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segunda-feira, 17 de junho de 2024

O regresso dos elefantes

 
O título deste poste não é meu, mas da TV 5 francesa, a propósito do regresso de François Hollande (1954) à política activa nas próximas eleições legislativas gaulesas. Estamos num tempo caricato para não dizer dramático. O caso francês fez-me lembrar a situação semelhante do regresso de David Cameron (1966), ex-primeiro ministro britânico, que reingressou no activo, como ministro dos Negócios Estrangeiros.
Por cá, o insólito fia mais fino: os professores reformados parece que vão voltar a dar aulas...

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Desabafo (72)


 

Eu creio que não se recomenda ter grandes mitos ou fantasias sobre a qualidade ou bondade dos povos.
A emoção irracional predomina na política, quase sempre, nas opções básicas, tal qual como no futebol. E não vale a pena missionar ou tentar convencer, dialogando, os contrários, quer seja no Brasil ou Portugal. Será apenas e só um destino genético? Não creio. A cegueira é maior no povão que, já o escrevi, é burro, habitualmente.
Creio que, talvez por um acaso da sorte, o bem relativo ganhou nas urnas do Brasil, por pouco mais de 1%, ao mal objectivo e flagrante. Ao menos isso. A Amazónia sempre vai durar um pouco mais.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Espaço e dinheiro



A ocupação progressiva do espaço doméstico pelos livros é uma das preocupações maiores dos bibliófilos. E até, muitas vezes, dos simples amantes de livros. Ainda assim me tenho surpreendido pela rapidez frequente com que se desfazem muitas bibliotecas, através de leilões ou nos alfarrabistas, logo após a morte dos seus donos. Falta de espaço ou partilhas explicam, normalmente, a celeridade da venda dos livros, muitas vezes sem que se atenda a dedicatórias íntimas ou afectuosas, que morrem também no papel e por si.



Este livro em imagens, editado (Sextante Editora) em 2009, por Mário Soares (1924-2017), e oferecido, com dedicatória manuscrita, ao também político Manuel José Homem de Melo (1930-2019), que foi director do jornal A Capital, de algum modo corrobora o que eu disse atrás. Mal se passaram 2 anos para que ele mudasse de mãos, através de um conhecido alfarrabista de Lisboa. À guisa de conclusão, posso dizer que HMJ gostou muito de ler a obra. O que me faz pensar que eu também o vou ler com prazer. 


cordiais agradecimentos a H. N.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Desabafo (54)


É conhecida, e antiga, a frase que os aristocratas diziam para os criados e usavam para prevenir a chegada dos artistas aos seus palacetes de antanho, para lá ir actuar: "Guardem as pratas, que vêm aí os cómicos!"
Há por aí, agora, umas boas almas puristas e escandalizadas com as posições políticas tomadas por Regina Duarte, no Brasil. Esquecem-se, por exemplo, da leviandade ideológica de Eunice Muñoz, por cá que, de algum modo, seguiu artisticamente Zita Seabra, no seu apego à múmia de Boliqueime.
Artistas, cómicos, agentes culturais, como quase sempre viveram mal, gostam muito de lentilhas...

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Conselho amigo


Raramente sou de muitas palavras, até porque acho que todos podemos ser sucintos e essenciais naquilo que queremos dizer... De gorduras, bastam as que vamos adquirindo, inúteis, com a idade. E, depois, alguns raros comentários palavrosos que me chegam ao Arpose, deixam-me, muitas vezes, quase sem resposta.
Mas gostaria de recomendar, vivamente, os 9 minutos iniciais da Circulatura do Quadrado, de ontem (7/11/2019), por toda uma questão de sanidade mental. E pela forma simples e exemplar de expor as questões e de saber pensar - o que, em Portugal, vai sendo cada vez mais raro. Sobretudo, politicamente.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Panteísmo e política, uma miscelânea a despropósito


