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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Apontamento 99: Trocadilhos de ignorância


A propósito de uma alteração da Lei da Nacionalidade, surgiu hoje, numa estação da televisão uma velha questão, cheia de ignorância.

Ao que parece, nem toda a “gente”, e falo de jornalistas de estações públicas, já se apercebeu da diferença entre uma nacionalização – certamente dos Bancos, etc. – e uma NATURALIZAÇÃO, tal como diz a Senhora Ministra, e bem, relativa à intenção de alguém para adquirir a nacionalidade de um determinado país.

Não cabe neste espaço, e porque já falta a paciência para reproduzir tanto desvario burocrático, a “narrativa” do calvário, ou trabalho de Sísifo, a percorrer para levar a bom termo todo um processo de naturalização.

Foram meses de aventuras, despesas acumuladas, e episódios memoráveis. Só conto um por desfastio. Tal como se voltou a falar hoje, a lei prevê uma prova de “domínio da língua portuguesa” que, numa determinada altura, o pretenso candidato teria de prestar num serviço da Câmara Municipal da sua residência.

Perante o solícito funcionário camarário, destinado a passar o atestado do domínio da língua para poder aceder ao estatuto de cidadão nacional – para todos os efeitos legais, excepto o exercício do cargo de Presidente da República Portuguesa – respondi à pergunta inicial, dizendo, em vernáculo, que era eu a pessoa a ser examinada.

Passada a primeira reacção, algo estranha do funcionário perante o estabelecimento, normal, da conversa em Português, surgiu a pergunta sacramental: “ A senhora quer “nacionalizar-se”? Ao funcionário municipal respondi, na altura, que houve muita “coisa” nacionalizada, mas que eu não me candidatava a um processo de NACIONALIZAÇÃO.

Constata-se, portanto que, passadas décadas, continua a mesma confusão, ou ignorância, que leva um reputado jornalista a não distinguir entre NACIONALIZAÇÃO E NATURALIZAÇÃO.

Ao que parece, a Senhora Ministra, sabe bem do que fala quando refere a complexidade de todo um processo de NATURALIZAÇÃO. A quem o dizem !


«Francisca Van Dunem admitiu que as questões de nacionalidade "são muito complexas" e suscetíveis de gerarem "um ambiente de alguma dificuldade e compreensão" não só no público em geral como também nos próprios serviços que tratam destas matérias.» Expresso, 20.4.2017

Post de HMJ