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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Afinidades


Estas fotografias da norueguesa Hebe Robinson (1970) pertencem a um ciclo sobre Lofoten (Echoes of Lofoten), pequena área isolada da Noruega. A artista sobrepôs, sobre paisagens desertas e naturais da região, pequenas fotos de personagens humanas de há mais de 60 anos. Gostei muito do resultado obtido. 
Mas uma destas fotografias (a primeira) tem, por trás, uma explicação, de como eu cheguei até ela.
A única maneira de aderirmos por inteiro a uma ideia é concebermo-la nós próprios. O mesmo poderá acontecer com um cozinhado, a que demos um pequeno toque pessoal de gosto: nas omoletas, costumo ripar em tiras duas ou três folhas de hortelã, por exemplo...
Quem quiser, também, um blogue a seu modo, tem de o fazer. Não quero dizer com isto que eu não tenha afinidades com os blogues que acompanho. Mas nem sempre estou com eles, de alma e coração, inteiramente. Com alguns, estou mesmo muito próximo. Mas são poucos. Razões de sentido crítico, tom, enquadramento da estética iconográfica, temas tratados, excesso de imagens em prejuízo de texto num neo-riquismo visual desabusado, às vezes, me separam.
Ora, de há uns dias a esta parte, o Arpose tem recebido um(a) visitante que lhe chega por via de um outro blogue que segue o nosso. Por curiosidade, fui lá, a esse blogue, e as afinidades eram muitas e próximas, excepto  talvez nas escolhas musicais - questões geracionais, provavelmente... Mas em quase tudo o resto, havia sintonia: em poesia (António Reis, por exemplo), em prosa (citações do Desgraça, de Coetzee), a leitura referenciada do TLS, o sentido crítico da ficção escrita do(a) autor(a), o bom gosto estético geral desse blogue que, infelizmente, foi de curta duração, mas de grande qualidade e coerência. Não lhe vou referir o nome por discrição. Mas reproduzo essa tal fotografia de Hebe Robinson, que lá descobri, ao cimo deste poste.
Acrescentando uma segunda foto que, essa sim, fui eu a escolher. 
In memoriam de um(a) Blogger anónimo(a) e desconhecido(a).


terça-feira, 30 de maio de 2017

Edvard Grieg (1843-1907)

A propósito de Edvard Munch


Curador de uma recente exposição (Mot Skogen = Em direcção à Floresta) da obra de Edvard Munch (1863-1944) - no seu Museu de Oslo -, do escritor norueguês Karl Ove Knausgaard (1968), especializado em História de Arte, apraz-me citar algumas palavras suas, muito perspicazes, e que talvez mereçam uma reflexão:

"Todos temos, mais ou menos, uma vida interior caótica, todos temos pensamentos que nunca expressamos, sentimentos que não gostamos de ter, sonhos proibidos e desejos sem esperança, e estamos cheios de memórias, que existem sob várias formas e feitios, do vago e selvaticamente impressivo, até ao nitidamente lembrado. Todos temos mentiras que se foram transformando em verdades, e estamos repletos de equívocos, confusões, banalidades e defeitos... Mas raramente assumimos uma forma de os comunicar, como Munch fez. Porque os reservamos para nós mesmos."

terça-feira, 26 de abril de 2016

Pinacoteca Pessoal 111


Eu não saberia nada sobre o pintor norueguês Nikolai Astrup (1880-1928), não fora uma exposição na Dulwich Picture Gallery (Londres), de que o TLS dá notícia. Homem com grande atenção à Natureza e de saúde débil desde criança, faleceu com 47 anos de pneumonia, numa quinta (em Jolsten) que habitava com a mulher e numerosos filhos. Era filho de um Pastor protestante que ambicionava que Nikolai lhe seguisse as pisadas, mas o Pintor tinha outros sonhos, mais artísticos. Na França, onde também estudou, ficou entusiasmado com a obra de Douanier Rousseau.
Sendo considerado, na Noruega, como um dos grandes pintores nacionais, nos restantes países da Europa é pouco conhecido. É classificado, habitualmente, como neo-romântico, mas é também muito persistente, na sua obra, uma certa ideia de humanização da Natureza, de que a tela, representando uma árvore (imagem abaixo), é um significativo exemplo. O quadro pertence ao acervo da casa real norueguesa. O seu retrato, que encima este poste, foi executado em 1900, pelo pintor Henrik Lund (1875-1935).

domingo, 5 de abril de 2015

Jan Erik Vold (Oslo, 1939)


hokusai, o velho mestre, que pintou uma onda como ninguém tinha pintado uma onda antes dele

Hokusai
chegou
quase aos 90 anos. Quando tinha 75
anos, disse
dos seus quadros: Comecei a desenhar
coisas quando tinha
6 anos. Tudo aquilo que consegui fazer
antes dos 50, não vale
nada. Quando cheguei aos 70
ainda não tinha feito
nada
de bom. Aos 73 anos
comecei a compreender
as formas básicas
dos animais
e das plantas.
Quando chegar aos 80, terei
compreendido mais, e quando atingir os 90
conhecerei
os mistérios da arte
até ao fundo
- assim, se chegar aos 100,
produzirei
coisas dignas de elogio. Para não falar
dos anos
seguintes.
Por agora, o essencial
é seguir em frente.



