Mostrar mensagens com a etiqueta Sidónio Muralha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sidónio Muralha. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de março de 2013

Evocação de M. R. de Pavia, por Sidónio Muralha


Passará amanhã (19 de Março) mais um ano sobre o nascimento de Manuel Ribeiro de Pavia, que ocupou de beleza adolescente muitas capas de livros portugueses, dos anos 40 e 50 do século passado. Sidónio Muralha, no livro "A Caminhada - Livro de Vivências", livro aqui referido, há dias, fala dele com saudade. Assim:
76
O querido Manuel Ribeiro de Pavia! Li as páginas comovidas e comoventes com ele na minha frente, no Café Chiado que desenterrei das Pompeias da memória graças a você. Ele dizia-me: «A beleza, Sidónio, é um seixo polido. Alguém o apanha, abre a mão de repente, mostra essa maravilha molhada e lisa e todos descobrem a beleza construída em silêncio, que só tiveram olhos para ver quando alguém a fechou na mão e, de repente, a mostrou». Foi há quanto tempo já? A dedicatória de um dos três desenhos que me ofereceu o Pavia, escrita a lápis, quase desapareceu. Mais de um quarto de século passou, mas eu não esqueço, - seres verdadeiramente verticais, como o Manuel Ribeiro de Pavia, são tão raros que é impossível esquecê-los.
(São Paulo, Julho 1970)

sábado, 16 de março de 2013

Neo-realismos, ontem e hoje


Há dias, na zona térrea das estantes (de livros mais baratos) do meu alfarrabista de referência, dei pelo livro "A Caminhada - Livro de Vivências" (Prelo, 1975), de Sidónio Muralha (1920-1982). O autor, nómada impenitente de 3 continentes, teve nome, nos anos 50/60 portugueses e já aqui falei dele ("Usura do tempo", em 14/11/2010), como poeta e escritor de sucesso de livros infantis bem interessantes. Mas a sua poesia (o livro acima citado é uma espécie de diário, com poesia intercalada) é, em excesso, datada, ortodoxamente neo-realista, ideologicamente estandardizada. Hoje, terá apenas interesse por motivos cronológicos de estudo de uma época. Os tiques neo-realistas são muito evidentes e perderam todo o interesse, com o tempo.
E dei-me a pensar que grande parte da poesia, que hoje se publica, enferma dos mesmos tiques, embora mais urbanos e cosmopolitas. É um novo neo-realismo post-moderno que pontifica e predomina. Muito agarrado ao tempo, ao real quotidiano citadino de ninharias, sem grande profundidade. Já Drummond dizia: "não faças poemas sobre acontecimentos...", e bem. Muita desta poesia actual sofre dos mesmos sintomas endémicos que sepultaram, no tempo, a poesia de Sidónio Muralha.

domingo, 14 de novembro de 2010

A usura do tempo


Coincidiu que, no mesmo dia, visse o filme Mogambo (1953), de John Ford (1894-1973), e tivesse relido 2 livros de Sidónio Muralha (1920-1982), que foi poeta de alguma notoriedade, sobretudo nos anos 50 e 60. Os livros datam de 1949 e 1950, e têm capas de Júlio Pomar (1926).
A impressão pessoal que colhi foi que quer o filme (apesar da boa fotografia para a época em que foi rodado), quer os dois livros de poesia (apesar das boas intenções neo-realistas) eram obras definitivamente datadas. Muito pouco me diziam, agora.
No entanto, as capas de Pomar, apesar de também serem muito situadas, no tempo, mantém uma leve frescura e a elegância estética habitual do Pintor.