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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ante-manhã


Para chegar de novo até aqui, tenho que recuar quase cinquenta anos, até uma praia do Norte, batida pelo vento, porque o vermelho ardia e parecia contagiar o azul intensíssimo, por cima. O areal quase deserto, ainda não iluminado pelo Sol. E, pouco depois, chegaram os pescadores de sargaço, uma horda gritante, com as suas jangadas de cortiça, correndo para o mar, coberto que ele estava por um tapete de algas, imenso.
Mas não havia pássaros, na altura. Hoje, três corvos, também de intensa negrura acrescentaram essa memória longínqua. Crocitaram, pesados e grandes, sobre o largo outrabandista ainda vazio de pessoas, marcando o espaço. Depois ficaram, vigilantes, dominando, no alto de dois pinheiros altos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Andarei por aqui...

...por isso, a actividade do Blogue será bissexta. Quanto à produtividade, e atendendo à crise, logo se verá, nos próximos dias...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Em passeio


No Porto? Seguramente, em finais dos anos 30, e decerto no Inverno. Descendo, três amigos ou conhecidos, conversam cordialmente. Os dois mais velhos, precavidos, e talvez mais friorentos, trazem sobretudos e guarda-chuvas; o mais novo vem mais desabrigado e com gabardine.
Não havendo testemunho presencial do momento, as legendas, para serem rigorosas, têm de se cingir aos aspectos factuais, mínimos. Mas a foto, como qualquer imagem, permite sempre à imaginação mais algumas especulações que, no caso, me abstenho de fazer.
Ainda um pormenor objectivo, a fotografia tem, no verso, escrito a lápis: Pensão do Norte. E é tudo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 3


Mais 3 quadras populares retiradas da Monografia de que se mostra, em imagem, a capa do volume I.

A silva nasceu-me em casa,
Deu volta pela cantareira:
Arranje Pai quem o sirva
Qu'eu já tenho quem me queira.

Vem cantar uma cantiga,
Que eu bem sei como se canta,
Dá-se um jeitinho à boca,
Revoltea-se a garganta.

Julgavas qu'eu te queria,
Já te andavas a gabar;
Vai à mãe que te dê mama,
Que te acabe de criar.

sábado, 28 de maio de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 2


Retiradas da Monografia (4 volumes), na imagem, aqui vão mais umas quadras populares, frescas e singelas, desta vez provenientes da freguesia de Bico (S. Vicente), do concelho de Amares, cujo mapa reproduzi no poste 1, sobre este mesmo tema. Seguem: 

Não te encostes à parede
É de barro, larga pó:
Encosta-te ao meu peito,
Sou solteira, durmo só.

Moro à beira do rio,
Meus vizinhos são penedos:
Da janela do meu quarto
Ouço cantar os morcegos.

O loureiro bate à porta,
- Ó salsa vai ver quem é:
São os ladrões dos teus olhos
Que roubam à falsa fé. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 1



Muitas das desgarradas, no Norte, quadras e cantigas populares têm uma singeleza rústica que merece ser lembrada e, os romanceiros tradicionais, uma frescura natural que, muitas vezes, nos prende e encanta. São ritmos que vêm de longe, de um veio lírico profundo, outras vezes, de uma brejeirice marota ou com segundos sentidos. Até Fernando Pessoa, todo ele citadino e mental, não resistiu a "praticar" a quadra (de gosto) popular. Há dias, reencontrei na zona de Monografias da minha biblioteca uns volumes, publicados, em Braga, entre 1958 e 1981, intitulados: "Entre Homem e Cávado", de Domingos Maria da Silva. O IV volume é inteiramente preenchido por "Cantigas" desta zona territorial de entre-os-rios minhotos. Das suas quadras, irei dando conta (2 a 2), por aqui, escolhendo as que mais me satisfizerem o gosto. Aí vão as primeiras:

Minha mãe mandou-me à fonte
Pela hora do calor;
Eu quebrei a cantarinha
A dar água ao meu amor.

Não tenho mais que te dar
Nem tu mais que me pedir:
Um cravo meio aberto
Um suspiro por abrir.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Provérbios que o não foram



1. Os países pequenos limitam os horizontes das suas criaturas.
2. O Norte sonha com o deserto, o Sul com a neve.