O artesanato profilático industrializou-se definitivamente ao longo do séc. XX, mas ainda me lembro bem que uma boa parte dos medicamentos era feita no interior das próprias famácias, normalmente, na retaguarda. Depois, as mezinhas, hóstias ou comprimidos eram acondicionados em pequenas caixas de cartão, com indicação da procedência e componentes do remédio - como se pode ver na primeira imagem.
Mas era da expressão ser-se pílulas que eu queria falar. Que ainda hoje significa ser avariado da cabeça, não regular bem... Há quem defenda que viria do facto de ao se abrir essas caixinhas de cartão, sem precaução e cuidado, as pílulas se espalhavam e caíam. E também há quem diga que foi por ter havido alguns acidentes (e os actuais laboratórios farmacêuticos ainda hoje os têm...) na composição das pílulas, que se começou a usar a expressão popular: ficar pílulas ou ser pílulas (com o tomar dos comprimidos).
Termine-se com uma quadrinha popular que, se não vem a propósito, é engraçada e ilustra a questão etimológica, com originalidade:
O meu amor tem farmácia
Está lá sempre a fazer pílulas,
Se as continua a fazer
Um dia vou lá e tiro-las.