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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Citações DI



O dia é preguiçoso, mas a noite é activa.

Paul Éluard (1895-1952), in Le Dur Désir de durer.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Foi assim ...

 


... ao começo da noite lisboeta.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Noites passadas


Numa das últimas vezes que passei pela Praça da Alegria vi, com desconsolo, que o velho Fontória tinha cedido o lugar a um qualquer boteco, desses descaracterizados que pululam por Lisboa, a modernista metrópole que se foi vergando, com a ajuda do seu mayor-minor, às exigências do mercantil turismo low cost, de sandálias plásticas e de trotinetes abandonadas por aí.
É certo que já o tinha conhecido ( ao Fontória) bastante decadente, por dentro, com balzaquianas espanholas que, convidadas para as mesas, se encarregavam, ciclicamente fingindo descuido, de verter e deixar cair para o chão copos e garrafas de whisky, para um maior consumo... No início desses anos 70, a boate, conservava a pátina dos anos 40/50. E era castiça pela singularidade. Nova, relativamente, mas com refegos, era uma stripper de Oeiras, que lá fazia o seu trabalho dançante todas as noites, acompanhada por uma vetusta orquestra pródiga em paso-dobles sul-americanos. Revivia-se um passado, por lá, imaginando.


No lado esquerdo, (para quem descia), da Avenida da Liberdade, havia concorrência mais fina. A Cova da Onça e O Hipopótamo, no final da A. A. de Aguiar, ombreavam e pareciam ainda recentes, tinham mais raça e distinção. Não havia porém variedades, mas apenas música ambiente para dançar e umas vistosas vitrines iluminadas, com peluches e bijuteria barata para oferecer às meninas em transumância que por lá passavam. Como quase tudo, o interior humano era nómada e estacionava apenas um pouco nesses apeadeiros de diversão soft.
O último já fechou, há anos, mas a Cova da Onça creio que continua a funcionar na Avenida da Liberdade, apropriadamente...


Ainda me lembro de O Caco, já desaparecido também, creio que na Barata Salgueiro, mais pequeno, modesto, cosy, onde o whisky era mais barato e serviam graciosamente, aos clientes fidelizados e com garrafa assinalada, uns salgados miniatura, ainda mornos e bons, pouco depois da meia-noite. Recinto em que a Cubana, de formas opulentas, reinava e fazia jus em mostrar aos incréus o seu passaporte de nacionalidade revolucionária.
Depois, havia ainda o Nina, ao Chiado, que era mais fino e só lá entrei uma vez. Hoje, é restaurante...
Outros tempos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Da repartição dos dias


À manhã convêm as coisas simples, mais lineares. A menos que os sonhos se prolonguem e impregnem as primeiras horas de imagens, teias e interrogações que não saberemos, de todo, deslindar.
Guardemos as acções para as tardes, o frenesi se o houver, a entrada pelos diversos mundos dos outros, donde nem sempre saímos lavados ou esclarecidos de realidade. É o recolher da vida.
Para a noite, a pousada tranquilidade se recomenda. O voltar a nós, classificando as experiências, deitando fora o lixo. Rearrumando bem as gavetas da memória. A música também pode ajudar.
Infância, maturidade, velhice, em suma.

domingo, 2 de junho de 2013

O cair da noite


Já há toalhas de praia a secar nos estendais e as andorinhas sobem, mais altas, no ar. A morna lassidão que se respira reforça, em sinestesia e por contraste, um azul superior, mais firme. As cravinas exalam, generosas, o seu perfume pela varanda e lembram-me julhos antigos e nortenhos. E o vento tornou-se mais gentil - acaricia brandamente as folhas das árvores em redor.
Até a luz, em vez de enegrecer subitamente, vai amarelecendo, a pouco e pouco.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um gato à noite


Há já vários dias que um gato nos visita, de longe, e inferniza as noites, com o seu miar lamentoso e agudo, que mais parece um "choro" humano, desconsolado e pungente. Estará com cio, provavelmente, e nós temos que o ouvir durante algumas horas, estilhaçando o silêncio nocturno.
(Reparo na dificuldade que tive  para tentar "traduzir" ou dar a perceber, por palavras, o miar desagradável do bichano cioso. Até porque para a "voz" do gato temos apenas um verbo: miar - que me lembre. Enquanto para o cão temos, no mínimo, 4 alternativas: ladrar, ganir, uivar e latir. Provavelmente, sempre prestamos mais atenção aos cães do que aos gatos...)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Noite


A serena luz da noite, por momentos, é uma dúvida, porque tenho os olhos desfocados, as imagens pouco nítidas e os cães ladram ao longe, num coral arrítmico de fundo, agreste, numa soada selvagem muito pouco agradável. Mas pus em dia todas as palavras, com quem amo. Arrumo os parcos objectos na varanda e olho as luzes pálidas, distantes. Poemas há, que lembro, mas não bastam. Será, talvez, uma redundância menor, mas "o resto é silêncio". Firmo as mãos nos braços da cadeira e levanto-me: vou ter saudades  deste ar fresco da noite de Junho, deste quase silêncio ameno, desta luz escassa no horizonte, e tão discreta. Desta paz, comigo.