Têm sido muito diversas as reacções dos meus próximos ao estado de sítio destes tempos mais recentes, desde a resignação ponderada à impaciência frenética, da acédia à quase depressão, do realismo positivo ao pessimismo doentio, quando não, tolo. Depois, há também umas damas piedosas que se apegam com santas e santos de sua estimação. Uma coisa é comum a muita gente: o rearrumar da casa, onde os livros se incluem. Premonitoriamente, parece, eu comecei a fazê-lo ainda em Janeiro, no dealbar do presente ano.
Ontem, dizia-me um bom amigo, que já me vem da infância, que vai estando um pouco farto até porque lhe falta a adrelina, mas também nos rimos, ao telefone, de algumas situações caricatas acontecidas por aí. E, hoje, de um vídeo que me mandaram, Ana Vasconcelos, curadora da Gulbenkian, cita o pintor David Hockney (1937) que, da Normandia onde reside, de momento, teria dito: Temos que continuar a trabalhar porque, lembrem-se, não se pode cancelar a Primavera.
Ora, este parece-me ser um bom lema adequado ao tempo, em vez de perdermos as estribeiras...