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domingo, 15 de novembro de 2015

Para reflexão


É um exemplo simples, objectivo e indesmentível. Que ajuda a desmontar ou desmistificar a sacralidade dogmática instrumental da Economia, na sociedade dos nossos dias. E é referido pelo economista e sociólogo francês Bernard Friot (1946), desta forma linear: uma baby-sitter vem tomar conta do bebé de uma família, recebendo, em troca, um pagamento por esse serviço - uma transação, para todos os efeitos, que é acrescentada ao PIB; se for o avô ou a avó a encarregarem-se dessa tarefa, gratuitamente, não há valor acrescentado, nem registado pela contabilidade nacional. Ora, o valor social do acto é exactamente o mesmo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Da Janela do Aposento 42: As brincadeiras da Sociologia, à Portuguesa



O que despoletou o presente texto foi a afirmação, nada científica, de uma “excelente senhora” da nossa praça, licenciada em Sociologia. A propósito das praxes universitárias, a socióloga Rita Ribeiro conclui que “isto é uma brincadeira de gente crescida”.
Reacenderam-se, na minha memória, todas as luzinhas de aviso, reavivando situações, no meio escolar, em que episódios de agressão e violência físicas eram perfeitamente toleradas sob a designação, incorrecta e abusiva, de “brincadeiras”. Resolviam-se, desta forma iníqua, desvios de comportamento, quiçá pela ausência mútua de formação cívica, a contento das duas partes, “assobiando”, alunos e professores “para o lado”!
Contudo, sempre considerei inadmissível a inanidade e a tolerância perante esse “gérmen” da violência, provocando-me a repulsa uma reacção espontânea de intervenção, tanto na escola como em espaço público mais alargado. Pouco me importa, nesse contexto, a atribuição do epíteto de “intransigente”, porque não confundo palavras, de étimos e significados tão diferentes, como “violência”, “agressão” e “brincadeira”.
Considero, portanto, que o inequívoco respeito cívico pela dignidade humana é uma conquista civilizacional e o mais poderoso garante de uma sã convivência num mundo de paz. Por conseguinte, repugna-me, profundamente, que instituições de formação, básicas ou superiores, revelem um tão fraco sentido de um dos “últimos fins do homem”, a saber, o respeito pela dignidade humana.
Aliás, nesse fraco entendimento, reencontram-se velhos fantasmas de ditaduras com a actual cruzada do mundo financeiro contra a Humanidade. Com efeito, e a bem da paz, “é a hora” de não confundir o lúdico com cenas de violência, abjectas e reaccionárias, moralmente condenáveis e, até, esteticamente repugnantes. 

Post de HMJ