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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Osmose 139

 


É talvez um dos lados obscuros da pequena história. Que eu acompanhei.
Lembro-me do nome de quase toda a equipa: Carmo Vaz, J. Perestrello, Tiago Reis, Dionísio... Era uma altura em que eu achava que a Formação era irrelevante. Estava errado. Embora me apercebesse depois que os profissionais do Modelo, a nível de competências, deixavam muito a desejar; a Nutripol e o A. C. Santos ainda eram piores. Hoje, a preparação profissional, nas grandes superfícies mantém-se uma desgraça... 
A estratégia do Comércio Interno, nessa época do PREC, era pôr tudo sob a tutela e alçada do P. de A., para melhor conseguir manobrar a alimentação e abastecimentos em Portugal, à boa maneira bolchevique, concentracionária e monopolista.
Creio que o executor teórico desse plano teria sido, no governo da altura,  o economista J. M. Brandão de Brito (1947). Um rapaz de modos suaves e urbanos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Osmose 126


Em qualquer viradeira há sempre uns quantos  sujeitos melífluos, aparentemente neutros, que se prestam ou oferecem, como intermediários, para assegurar uma tranquila, pacífica transferência. Uma vez efectuada, afastam-se ou são exonerados. Têm perfil diplomático, politicamente são o que se conhece como centrão. Os cínicos chamam-lhes vira-casacas, quando benevolentes.
A nível de comércio interno (ou grandes superfícies) lembro-me de alguns, depois do PREC: um, baixinho, que se assinava Mathias, de Tomar, e outro, de apelido Almeida e Silva, insinuante de nins, que fez carreira em altos cargos de retalho maior. Com perfil idêntico, eu creio que podemos encontrar criaturas semelhantes em quase todas as áreas profissionais. São pau para toda a colher, em busca de benefícios fáceis...

domingo, 25 de novembro de 2018

Retratos (21)


São rostos sem nome, mas eram muito jovens. Lembro-me bem.
A 26 de Novembro de 1975, coordenei uma reunião, ali para os lados de Alcântara, sobre um qualquer assunto importante para a empresa a que eu presidia. E eles dois, insones, estavam presentes.
De cada vez que tinham que intervir, faziam-no, mas quase rompiam em lágrimas, que nada tinham a ver com o que se discutia, à mesa da reunião. É que eles tinham passado a noite de 25/11 a levantar barricadas ou a escavar trincheiras, ali para as bandas da Ajuda, fervorosamente.
E foi, depois, que se lhes acabou toda aquela alegria, que é própria e natural de cada juventude.

domingo, 27 de outubro de 2013

Críptica (ou só entendível para os muito próximos)


Sempre tive muita dificuldade em pronunciar ou escrever o verbo adorar.
E há situações limite a que devemos resistir com todas as forças da razão, sob o perigo de exagerarmos, de sermos levianos ou mesmo, despudoradamente, ridículos. É um facto que, hoje em dia, a impropriedade no uso da língua portuguesa é abundante, mesmo em pessoas com credenciais académicas, responsabilidades públicas e obrigações éticas ou políticas. O exagero acabou por banalizar-se, da mesma forma que Hannah Arendt falava da banalização do mal.
Lembro-me do cuidado e do tempo que Costa Gomes demorou para decidir-se a  declarar o estado de sítio, em Portugal, numa altura convulsa do PREC.
É por isso que se deve aplicar, com usura e muita parcimónia, a caracterização de mais dois casos de situações limite:
- o estado interessante
- o estado de choque.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A par e passo 45


Uma revolução faz em dois dias a obra de cem anos, e perde em dois anos as obras de cinco séculos.
É preciso marcar passo em seguida, e até mesmo fazer pior, para tudo se adaptar à nova curva da evolução.
Uma revolução é o resultado da sensação de lentidão de uma evolução. Se as coisas aceleram rapidamente, não há revolução.

Paul Valéry, in Tel Quel II (pgs. 251/2).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Os Murais do PREC (5)


Terminamos, por hoje, com o quinto poste, esta curta rubrica com a imagem dos últimos 4 murais, dos muitos que se espalharam por Lisboa, e nalgumas outras cidades portuguesas, nos anos de 1974, 1975 e 1976.

sábado, 1 de junho de 2013

Os Murais do PREC (4)


Do traço mais ingénuo, quase naïf, ao grafismo mais arrojado, aqui vai o penúltimo conjunto desta série de Murais do PREC, que adornavam Lisboa e que desapareceram, entretanto. Sempre de autores anónimos, como eram os artífices das catedrais medievas, apenas as siglas partidárias denunciavam as suas origens ou razões políticas.

domingo, 26 de maio de 2013

Os murais do PREC (3)


Hoje, a imaginação desapareceu de quase todos os partidos, quer nos seus programas quer nas cabeças formatadas da maior parte dos agentes políticos - meros capatazes servis de ordens obscuras e poderes sinistros. Copiam-se entre si reproduzindo manuais obsoletos, em gabinetes protegidos e climatizados.
Pagam sempre mais, os mesmos. Numa condenação que parece infernal. Aos "pobrezinhos, mas honestos" da moral salazarenta, os novos senhoritos clamam que "vivemos acima das nossas posses", como se a libertação da miséria não pudesse ser uma ambição humana e natural, que uma revolução, talvez romântica, fez sonhar possível.
Porque também, hoje, nos graffiti laicos e monótonos, que por aí vemos, se espelha a falta de imaginação e o plágio massificado. A abulia acéfala seguidista e globalizante dos grandes rebanhos obedientes que, quase sempre, nada trazem de novo. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Os murais do PREC (2)


Mais felizes no traço, uns que outros, nalguns casos já invadidos ou sombreados pela vegetação nascente ou delidos pelas intempéries, estes graffiti constituiram a arte urbana militante da segunda metade dos anos 70. Depois, desapareceram ou alguém, superiormente, os mandou apagar em nome do decoro artístico ou do asseio estético. O que tem vindo a seguir é estandardizado, normalmente feio, tresanda a americanice exuberante. E, na maioria dos casos, revela uma enorme falta de imaginação e um mau gosto tremendo.

P.S. : perdoe-se a distracção, mas no melhor pano cai a nódoa...
A fotografia da direita alta está ao contrário.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

José Mário Branco

Não, não é nostalgia, mas apenas uma questão de coerência e sequência com o poste que se segue. Além disso, José Mário Branco  é um dos cantautores portugueses mais talentosos, vivo. Tudo isto conta...
Resumindo, e em relação aos tempos, se compararmos o PR-marinheiro da velha senhora, com o rústico manhoso de Boliqueime, acho que o marujo - por muito que me custe - fica a ganhar. Irra! ( O que a gente andou para trás.)

Os murais do PREC (1)


Comparados com as garatujas, normalmente, pueris de hoje, estes graffiti de 1975/6, quase parecem arte. As fotografias é que não são de primeira água, mas foi o que se pode arranjar...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Almirante Pinheiro de Azevedo

O Almirante Pinheiro de Azevedo que morreu, precisamente, há 27 anos, foi uma personagem curiosa e desassombrada no PREC. E creio que teve um papel significativo, para não dizer importante, nessa época. Era um homem sem medo e não uma raínha de Inglaterra.