Anda por aí um partido, sem ideologia que eu saiba, oportunista e vago de ideais, mas que aproveitou bem o nicho português da causa, que estava vago, para conquistar terreno e eleitores nessa amálgama  de gente lusa que faz manifestações por tudo e por nada e segue, fanaticamente, aquela adolescente sueca e autista, que é filha de boas famílias e se arrisca, com grandes probabilidades, ao Nobel da Paz (depois de Dylan, na Literatura, o que é que poderemos esperar?).
Bem fez o nosso simpático e realista Jerónimo que pôs Os Verdes com dono e a render, ao empurrar a estridente Heloísa para a difícil conquista de Leiria, nas próximas legislativas. Esse partido, pioneiro em terras lusas, nunca foi capaz de ganhar espaço nem implantar bandeira efectiva nas questões do Ambiente. Veio assim um Silva de nenhures, um pouco bronco e limitado no pensamento, primário e populista nos discursos, a ocupar o  terreno vago, com a sua tenda de acampamento verde. Burro não é ele, mas gosta de animais.
Embora, se calhar, nunca tivesse lido Baruch Spinoza, nem seja particularmente panteísta...
Mas passemos a outro assunto, em sequência.
Tenho para mim, embora sem fundamentos de absoluto rigor, que o panteísmo teve, desde há muito, como pioneiros europeus e terrenos de eleição a Grã-Bretanha e os Antigos Estados Alemães. A mera agricultura e subsistência subiu neles cedo à prática idealista de uma filosofia e de uma exigência de vida e respeito pela Natureza. Adiante.


Ora, uma nossa amiga, que vive numa pequena aldeia nas proximidades de Colónia, encontrou na rua, quase ainda implume e caída do ninho, uma pequena pega (-rabuda? pernilonga?) piando, abandonada.
E, embora essas aves tenham associada uma certa má fama de ladras e destruidoras de ninhos e ovos alheios, logo a recolheu caridosamente e a levou para casa, onde já tinha duas pombas. Uma de asa quebrada, outra, de pata partida, assim fazendo jus ao intrínseco sentimento panteísta dos lídimos alemães. Só que agora tem um trabalho acrescido todas as duas horas, porque as pegas são muito vorazes e esta está a crescer (normalmente, chegam ao comprimento de cerca de 45 centímetros). E a nossa amiga, pontualmente, tem que lhe dar de comer ou ela reclama, de forma estridente...



domingo, 4 de novembro de 2018

Um cartaz brasileiro de propaganda, de 1932


Os símbolos repetem-se, muitas vezes adaptados a novas conjunturas. O cartaz brasileiro de 1932 destinava-se a despertar consciências para combater a ditadura de Getúlio Vargas (1882-1954). Mas inspira-se, flagrantemente, nos seus antecessores, inglês e norte-americano, que foram concebidos com motivos e razões distintas, para objectivos semelhantes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Da política estrangeira à portuguesa, excepcionalmente


Raramente, mudarmos de camisola nos traz dividendos. Embora a neutralidade militante possa grangear, aos que a praticam, uma pretensa multidão de amigos... Que não deixam de ser, numa nomenclatura rigorosa e objectiva, apenas conhecidos, próximos. Neste particular, há que sermos realistas.
Não é por se adaptarem aos tempos que jornais e revistas aumentam as tiragens. Esses golpes de rins, muito frequentes, hoje em dia, em vez de trazerem novos clientes e assinantes, fazem é perder uma boa parte dos leitores antigos. O jornal Público e L'Obs., em França, ilustram bons exemplos disso.
Na política, o mesmo vem acontecendo, sobretudo nos partidos mais importantes, que adaptando-se, oportunisticamente, aos novos tempos, vão omitindo o seu ADN original e a sua ideologia de base. O eleitor acaba, mais tarde ou mais cedo, por não perdoar.
Blair, Schröder, Hollande foram no fundo os coveiros dos seus partidos socialistas. Como a própria CSU (irmã gémea da CDU, na Alemanha), da Baviera, confirmou, ontem, também a sua erosão, nas eleições da Länder. Ou o mísero resultado do SPD germânico, ultrapassado até pela AfD, neo-nazi.
Não tenho dúvidas que, se o PS português ainda fosse chefiado por António José Seguro, o socialismo ter-se-ia esboroado, irremediavelmente, no espectro partidário nacional. Que era, no fundo, aquilo que a Direita portuguesa gostaria que tivesse acontecido.

terça-feira, 6 de março de 2018

Uma brilhante tirada política, de humor


Os Balcãs produzem mais História do que aquela que são capazes de consumir.

