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segunda-feira, 3 de julho de 2023

Grandes tiradas



Eis um potencial candidato em tirocínio para meteorologista. Quem perde são os museus nacionais... Ou não?

sábado, 22 de abril de 2023

Curiosidades 98



Deparei-me, há dias, com um bilhete de entrada, do início dos anos 60, para o Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. Custou-me Esc. 2$50, não havendo ainda nessa altura desconto para estudantes. Era este de algum modo o preço da cultura. Um jornal custava Esc. 1$00 e eu conseguia beber um café por $70. Poderiam fazer-se, nesta perspectiva, algumas comparações equivalentes com os dias de hoje.
Pouco tempo depois, tive acesso a uma lista de preços de entrada para alguns dos mais importantes museus mundiais, de que dou conta, em valores crescentes:

- Museu do Prado, Madrid, 15 euros.
- Museu do Louvre, Paris, 17 euros.
- Uffizi, Florença, 19 euros.
- Rijksmuseum, Holanda, 22,50 euros.
- MOMA, Nova Iorque, 25 dólares (ca. 23 euros).

Os nossos museus nacionais têm preços comedidos: o de Soares dos Reis (Porto) leva 5 euros pela entrada e o MNAA (Lisboa): 8 euros.
Encontrei ainda, nessa lista de preços, uma singularidade aberrante no novo Museu do Cairo. Cobra pela entrada cerca de 4,50 euros aos egípcios, mas leva  aos estrangeiros 30 euros pelo acesso!
E ainda há quem fale em desigualdades e racismo ou xenofobia...

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Museus



O livrinho, cuja capa encima o poste, faz uma abordagem muito singular do tema proposto - mérito da autora e do seu método. E, por isso mesmo, embora só tratando de museus lisboetas, proporcionou que eu tecesse também algumas considerações íntimas e gerais sobre as minhas experiências museológicas mais recentes.
Cheguei assim à conclusão que, provavelmente, o museu que eu mais vezes teria visitado, na vida, fora o da Fundação Calouste Gulbenkian (C. A. M., inclusivé). Se o inventário se alargasse a todo o território de Portugal, o campeão seria, sem dúvida o vimaranense Museu Alberto Sampaio.
Aqui deixo também a indicação das minhas duas últimas e mais gratificantes visitas pelas terras portuguesas: o Museu Grão Vasco, de Viseu, já remodelado e muito bem, que foi uma agradável surpresa; e ainda o Museu de Aveiro, que eu não conhecia.
Em Lisboa, visitei finalmente as Casas-Museus Doutor Anastácio Gonçalves (Av. 5 de Outubro) e Medeiros e Almeida (Rua Rosa Araújo). Devo dizer que duas boas e tocantes experiências inesperadas.
Concluo referindo que, maiores ou menores, em Lisboa há mais de 70 museus!

terça-feira, 17 de julho de 2018

O velho do Restelo e a nova nomenclatura


As promessas dos autarcas, antes das eleições, são por vezes megalómanas, e depois é o diabo...
Agora, uma delas está a provocar, entre algumas sumidades (?), uma discussão tipo "sexo dos anjos" sobre o título que se lhe há-de dar. Todos querem pôr o nome à criancinha, mesmo antes dela ou dele nascer. Do conteúdo é que ainda não ouvi falar. Se calhar, vão buscar a nova do achamento à Torre do Tombo, para lá pôr... uns canhões à instituição militar, mais uns objectos ao Museu de Arqueologia, eu sei lá.
Talvez valesse a pena, antes de ir a jusante, reflectirmos, pragmaticamente, a montante: haverá mesmo necessidade de mais um museu, quando os que existem, às vezes, fecham secções por falta de pessoal e orçamento?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Do cemitério ao museu


O primeiro clique deu-se-me há mais de 40 anos, no Museu Britânico (Londres). Dezenas de múmias egípcias perfilavam-se ao longo de um enorme corredor, ao alto em 4 filas, protegidas apenas pelo vidro, num exibicionismo feroz. Era evidente que ninguém processaria o estado inglês por este despudor e desrespeito, desconhecidos que seriam os descendentes destes falecidos norte-africanos de outras eras.
Do repouso eterno ou campo santo, quantos anos serão precisos para os mortos ocuparem lugar em museus ou exposições necrófilas?
Cerca de 3 séculos, em Portugal - poderia eu responder. Porque segundo o jornal Público, de 1/9/2016, as ossadas de várias clarissas do séc. XVII, exumadas em 1996/7, no Convento de Santa Clara-a-Velha, foram objecto de uma exposição, em Coimbra.
Que se estudem os despojos, acho bem. Algumas conclusões importantes se poderão retirar, que serão decerto úteis para a Ciência e para a História. Mas que se exibam em exposição os restos de seres humanos, neste despudor cru e desumano, parece-me revelar uma enorme falta de respeito por aqueles que já nada podem fazer para defender a sua privacidade. Tempos de exibicionismo e espectáculo, que não olham a meios...

sábado, 5 de julho de 2014

Divagações 69


De algum modo, o museu é, à partida, um dogma. Um dogma estético, de que não contestamos as inclusões e, apenas, quando muito, os sentimentos ou emoções iniciais que presidiram às escolhas. Até porque escolher é, também, excluir. E, porventura, nesse tímido questionar já somos servidos de manifestar opinião: gostar ou não gostar. Pelo interior do dogma se insinua, de novo, a emoção e o sentimento.
A mais antiga memória que tenho de um museu, é de uma peça metálica e brilhante. Uma armadura antiga perfurada por balas: 3 ou quatro buracos que davam para o interior escuro. Foi isto na infância e terá sido em Espanha (Escorial, Museo del Ejercito?). A criança imaginou o fragor da batalha, em que o homem, dentro da sua armadura, foi ferido de morte pelas balas inimigas. A realidade era, porém, bem outra: embora antiga, a armadura, fora atingida por balas da Guerra Civil de Espanha, quando os nacionalistas atacaram os rojos que estavam acantonados no edifício. Nessa altura, não havia homem por dentro da armadura.
Um museu é um dogma.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia dos Museus, geminando...


Em boa hora, MR, no seu Prosimetron, antecipadamente lembrou o dia de hoje que é dedicado aos Museus, desafiando a que se manifestassem opções. Aqui vai, portanto, a geminação. 
Mas, antes, quero dizer que tenho um Museu perdido na memória, que nunca mais revisitei. Obstinadamente, eu colocava-o no Ehrenbreitstein, em Coblença, e lá vi um Dürer e um Rubens (não enxundioso), em 1964, muito bonitos. Porém, quando voltei à fortaleza de Coblença, em 1987, ele não estava lá. E nunca mais o encontrei, apesar de o ter procurado, incansavelmente, pelas redondezas. Mas sei que não sonhei. Existe, vi-o, mas esfumou-se-me para sempre, do local de origem, com pequenos vestígios na minha memória.
Por isso hoje, não farei uma escolha óbvia dos grandes museus de que, também, gosto: Janelas Verdes, Gulbenkian, Tate, Louvre... Prefiro chamar a atenção para um museu do centro de Portugal, maneirinho e temático, feito do gosto pessoal e ofertas de amigos, que José-Augusto França doou à sua terra natal - Tomar. Demos por ele por mero acaso, porque está instalado numa pequena vivenda, bonita e arranjada. E tem uma preciosa colecção de arte dos sécs. XIX e XX: Almada, Bernardo Marques, Dacosta, Eduardo Nery, José de Guimarães. Não é grande, vê-se bem e com gosto. E vale muito a pena conhecê-lo. Fica o convite!