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domingo, 22 de janeiro de 2023

Uma fotografia, de vez em quando... (167)



Se Goethe falou delas com propriedade, Magritte representou as mais significativas nas suas telas.  Mas as quatro ou cinco nuvens outrabandistas que vimos ontem, ao fim da tarde, creio que escapavam aos protótipos habituais. Pareciam iluminadas por dentro por um sol estranho e posicionavam-se a sudoeste. HMJ conseguiu fixar fotograficamente uma delas, antes que ela perdesse o ar e tom alaranjado e tendesse para o castanho ou apenas cinzento com o abrir obscuro da noite. De uma forma banal e quase indistinta.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Osmose 108


A contemplação do movimento sempre me descansou e atraiu o olhar. É por isso que gosto de ver o mar ou observar a deslocação das nuvens no azul. E me cansa o percurso prolongado do verde, ao longo de uma floresta densa e sem vento. É evidente que tenho de levar em conta, objectivamente, a forma de como reajo às cores.
Ontem, por volta das 19h00, o céu e as nuvens apresentavam-se assim (fotografia acima), no meu horizonte da varanda a leste, em tom quase lilás. Cerca das 20h30, ao sumir-se a luz, as nuvens estavam já brancas e eram suavemente, arrastadas pelo vento para norte. Trovejou depois por três vezes e choveu. E o céu, com a lua minguante, estava de novo límpido, cerca da meia-noite.
Que me venha alguém explicar a Natureza e decifrar a razão mais íntima das nuvens. Agradeço.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Paisagem aérea


Neste recente Outono, pouco marcado, incipiente, o céu tem vindo a arrumar-se, nestes últimos dias, em azuis muito nítidos pontuados por nuvens brancas, esvoaçantes, muito sugestivas nas suas configurações fugazes: flamingos alvos e alongados, duendes fantásticos, ouriços-cacheiros voadores, barbas algodoadas de gigantes inexistentes, eu sei lá!...
Basta a cada um procurar, no recôndito da imaginação, o ponto certo sempre mutante da irrealidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Esboço premonitório ou projecto em jeito de fábula


Era no tempo em que tudo parecia poder vir a acontecer. E ainda não havia a CEE...
Sentado frente à janela da sala de jantar, eu via as metamorfoses vertiginosas das nuvens. Porque elas têm, em si, uma capacidade de sugestão e engano infinitos. E são como um pintor que desenha, mas nunca está satisfeito com o que faz. E vai apagando.
Devia ser Junho. Um Junho não muito definido, que ameaçasse chuva ou trovoadas. E, nessa altura, eu gostava muito de Geografia: aqueles mapas coloridos dos países, os riscos a negro dos rios, o castanho macio das montanhas. A princípio, nas nuvens em frente, começaram a aparecer-me os contornos nítidos da Grã-Bretanha; mas logo, e pouco depois, desenharam-se os limites mais pequenos da ilha de Chipre. Cinco minutos após, as nuvens eram apenas um ponto, como se fora, ao Sul de Espanha, o minúsculo protectorado de Gibraltar.
Que se desvaneceu da minha visão, como por encanto quase de imediato, e eu voltei, de novo, à realidade. E pensei que devia ter ido chover para outro lado...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Divagações 73 (nubladas)


Para melhor dominar os assuntos ou arrumar as ideias, o homem procurou sempre sistematizar e classificar as coisas. Um nome é, em muitos casos, uma fórmula tranquila, um sossego gramatical ou biológico, a maneira de circunscrever o imprevisível, de formatar as circunstâncias, de chamar. Nem a Natureza escapou a esta febre disciplinar humana, embora, por vezes, se permita perturbar e baralhar essa estabilidade classificativa: um animal exótico que nunca fora visto, um peixe estranho que pede uma nova reordenação, uma planta pequena e humilde, ou uma flor que, sendo discreta, escapou, durante séculos, à visão humana. E as regras do jogo são postas em questão...
Embora arrumado nas ideias, considero-me indisciplinado nas coisas: papéis, livros, pequenos objectos que vou juntando e não consigo classificar, para poder arrumar, rasgar ou deitar fora, em definitivo. Há sempre livros que se escusam a uma classificação exacta, como as nuvens, das quais só consigo identificar e nomear, com certeza, os cirros (do latim, cirrus, e porquê?), que têm sido bem raros nestes últimos dias tão nublados e cinzentos deste Verão de Setembro. Também ele inclassificável.

domingo, 9 de dezembro de 2012