Winston Churchill (1874-1965).

domingo, 4 de junho de 2017

Centralizando a questão


É sempre avisado desconfiar daqueles que, com cândida singeleza e puritanamente, se confessam apolíticos. Na maior parte dos casos, são meros Tartufos disfarçados. E, ainda mais, é preciso desconfiar dos que afirmam que não há já razão ideológica para a existência, em política, de Esquerda e de Direita. Esses, ou são pobres de espírito (e será deles, como diz o Novo Testamento, o reino dos céus...), ou escondem objectivos inconfessados de infiltragem insidiosa, para catequizarem e se insinuarem, com mais simpatia, no país aborígene dos ignorantes e inocentes.
Dito isto, eu penso que, em muitos aspectos, a Esquerda conserva, em si, alguns sentimentos de culpa em relação às questões essenciais do mundo, alguma incomodidade, e tem, muitas vezes, uma excessiva gentileza democrática para resolver com objectividade determinadas situações. Aí, normalmente, a Direita é menos subjectiva, mais rude, mas também mais eficaz. Por exemplo, a Guerra. Relembro a hesitação democrática de Mendès France, comparada com o realismo de De Gaulle (Argélia). Ou Kennedy e Johnson, democratas, em confronto com o pragmatismo de Nixon, republicano, que acabou com a guerra do Vietname.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

S. Valentim


Não deixa de ser curioso, ou irónico, que quase um ano depois de coabitação, os namorados tenham tido o seu primeiro grande arrufo, precisamente, no próprio dia deles.
Os padrinhos devem estar desolados...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Velhos métodos


"Divulgou-se pela Corte que S. A.* dava títulos de Duques aos Marqueses de Gouveia, e Marialva; de Marqueses aos Condes de S. João, e Torre; de Conde a D. Rodrigo de Meneses. Também correo vox que Antonio de Mendonça tractava de ficar Inquisidor geral; o Bispo de Targa, Arcebispo de Lisboa; Sebastião Cesar, de Braga; pareceo aos entendidos, que a pretenção com artificiosa politica divulgou a nova, para que chegasse ao Principe da boca do povo, que até esta hora não sabemos que sahisse para a boca do povo da mente do Principe. Principes houve em Portugal que usárão deste ardil, para saberem pella approvação, ou reprovação do povo, se erão acertados seus intentos, querendo dar titulos, e postos; mas agora os pretendentes dos postos, e dos titulos, querião dar a entender ao Princepe, que o povo os escolhia por benemeritos delles."

Fr. Alexandre da Paixão, in Monstruosidades do Tempo e da Fortuna (pg. 99).

* este S. A. (Sua Alteza) refere-se ao regente D. Pedro (1648-1706), que foi rei (D. Pedro II) após a morte do irmão, D. Afonso VI (1643-1683).

terça-feira, 12 de julho de 2016

(des)Colagem política


Não gosto de propagandear azémolas e vendidos, no Blogue, por isso raramente os faço representar em imagem. Como dizia o Namora, a publicidade, ainda que negativa, ajuda...
Este Bloem (significará flor, em neerlandês? Se é, não é tulipa, nem que se cheire...) Di(j)sse e tem dito várias coisas desagradáveis e autoritárias sobre Portugal. Nem sequer são inteligentes e, por isso, não as suporto.
Gelificado de cabeça, bastardo do ganancioso Blair e pau mandado do aleijadinho germânico, este boer anquilosado e cavernícola apenas ambiciona uma reforma dourada como o bovino luso-barrosão.
Deus, se existe, que não lha conceda!


