Não sendo eu grande apreciador de arte sacra ou pintura com motivos religiosos e hagiográficos, abro, no entanto, algumas excepções. E não sou entusiasta destas temáticas, pela pouco originalidade que encerram e pelas encomendas pouco inspiradas de que foram objecto. Tal como aqueles versinhos provincianos comemorativos que se fazem e fizeram muito, sobretudo nos séculos XVII e XVIII. Ora, dessas pinturas de motivos religiosos, normalmente medíocres, estão as nossas igrejas cheias. Para isso, prefiro os ex-votos que, na sua rudeza ingénua, têm, pelo menos, uma bruta autencidade original.
Não é o caso desta Nossa Senhora da Madressilva, que se guarda no Museu de Aveiro. Que me fascinou, nesse meio caminho entre o gótico e a Renascença, vinda de Itália (Oficina de Siena) e pintada que foi, a tábua, por volta de 1500. Terá sido comprada e trazida por D. Catarina da Silva (daí a invocação: Madressilva), quando por lá andou a acompanhar a futura imperatriz D. Leonor para casar com Frederico III. Mais tarde, D. Catarina veio a professar no Convento de Jesus, e a belíssima pintura veio com o dote da fidalga. Das obras que enriquecem o Museu de Sta. Joana, é uma das que eu não podia esquecer. Pela sua quase perfeição.
Aqui fica, em preito de homenagem e admiração estética.