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sábado, 14 de maio de 2022

Um quadro para um aniversário



Para Margarida Elias, no 14º aniversário do seu blogue Memórias e Imagens, este Columbano, do Museu do Chiado, em música de câmara, com muitos parabéns e os nossos melhores votos de longa vida!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alerta


A conhecida obra "O almoço do trolha", de Júlio Pomar, é, provavelmente, a mais icónica e expressiva da pintura neo-realista portuguesa do século XX. Executada entre 1946 e 1950, há quem nela veja uma alusão simbólica e involuntária, do Pintor, à Sagrada Família.
O quadro vai a leilão na próxima almoeda do Palácio do Correio Velho, nos próximos dias 27 e 28 de Maio de 2015.
Escusado será dizer que esta pintura poderia enriquecer, consideravelmente, o Museu do Chiado. Mas do desGoverno, que deixou perder (e facilitou a venda), para o estrangeiro de um importante Crivelli, e que se exprime, débil e titubeante, sobre a alienação de vários quadros de Miró, para fora de Portugal, não se podem esperar grandes coisas. Nem sequer a clarividência inteligente, lúcida e culturalmente patriótica, para decidir na arrematação por uma opção sensata desta obra, a favor do acervo nacional.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Uma visita fruste: o MNAC


A manhã estava fosca, embora fresca, as ruas quase vazias, e pouco passava das 10, quando entrei no Museu do Chiado - devo ter sido o primeiro visitante. Patibular a entrada, com uma amostra esquisita de pequenos quadros por uma parede alta, tão alta que os de cima mal se podiam ver e apreciar. É certo que consegui distinguir um minúsculo Souza-Cardozo, Tagarro, um Botelho lisboeta, um Eduardo Viana, nas alturas, e não mais...Alguma coisa mexia, ao fundo, na Loja do Museu, mas guardei-me para o final, e lá fui subindo as escadas. Algumas cabeças e bustos de Hein Semke, Macedo e Barata-Feyo, interessantes.
Mas foi um início decepcionante pelas salas cinzentas. Muita obra de terceira ordem (anos 50/ 2000) e de discutível qualidade artística. Até um quadro de Paula Rego, pouco significativo, um António Sena, banal. Dois ou três vídeos muito pobres, algumas fotografias corriqueiras, se excluir um Tabarra, marcante. Nikias, Pomar, Chorão, José de Guimarães, Vieira da Silva: não vi nenhum. Gostei, no entanto, de um Ângelo de Sousa, da primeira fase, a preto e branco. Nenhum Resende. Ficaram-me na memória dois auto-retratos (como sempre, tema obsessivo e megalómano) de Molder e uma instalação de Ana Pérez-Quiroga, em travessas de porcelana, com o dístico reiterado: "Odeio ser gorda".
Quando já não sabia para onde seguir, perguntei a uma Vigilante: "- Onde é que posso ver Columbano?" Respondeu-me, melancólica: "Agora, já encerrou; só fazemos exposições temporárias..." Quer dizer, eu já tinha visto tudo o que havia para ver, que era muito pouco e a roçar a indigência. O resto do acervo estava guardado. Ou fechado. Isto, no mês das festas de Lisboa e no princípio da época turística. E a Loja do Museu não tinha atendimento - estava, simplesmente, encerrada. Dirigi-me para a saída, descorçoado e pessimista.
Na porta, cruzei-me com um casal francês e apeteceu-me dizer-lhes: "- Não entrem no MNAC, vão antes ao MNAA, nas Janelas Verdes!" Mas, por vergonha patriótica, calei-me e fui tomar um café à Bénard, para desanuviar.
Será que o nosso comissário da Cultura assiste a isto, gordo e sereno? Ou não terá conhecimento, porventura, desta indigência artística a meio gás?

domingo, 8 de maio de 2011

Miguel Lupi


Só depois dos 30 anos, Miguel Ângelo Lupi, nascido a 8 de Maio de 1826, conseguiu ter oportunidade para estudar Pintura, que era a sua vocação natural. Filho de pai italiano e mãe portuguesa, foi em Itália também, através de uma Bolsa, que se pôde aperfeiçoar na sua Arte preferida. Não será muito conhecido, hoje, mas tem obra vasta, é um pintor estimável embora, predominantemente, retratista de figuras importantes do séc. XIX português. E está bem representado no Museu do Chiado, existindo também, no Tribunal de Contas, um retrato de D. Pedro V, de sua autoria. Lupi faleceu em Fevereiro de 1883. Retratou, entre outros, Alfredo Keil, D. Fernando II e o poeta Bulhão Pato. Uma sua neta, Maria Valupi (pseudónimo de Maria Dulce Lupi Cohen Osório de Castro, 1905-1977), poetisa que se correspondeu com Cecília Meireles, era tia, por afinidade, de António Osório (1933). Possivelmente, por isso, o poeta dedicou a Miguel Lupi o poema (do livro "Ignorância da Morte", 1963) que se transcreve a seguir:
Salmo à pasta de desenhos de Miguel Ângelo Lupi
A cor das lágrimas
procuro na tua pasta de desenhos.
Retiro os papéis de seda, pardos já de rola,
por ti dobrados, e toco nas tuas mãos,
escaldam, comovem.
Apenas eu pronuncio esse nome
como teu pai, com nostalgia de Itália, te chamava.
A pintura não tem a cor das lágrimas
nem do exílio ou desaparição,
e à poesia falta a palavra que sobreleve o abismo.