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Filatelia LXXXIII : Noruega - selos clássicos


O primeiro selo de correio da Noruega (1ª linha da imagem, em baixo), com o brasão do país, foi emitido em Janeiro de 1855, embora confeccionado na Suécia. Teve uma tiragem de 2.018.000 exemplares, era de cor azul, com o valor de 4 sk. e não denteado. E, portanto, cerca de 1 ano e meio depois do primeiro selo português, de D. Maria II (taxas de 5 e 25 réis). A segunda emissão norueguesa é de 1856-57, composta por 4 selos (podem ver-se três deles, na imagem), com a efígie do rei Óscar II, que era também soberano da Suécia. Só em 1905, a Noruega se tornou independente da Suécia.
Como curiosidade, e ainda na segunda fila da imagem, o selo da esquerda ostenta, batido, o carimbo "Christiania" (21/10/1859), nome por que era conhecida, na altura, a capital - hoje, Oslo. Finalmente, na terceira linha, da imagem de baixo, pode ver-se um exemplar das reimpressões que foram feitas em 1914.


domingo, 18 de agosto de 2013

Férias 5: Conhecer a Escandinávia via "InterRail"




Embora não sendo adepta de “ajuntamentos forçados”, sempre considerei que as Pousadas de Juventude permitiam, na altura e sem a recente profusão de “Hostels”, um conhecimento do país de origem, e até do estrangeiro, numa fase em que a autonomia financeira era ainda inexistente ou muito reduzida.
Quando surgiu, pois, o programa “InterRail”, possibilitando a compra e um “bilhete único” de comboio para percorrer a Europa, considero que se juntou o útil ao agradável. Com efeito, e segundo uma receita anterior, escolhi para férias a Escandinávia, aproveitando os relatos e as “dicas” de amigos que a tinham visitado no ano anterior. Como sempre gostei de mapas – até para fazer viagens imaginárias – tracei o meu plano em função da rede ferroviária da Escandinávia, das Pousadas de Juventude disponíveis e o orçamento previsto.
Parti, sozinha, de Colónia com uma primeira paragem em Copenhaga, de que não ficou grande memória, para além da ambiência - pós-68 ou alternativa – que já conhecia de uma visita a Amesterdão. A diferença de “tomo” deu-se com a passagem de barco para a Noruega. Gostei de Oslo e ficou-me para sempre o espaço e o museu dedicado à obra de Edvard Munch.


Do comboio, que seguia em direcção a Narvik, passando o círculo polar, saí várias vezes em diversas localidades. Como o “cartão InterRail” permitia saídas e entradas ao nosso gosto, desde que fosse numa continuação do trajecto, estabeleci ca. de 4-5 horas de comboio para me apear, conhecer terras novas e localizar o “poiso nocturno”. Ao partir de Oslo, no Verão, achei estranho que a locomotiva levasse um dispositivo para afastar a neve, mas, ainda antes de chegar ao círculo polar, tive umas curtas férias na neve, se não me engano perto de Mosjøen. No entanto, o mais insólito, sobretudo para os que passeiam sem o conhecimento da História, esperava-me em Narvik. O chamado “pai” da Pousada, assim que viu o meu passaporte germânico, calou-se sem mais palavras, lembrando-se, certamente, das batalhas do exército alemão durante a 2ª Guerra Mundial. Para além deste episódio, tirei uma foto com as distâncias geográficas, semelhante à imagem seguinte.



Saí de Narvik, passando para a Suécia via Kiruna, entrei na Lapónia e parei em Luleå. A Pousada de Juventude eram umas casinhas de madeira, no meio da floresta, como demonstra a imagem seguinte. Apercebi-me, depois, que devia ser a única hóspede, já que não me cruzei com mais nenhum ocupante.


Aliás, desde a entrada na Noruega, tinha-me habituado a falar muito pouco, porque os habitantes do Norte são mais discretos na conversa, habituados como estão à solidão em espaços pouco habitados. Assim, no dia de partida da Lapónia, dei com um espectáculo memorável. Uma família italiana, pai, mãe e duas criaturas, estavam no cais a tentar entrar no comboio, com a habitual algazarra do Sul. A tarefa de entrar estava bastante dificultada, porque, atado à mochila, tinha o pai umas hastes de uma Rena.  Bela recordação ! O senhor nem entrava de frente, nem de lado, apesar dos empurrões e gritos da mulher e perante o ar calmo e silencioso do revisor. Da Lapónia ficou-me, portanto, esta lição das diferenças entre os povos do Norte e do Sul.

