Mostrar mensagens com a etiqueta Nicolas Poussin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nicolas Poussin. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O estado do Blogue


Dia em que Jean-Claude Juncker fará o seu discurso sobre o estado da União Europeia (que não é famoso...), em que logo à noite haverá o debate televisivo entre os dois candidatos a primeiro-ministro de Portugal; em que se vai reiniciando o ano activo e escolar, para muitos, e, a pouco mais de dois meses do Arpose completar 6 anos, talvez seja a altura de fazer um tentame de balanço.
Números, já que andamos na Idade da Economia: 7.872 postes (com este) e um pouco mais acima de 270.000 visitas. Algum cansaço, pouca inspiração e a noção concreta e real de que aquilo que tinha para dizer, em grande parte, já o disse. É evidente que todos os dias há notícias e factos novos, e que alguns deles merecem uma apreciação subjectiva e pessoal, porque nos importam ou estimulam. Nem diário, nem almanaque (embora não muito divergente), fragmentário sempre, o que será um blogue, senão o espelho polifacetado de quem o faz? Variam apenas na forma ostensiva de exposição ou na sua discrição levemente desvelada; na sua intensidade maior ou na leveza banal da superfície.
Às vezes, penso que já todos os países do mundo cá vieram (Presunção e água benta, cada um toma a que quer...), até que me aparecem, como recentemente aconteceu, visitantes da ilha de Reunião, das Antilhas holandesas ou do Cazaquistão, e eu me conscencializo de que há mais mundos, como dizia José Régio... Depois, há interrogações que não têm resposta, nem lógica, como por exemplo: saber porque é que vêm tantos visitantes, de França (!), sugar ao Arpose uma imagem de um quadro do pintor francês Nicolas Poussin? De forma vaga, poderia dizer que são os resultados da globalização... ou a pobreza bibliográfica e iconográfica das bibliotecas de muitos cibernautas.
E, já que há muito não falo das search words chegadas ao Arpose, para acabar com uma nota de humor (ou da iliteracia e ignorância), aqui vai uma, que chegou ontem, vinda de França, num português muito mascavado. Assim: "carri chas da caicha a berta a venda em portugal" (sic). E o Google, naquela sua sapiência de máquina parva algorítmica e marcana, indicou, ao cibernauta desleixado, o poste "Cromos 10 : Artistas de Cinema" (de 17/1/2011). Percebem? Eu, não.
Uma boa tarde, para todos os que visitem o Arpose!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Valéry, sobre a evolução da paisagem na Pintura


"A paisagem foi a princípio um fundo campestre sobre o qual alguma coisa se passava. Creio que os Holandeses foram os primeiros a interessarem-se por isso mesmo ou pelas belas vacas que eles, aí, representavam.
Quanto aos Italianos e a nós (Franceses), o tema advém da importância do cenário. Poussin e Claude organizam-no e compõem-no magnificamente. A paisagem canta: ela está para a natureza, como a ópera está para a vida quotidiana. Usa-se a árvore, o pequeno bosque, as águas, os montes e as fábricas com uma liberdade toda ela ornamental ou teatral. Fazem-se sempre estudos muito exactos e comparáveis aos que se farão um século depois. Chega-se ao extremo da fantasia. (...)
Observa-se então que o domínio da pintura é invadido, passados anos, por imagens de um mundo sem homens. O mar, a floresta, os campos desertos satisfazem a maioria dos olhares. ..."

Paul Valéry, in Degas, Danse, Dessin (pgs. 175 e 180).

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Nicolas Poussin



Porque se volta atrás? Quase sempre por uma ilusão que persiste. Ou para acabar, de vez, com ela. Ao que dizem, Cézanne admirava o classicismo de Nicolas Poussin, que nasceu a 15 de Junho de 1594, em França, mas trabalhou grande parte da sua vida em Roma, onde veio a morrer, no ano de 1665. Por sua vez, Poussin tinha em grande estima as obras de Rafael e Giorgione. Todas estas referências e admirações enobrecem e qualificam quem as teve.
Um dos quadros mais conhecidos de Nicolas Poussin, em imagem, intitula-se "Os Pastores da Arcádia", e encontra-se no Museu do Louvre, tendo sido pintado entre 1638 e 1639. A obra coloca algumas questões. Primeiro, a inscrição "Et in Arcadia Ego", que os pastores parece tentarem decifrar. Depois, a melancolia da paisagem, talvez de Outono (da vida?), acentuada no lado direito. Finalmente, o próprio e antigo sarcófago romano que é o centro objectivo da pintura. Mas que também poderia ser um túmulo merovíngio ou visigodo, que a própria Wikipedia refere ter sido encontrado, depois da morte de Poussin, em Rennes-le-Château. Tudo questões que só o Pintor poderia esclarecer. Mas não o fez. Deve ter querido deixar alguns mistérios por resolver, para quem viesse a ver o quadro, no futuro.