : A judgement in stone.
- Agatha Christie : The murder of Roger Ackroyd.
- Margaret Millar : How like an angel.
- Dorothy L. Sayers : Gaudy Night.
- Ellery Queen : The tragedy of X.
- Anthony Berkeley : Trial and error.
- Georges Simenon : Les fiançailles de M. Hire.
- Patrick Quentin : My son the murderer.
- Chester Himes : Cotton comes to Harlem.
Estranhei que Alberto Manguel não tivesse incluído nenhum romance policial de Earl Stanley Gardner. E lamento a exclusão liminar de S. S. van Dine. Para mim, um dos grandes autores de livros policiais.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O regresso (?) da Vampiro


A ser verdade a notícia de que a Porto Editora terá comprado, à Livros do Brasil, os direitos da conhecida e celebrada Colecção Vampiro, policial, em breve e provavelmente, teremos de volta os seus novos títulos à venda - oxalá! E faço figas para que regressem no antigo formato e com capas dignas da sua clássica antiguidade conceituada, por onde pontificaram Cândido Costa Pinto, Lima de Freitas e Infante do Carmo.
Esta boa nova juntou-se à coincidência de, na semana passada, eu ter adquirido, usados, 5 volumes que me faltavam, ficando agora com 596 livros da referida colecção, até ao malfadado número 681 do desengonçado novo formato, que, de algum modo, ditou a agonia da Vampiro. E que baratos que eles foram: cinco livros, por 2 euros. Deixo aqui 3, em imagem, com capas de Lima de Freitas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os apontamentos de Conan Doyle


No ano anterior à publicação de "A Study in Scarlet" (1887) e antes de iniciar a escrita do romance policial que viria a dar origem à saga das aventuras de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle (1859-1930) anotou alguns elementos para a caracterização do famoso detective.
O nome inicial do investigador britânico era Sherrinford Holmes, que coleccionava violinos raros... São estes apontamentos manuscritos, de Conan Doyle, que se podem ver na exposição do Museum of London, até Abril de 2015, segundo informação do TLS.


sábado, 1 de março de 2014

Policiais de segunda


Houve tempo, sobretudo na juventude, em que eu não era esquisito com os romances policiais que ia lendo, na Colecção Vampiro. Muito embora privilegiasse, entre os escritores clássicos e mais ortodoxos, as obras de S. S. van Dine. Com os anos, no entanto, fui-me tornando mais exigente, e fui excluindo das compras os livros policiais de Leslie Charteris (1907-1993), Mickey Spillane (1918-2006) e do inglês Peter Cheyney (1896-1951). Em todos eles, de uma forma geral, a intriga e mistério eram residuais, e a pancadaria predominava. Daí que, ainda hoje, dos poucos volumes que me faltam para completar a Colecção Vampiro, a maioria são dos três autores acima referidos.
Mas, em boa verdade, tenho de confessar que, na adolescência, vi e gostava de ver filmes "policiais" protagonizados por Eddie Constantine (1917-1993) que, invariavelmente, desempenhava o papel de Lemmy Caution, agente do FBI e herói de grande parte das obras de Peter Cheyney (para fazer ideia do ambiente, aconselho a visão do pequeno vídeo, abaixo...).
Por vezes, no entanto, há que dar uma segunda oportunidade a um escritor. Ontem e por desfastio, peguei no "Bahama Negra" (Vampiro nº 187) e comecei a lê-lo. Inesperadamente, vou na página 63 e estou a gostar. E, até aí, já houve um crime, há mistério, e ainda não houve nenhuma cena de pancadaria...

P. S. : chamo a atenção para a bela capa de Lima de Freitas.



domingo, 2 de setembro de 2012

Ainda o policial : os agentes da "silly season"


Em tempos sérios e pesados, que não na silly season, Salazar fazia-se entrevistar por "Le Figaro", para mandar recados, do estrangeiro para as terrinhas portugueses. E comprava assim também algum pretenso estatuto internacional. Agora, há outras vias. Menores.
Desde o vice (Paul Ryan) de Mitt Romney, qual Sarah Palin masculino, que segue a máxima: "Não se deve propor nada de novo ou corajoso porque, se não, os adversários utilizarão isso contra nós", até ao lusitano agente da cultura, acharutado, que proclama, por entre nuvens de fumo, a "Le Monde": "Nous vivons dans une societé qui a perdu ses rêves".
Só me faltava este...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Colheita do dia


