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domingo, 25 de outubro de 2020

Citações CDXLVII



Sem ironia, o mundo seria como uma floresta sem pássaros.


Anatole France (1844-1924), in La Vie Littéraire

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Instinto, razão e obscuridade


Eu lamento aqueles poetas que se guiam apenas pelo instinto; parecem-me incompletos. Na vida espiritual dos primeiros deve vir a acontecer uma crise quando eles pensarem a sua arte e descobrirem as leis obscuras em consequência das quais eles criaram e produziram, arrastados por uma série de preceitos cujo divino objectivo é a infalibilidade da criação poética.

Charles Baudelaire (1821-1867), citado por W. H. Auden, in The Dyer's Hand (pg. 42).

sábado, 14 de março de 2015

Pena de Morte


Talvez nem todos saibam que Portugal foi o segundo país do mundo a abolir a pena capital, em 1867, depois do Ducado da Toscânia (1786). A iniciativa partiu do deputado liberal António Aires de Gouveia, mais tarde, bispo de Betsaida, e teve legislação a consagrá-la com a assinatura do Ministro da Justiça, Manuel Baptista. A França foi o último país da, então, U. E. a abolir a pena de morte, já só em 1981, durante o consulado de François Miterrand.
Mas durante todo o século XIX e parte do XX, houve várias personalidades, em França, que defenderam essa medida, embora sem resultados. Uma das primeiras figuras a fazer campanha pela abolição, foi o escritor Victor Hugo (1802-1885). Era conhecida a sua posição, pelo mundo fora. Daí que, logo que a legislação foi aprovada, em Portugal, o jornalista Eduardo Coelho, director do Diário de Notícias, por carta, tenha dado a conhecer a Victor Hugo a feliz notícia.
O grande escritor francês, apressou-se a responder, assim:
"Sr. Eduardo Coelho: - Está, pois, a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. Penhora-me a recordação da honra que me cabe nessa vitória. Humilde operário do progresso, cada novo passo que ele avança me faz pulsar o coração. Este é sublime. Abolir a morte legal deixando à morte divina todo o seu mistério, é um progresso augusto de entre todos. Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos! Felicito a vossa nação. A Europa imitará Portugal.
Morte à morte! Guerra à guerra! Vida à vida! A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos cidadãos.
Aperto-vos a mão como ao meu compatriota na humanidade. - Vítor Hugo."

Nota: a tradução, da carta de V. Hugo, pertence a João de Araújo Correia (1899-1985), e encontra-se no seu livro Passos Perdidos (Portugália, 1967) - aqui referido recentemente - nas páginas 161/2.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A musa de Baudelaire, em duas perspectivas


Jeanne Duval (1820-1862), nascida provavelmente no Haiti, foi a inspiradora e companheira mais constante de Baudelaire (1821-1867). Dividem-se as opiniões sobre a influência benéfica ou maléfica que ela terá exercido sobre o Poeta francês, mas a relação entre ambos foi bastante turbulenta. Baudelaire chamava-lhe "Vénus Negra".
Em imagem, ainda nova, num retrato de Nadar, que com ela viveu, também. E uma tela de Manet (alguns duvidam que Jeanne Duval tenha sido a modelo), que a representa, pouco antes de falecer.

domingo, 8 de setembro de 2013

Pinacoteca Pessoal 58 : Courbet


Autodidata e manifestamente realista, pela sua obra, Gustave Courbet (1819-1877) era muito apreciado pelos impressionistas. Este quadro "La Vague", que pertence ao Museu de Orsay, integra uma série de marinhas que pintou, no ano de 1869, em Étretat. Não são frequentes, que eu saiba, obras deste tema realizadas com cenários obscurecidos ou de lusco-fusco. Essa originalidade de Courbet foi ainda mais longe quando pintou "A Origem do Mundo" (1866), que integra também o Museu de Orsay, e que causou escândalo, na época, pelo seu realismo extremo.
Exilado, por motivos políticos decorrentes da Comuna de Paris, Gustave Courbet morreu na Suiça, a 31 de Dezembro de 1877.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Uma fotografia, de vez em quando (4)


Caricaturista inspirado, jornalista, amante de viagens de balão, Nadar (pseudónimo de Gaspar-Félix Tournachon) nasceu, em Paris, a 6 de Abril de 1820. É considerado um dos grandes fotógrafos de todos os tempos, sobretudo, na temática do retrato. Faleceu em 1910.
Em imagens, de cima para baixo, um auto-retrato e fotos de Franz Liszt e Sarah Bernhardt.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Balzac


Saíu recentemente, na Pléiade, o segundo dos três volumes da correspondência de Balzac (1799-1850). Graham Robb (1958), que recenseou o livro, no TLS (16/3/2012), achou-o pouco interessante. Justifica-o pelo facto de ser composto por cartas de uma época de febril actividade do escritor francês, que vivia da pena, e que por essa razão o que sobrou, para a correspondência, são quase só banalidades que nada acrescentam, em qualidade literária, ao legado de Balzac.
Mas Graham Robb faz um apanhado (interessante) daquilo que, através da correspondência, é possivel perceber das necessidades mínimas de que o escritor precisava, e do ambiente que desejava, para poder produzir os seus romances. Passamos a citar, traduzindo: "Um lugar tranquilo para escrever; uma casa cheia de belos e caros objectos para «criar um sentido de felicidade e de liberdade intelectual»; café suficientemente forte para manter o fluxo de inspiração durante dois meses; um contrato com cláusulas draconianas que penalizasse duramente os atrasos de pagamentos dos editores; vários lugares e esconderijos onde o escritor se pudesse abrigar dos credores; e um estado de constante excitação romântica, sem excessivos gastos de tempo, ou exigências, por parte desse amor."
Convenhamos que não era pouco...