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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Reacções


Têm sido muito diversas as reacções dos meus próximos ao estado de sítio destes tempos mais recentes, desde a resignação ponderada à impaciência frenética, da acédia à quase depressão, do realismo positivo ao pessimismo doentio, quando não, tolo. Depois, há também umas damas piedosas que se apegam com santas e santos de sua estimação. Uma coisa é comum a muita gente: o rearrumar da casa, onde os livros se incluem. Premonitoriamente, parece, eu comecei a fazê-lo ainda em Janeiro, no dealbar do presente ano.
Ontem, dizia-me um bom amigo, que já me vem da infância, que vai estando um pouco farto até porque lhe falta a adrelina, mas também nos rimos, ao telefone, de algumas situações caricatas acontecidas por aí. E, hoje, de um vídeo que me mandaram, Ana Vasconcelos, curadora da Gulbenkian, cita o pintor David Hockney (1937) que, da Normandia onde reside, de momento, teria dito: Temos que continuar a trabalhar porque, lembrem-se, não se pode cancelar a Primavera.
Ora, este parece-me ser um bom lema adequado ao tempo, em vez de perdermos as estribeiras...

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Divagações 116


É o anoitecer que colhe, o mais das vezes, a preferência do viandante. Seja sobre o Adriático ou sobre o Tejo, essa nostálgica despedida do olhar, que a memória quer trazer por sobre as águas.
Depois, o enquadramento dará algumas pistas sobre quem esteve por trás: o movimento fixado, as coisas, a ordem ou a desarrumação, a quietude que se pretendia para a noite a começar.
Ao amanhecer, não se peça uma opção definida e clara. Em todo o caso, podemos sempre convocar Turner...

domingo, 9 de março de 2014

Interlúdio 45

Com os melhores agradecimentos a N. C. .

sábado, 27 de abril de 2013

Todos os anos, pela Primavera


Numa pontualidade, que parece confundir-se com o dever, todos os anos, esta planta da varanda a Leste, que me foi oferecida, há longos anos pela N. C., floresce pela Primavera. No ano passado, pelo início de Maio (Divagações 24, em 14 de maio de 2012), com 3 flores, este ano, virada aos quatro ventos, com mais uma floração que no passado, por estes finais de Abril.
Depois, há-de remeter-se ao silêncio de Inverno, numa vivência verde de algumas fortes folhas altas e discretas, e no que parece um humilde esquecimento do seu próprio esplendor e beleza que, na altura devida e própria, florirá, de novo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Divagações 24


Não sei o nome da planta, mas a N. C. ofereceu-ma há muito, e ela todos os anos floresce, pela Primavera. Por breves dias, porém, apesar da sua magnificência, num esplendor triangular que rompe das sólidas e duras folhas verdes. Das três florações deste Maio, apenas uma sobrevive, no calor que se faz sentir, na varanda a leste. Vou olhando para ela, a intervalos, por entre a leitura do "Diário Remendado, 1971-1975", de Luiz Pacheco, que já vai quase no fim. Mais dois ou três dias: para a flor e para o livro.
A planta retomará a sua hibernação de beleza e o seu silêncio, apenas verde. Para, talvez dentro de um ano, voltar a florir. Não muito a propósito repesco, não sabendo de todo porquê, o poema de Denise Levertov  (1923-1997) que li de manhã, para o traduzir:

o poeta, a sua presença
de urso afectuoso, deslocando o seu peso na cadeira demasiado pequena para ele,
tranquilo diz, timidamente: « O Poeta
                                           não deve perder nunca o desespero.»

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre este nosso tempo e o medo, por Mia Couto


com vivo agradecimento a N. C., por me ter chamado a atenção para este lúcido depoimento de Mia Couto.