As sardinhas estavam óptimas e o modesto branco de Alpiarça portou-se muito bem. Quanto a companhia, eu não poderia desejar melhor, ou mais próxima. A temperatura, amena, e as nuvens negras, que ameaçavam, devem ter ido chover para outro lado. Por isso estava-se muito bem na esplanada e a conversa prolongou-se.
Mas eu viera, ao encontro, já bem satisfeito. Tinha encontrado, numa banca exterior de alfarrabista, a preço módico, estes Mistério Magazine de Ellery Queen, em edição brasileira, que fizeram as delícias da minha juventude, e de que ainda tenho alguns, mas não estes. Por isso, os colhi da banca, e os trouxe para casa.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O dia deles


Ao que indica a Wikipédia celebra-se, hoje, não só o Dia do Detective, como também o Dia da Família. Ora, quanto a mim, há aqui uma contradição prática na sobreposição. Porque não me lembro de nenhum detective de ficção que seja casado ou, pelo menos, tenha filhos e família alargada. São, normalmente, homens solitários, tirando Maigret e a sua Madame, que também não tinham filhos - que se saiba.
Assim, o Padre Brown (Chesterton), Dupin (Poe), Sherlock Holmes (Conan Doyle), Philo Vance (S. S. van Dine), Poirot (Agatha Christie), Nero Woolf (Rex Stout), Perry Mason ( E. S. Gardner), todos eles são solteiros, quando não misóginos. Há que concluir que, dedução policial com família, não joga.
Abra-se uma outra excepção para o anónimo detective criado por Graham Greene, em "The end of the Affair". O detective não só tem família, humildade e competência profissional, como até tem um filho, ainda pequeno, que anda sempre com ele e o ajuda nas investigações policiais. É a excepção, para confirmar a regra...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Da Literatura, dita policial



Não tenho andado muito virado para a ficção, pura e dura, ultimamente. E, por isso, tenho um Faulkner a meio, já há uns tempos. Quando há fastio geral, de leitura, já sei o remédio: pego num Simenon...e tudo recomeça. Sempre foi o melhor aperitivo para continuar a ler.
Mas, aqui há uma semana, deu-me vontade de encetar um policial. Saíu na rifa "Morte em Roma (nº 393, da Colecção Vampiro), de Hartley Howard. Li-o depressa - é movimentado, bem escrito, e chega. Pertence, no entanto, aos inúmeros policiais, falsos para mim, onde não entra dedução, nem honestidade narrativa, ou seja, os conhecimentos do leitor, ao longo da leitura, são sempre inferiores ao do autor, que esconde sempre alguns factos importantes. Piores do que estes são os romances policiais de Peter Cheyney, de Mickey Spillane que são autênticos arraiais de pancadaria e violência, e as obras anódinas de Leslie Charteries, com o Santo aventureiro.
Tenho que confessar que, em matéria de romance policial, sou um purista conservador. Para mim um autêntico romance policial tem que ter descoberta, investigação e dedução analítica, articulação especulativa, e o leitor deve ter sempre, e honestamente, os mesmos conhecimentos do autor, ao longo da narrativa. No fundo e em resumo deve cumprir as "Vinte regras para escrever histórias policiais" que S. S. van Dine (Willard Huntington Wright) teorizou, para sempre quanto a mim, em 1928. Infelizmente, as editoras metem de tudo nas suas colecções de detectives, até mesmo na clássica e longeva "Vampiro".
Por isso, para mim, os verdadeiros autores policiais são muito poucos: Poe, Conan Doyle, E. S. Gardner, Agatha Christie, o próprio S. S. van Dine, e algum Rex Stout. Na primeira linha está, obviamente, Georges Simenon que é um caso à parte e único. Singulares, também, são Raymond Chandler e Dashiell Hammet, mas apelidá-los-ia de autores de romance negro - parece-me mais ajustado.
Nem os recentes, badalados e modernos Catherine Aird, Andrea Camillery, Ruth Rendell e Vázquez Montalbán fazem as minhas preferências, porque não cumprem as regras essenciais em relação ao leitor. Mas tenho que me conformar: vou iniciar, em breve, "Perfídia que mata" (nº 506, da colecção Vampiro), de Nicolas Freeling. Mas não tenho grandes ilusões, quanto a ser um verdadeiro clássico...