Parei, ainda, na cidade universitária de Uppsala antes de chegar a Estocolmo. Como o dinheiro já era pouco, porque a Suécia era, e é como julgo, um país caríssimo, não aproveitei, na altura, para ir de barco até à Finlândia. Ainda hoje tenho pena, porque completava um círculo que, assim, ficou incompleto. Apanhei o barco, no regresso, em Malmö, onde tive oportunidade para conviver com uma família sueca.

Convém, no entanto, sublinhar que a convivência com os povos nórdicos se reduz ao essencial da palavra. Foram, portanto, umas férias para apreciar a natureza, a estética das cidades, pouco palavrosas e numa aprendizagem imensa do supremo bem da solidão.

Post de HMJ

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Filatelia LVII : Catálogos estrangeiros


Os catálogos de selos, na imagem, não são recentes. O mais moderno tem já 7 anos e abarca, resumidamente, os selos de Inglaterra, emitidos entre 1840 e 2005: é uma publicação da Stanley Gibbons, a mais importante casa filatélica do mundo. O mais antigo dos catálogos (Norges Frimerker), de 1955, referente a selos da Noruega, veio-me parar às mãos por herança improvável, no início do séc. XXI. Finalmente, os dois catálogos chineses que se ocupam das emissões filatélicas de Macau, antes da entrega à China: o de 1997 é uma edição da Son Kei P. Company, provavelmente com o patrocínio dos CTT macaenses; o de 1998-99 foi editado, em Hong-Kong, pela Yang's Stamp & Coin Co., e os valores são em moeda chinesa.

Com lembranças amigas a JAD.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma questão delicada


Prolongamento serôdio da silly season, a polémica Rui Ramos versus Manuel Loff, ameaça eternizar-se em minudências e actores menores em busca de protagonismo. O primeiro historiador tem mais adeptos, o segundo, menos defensores. E o jornal Público vai dando cobertura da Cruzada, ou dos folhetins desenxabidos da telenovela.
Em França, a polémica do momento é mais séria. A editora Pierre-Guillaume de Roux aceitou publicar, de Richard Millet (1953), editor da Gallimard, o livro "Langue Fantôme suivi d'Éloge littéraire d' Anders Breivik", onde se faz , de algum modo, o branqueamento e justificação do ogre de Oslo e seu massacre de jovens, referindo: "Breivik est ce que méritait la Norvége." Para além disso, a obra é xenófoba, e o autor, controverso, até pelo seu passado.
As posições gaulesas, intelectualmente, dividem-se, mas a grande maioria condena a decisão da Editora, por aceitar publicar o livro. E Céline vem à colação, bem como outros autores malditos. Censura ou liberdade plena de expressão? Predomínio da Ética ou amoralismo permissivo? É realmente uma questão maior e delicada, que se põe, em Democracia.
 No último Le Nouvel Observateur, o Nobel e escritor J. M. Le Clézio (1940) toma posição contra a publicação do livro, e escreve: "Au nom de quelle liberté d'expression, à quelles fins ou en vue de quel profit un esprit en pleine possession de ses moyens (du moins on le suppose) peut-il choisir d'écrire un texte aussi répugnant?".
Eis a questão - no fundo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Iconografia moderna e laica (12) : antes da A. S. A. E.


Para lá de, ao olhar para esta magnífica fotografia antropológica de Paula Oudman, pensar com grande bonomia na intemerata cruzada dos cavaleiros da A. S. A. E. ( por falar nisso, que será feito daquele Rei Artur de bigodes que fumava cigarrilhas no Casino do Estoril? Morreu, estará doente?), não posso deixar de pensar, também, na diferença de preços do nosso fiel amigo - o bacalhau. O que o Euro nos fez! Nunca mais foi o bacalhau a pataco... E, agora, até vem nórdico e loiro, da Noruega: lavadinho e asséptico. Há que temperá-lo com muito alho...
Com fraternos agradecimentos ao António.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sob a poeira do tempo : Sonja Henie


Sonja Henie, nascida na Noruega, em 1912, faleceu a bordo do avião que a levava, de Paris, para Oslo, a 12 de Outubro de 1969. Foi patinadora artística e campeã olímpica em 1928, 1932 e 1936, conhecida actriz de Hollywood, e das mais bem pagas, na sua época. Teve uma vida amorosa turbulenta, onde se incluem 3 casamentos e diversos relacionamentos, nomeadamente, com Tyrone Power e Van Johnson. Foi também acusada de alguma cumplicidade para com o nazismo.
É, hoje, creio, uma figura quase esquecida.
Não me lembraria dela, não fosse fazer parte do meu primeiro "álbum" rudimentar e artesanal (feito por amigas minhas mais velhas) de artistas de cinema. Creio que foi a minha primeira colecção de cromos. Viriam depois os jogadores de futebol, etc.. As imagens, que se reproduzem, são dessa caderneta primitiva que data dos anos quarenta do séc. XX. Onde aparecem também Hedy Lamarr, Ginger Rogers, Tyrone Power, Marlene Dietrich e a citada Sonja Henie, além de outros e outras artistas de cinema.
Sic transit gloria mundi...