domingo, 24 de janeiro de 2016

A parte pelo todo


Foi moda, por cá, a partir do último quartel do século XX, começarem a aparecer obras completas de alguns poetas, que se encontravam ainda em pleno exercício da sua arte e a meio da vida. Nem Herberto Helder escapou a esta tentação, e andam por aí as suas Poesia Toda, que ciclicamente ia editando...
Não sei se haverá muita afinidade entre Política e Poesia, para além de serem uma vocação humana estimável. Mas é verdade que, ultimamente, vários políticos juniores portugueses se afanaram e esfarraparam em contribuir para a publicação das suas autobiografias, cujo interesse não deve sequer alcançar a região dos seus fregueses... Ânsia de protagonismo, com certeza.
Mortos, provavelmente, não inspirarão decerto nenhum posterior biógrafo autorizado e competente, até porque as suas vidas terão sido excessivamente rasteiras e desenxabidas, para deixar rasto e interesse. Quase nenhum  se aproximou sequer da altura política e da qualidade literária do autor de A Abelha e o Arquitecto, por exemplo. Mittérrand, quero eu dizer.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Descobrimentos...

Uma vez por outra, somos pioneiros.
Será que a Espanha vai seguir o exemplo português?
Não será a primeira vez que nos imita: já nos descobrimentos nos seguiu...

sábado, 2 de janeiro de 2016

Recomendado : sessenta - dossiê Mittérrand


Não se peça a um político que seja ingénuo, ferreamente coerente, bondoso. Inteligência, visão de futuro, algum cinismo, o pragmatismo da frieza na res publica, alguma fidelidade, se não à coerência, pelo menos a alguns princípios - são imprescindíveis ou necessários.
Por isso, recomendo este fora-de-série da revista francesa L'Histoire, saído recentemente e dedicado a François Mittérrand (1916-1996). Vinte anos dão para fazer uma avaliação isenta e desapiedada. Se não fosse por mais, e em benefício de inventário do grande estadista francês, teremos de lhe reconhecer uma nítida e ampla visão da Europa. E a abolição da pena de morte, em França. Não serão coisa pouca...


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ad usum delphini (2)


É vê-los por aí, santificados pela deriva, esparramados por cátedras e poltronas de administração...
Porque, neste Portugal jardim, à beira-mar plantado, não há nada como um maoísta arrependido para estraçalhar outro ex-maoísta. Tudo isto, feito em nome de um purismo fundamentalista, de um idealismo de conforto, de uma ética de mercado. E de muita estupidez natural, que não imagina que os outros tenham memória.

sábado, 28 de novembro de 2015

Insuficiências humanas


A grandeza (de uma obra) tem o condão de fazer esquecer, ou perdoar, os pequenos crimes da personagem criadora, nas suas cumplicidades diversas. É um aspecto estranho e inexplicável, quer em política, quer em literatura. Goethe e Napoleão, Pound e Mussolini, Heidegger e Hitler, Cela e Franco, e até a complacência de Borges para com Pinochet...
Não há nada, aparentemente, que o justifique, do ponto de vista ético e racional. E este perdão tácito só poderá explicar-se por uma dicotomia estanque entre a obra e o homem. E será que ela existe, de facto? Ou somos nós que forçamos a sua existência?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Adagiário CCXXXVI


O momento histórico que nos atravessa, com o seu lado patético de farsa, fez-me lembrar João César Monteiro (1939-2003) e, mais concretamente, o seu filme Vai e vem (2003). Mas para o efeito, novo, seria oportuno, talvez, criar um provérbio, que sugiro seja assim:

Não te convém ou não percebeste bem? Pois, vai e vem a Belém!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A Matemática e o Direito


Creio que nunca, em Portugal, e no último mês, se fizeram tantas contas de aritmética com parcelas tão diversas, das 5 possíveis, para obter um total pretendido e desejado, com objectivo político.
Um pouco, como em tribunal se assiste, às vezes, à esgrima de argumentos de diferentes perspectivas, para caracterizar e justificar um mesmo facto concreto.
Donde, talvez fosse legítimo concluir que o Direito e a Matemática não são ciências exactas.