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sábado, 20 de setembro de 2014

Carpeaux


Dentro de 8 dias, encerrará ao público, no Museu d'Orsay, uma grande exposição sobre a obra do escultor francês Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875). Numa sequência genética curiosa (o pai era pedreiro) a evolução familiar transformou em arte o que, anteriormente, tinha sido ofício...
A sua obra mais conhecida, "La Danse", provocou intensa polémica na sociedade francesa do tempo de Napoleão III. Tinha sido uma encomenda para adornar a nova Ópera de Paris, projectada por Charles Garnier, mas as reacções foram tão negativas, que a escultura acabou por ser retirada da fachada do edifício. Hoje, esta censura pública parece-nos um absurdo.
Desse acto e sobre a peça escultórica, Zola escreveu na altura: "O grupo do sr. Carpeaux é o império: é a sátira violenta da dança contemporânea dos milhões, de mulheres à venda e dos homens que já todos se venderam. Na estúpida e pretensiosa fachada da nova Ópera, no meio desta híbrida, vergonhosamente vulgar arquitectura no estilo de Napoleão III, explode um verdadeiro símbolo do império... O sr. Carpeaux, ingenuamente pensando que estava a esculpir um grupo completamente inocente, gravou uma hostil alegoria que a posteridade não terá dúvidas em intitular: os prazeres do Segundo Império".

domingo, 6 de abril de 2014

Fotógrafo e testemunha acidental


Só os grandes cataclismos da Natureza, como o terramoto de 1755, em Lisboa, obrigam a mudanças radicais e necessárias na fisionomia e paisagem das cidades. De outro modo, a evolução e modernização de arruamentos e casario é lentíssima e gradual, mal se notando para os que vão acompanhando as transformações urbanísticas.
Pelo contrário, se essa modificação for pensada e decidida pelo Poder, e administrativamente, terá grandes custos, sobretudo humanos, como aconteceu com a Alta coimbrã, para construir a Cidade Universitária, ou, em Guimarães, com o derribar de vários arruamentos pobres e modestos, para o desestrangulamento viário e abertura da Alameda D. Afonso Henriques, nos anos 60 do século passado.
A nomeação, em 1853, de Georges-Eugène Haussmann, por parte de Napoleão III, foi o primeiro passo oficial para a modernização de Paris. De 1852 a 1870, cerca de 350.000 pessoas (à volta de 20% da população parisiense) mudaram de lugar e casa, para que as suas habitações e ruas fossem demolidas, e para que fossem construídos novos e amplos arruamentos.
Muita gente conhecida (Victor Hugo, Baudelaire, os irmãos Goncourt...) protestou, mas sem resultados. O Poder achou, por bem, no entanto e para memória futura, mandar registar, em testemunho visual, esse Paris antigo que ia desaparecer. Para isso, escolheu um modesto e quase desconhecido ilustrador, Charles Marville, pseudónimo de Charles François Bossu (1813-1879), que, incansavelmente, fotografou esse Paris insalubre e sinuoso. Esse testemunho fotográfico é, hoje, de valor histórico incalculável.
Por isso, uma exposição itinerante, com fotografias feitas por Marville, encontra-se em exposição no Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque) e seguirá depois para Otava, onde decorrerá igual mostra, de 13 de Junho a 14 de Setembro, na National Gallery of Canada.