
My November Guest
A minha pena, quando ela está comigo,
É que pensa que estes dias chuvosos e cinzentos
São tão belos quanto podem ser os dias;
Ela gosta destas árvores lisas e despidas;
Passeia nas veredas dos prados encharcados.
O seu prazer não me deixa sossegar.
Ela fala e eu resigno-me a ouvir:
Fica contente que as aves tenham partido,
Alegra-se que o cinzento se tenha transformado
Em prateado, agora, que a neblina sobe.
As árvores nuas, desoladas,
A terra desvanecida, o céu pesado,
As maravilhas que só ela vê,
Julga que eu não dou por elas,
E humilha-me com isso.
Não foi ontem que aprendi
O amor pelos ermos dias de Novembro
Pouco antes de chegar a neve,
Mas seria inútil eu dizer-lho,
Assim será melhor para sua exaltação.
Nota: foi Robert Frost (1874-1963) que disse: "Poetry is what gets lost in translation". Mesmo assim, eu gosto de arriscar E desafio as sábias palavras do Poeta americano, porque tinha um compromisso interior comigo mesmo, de traduzir, para português, este poema (de que gosto), desde que Miss Tolstoi, amavelmente, o transcreveu num comentário (7/1/2011) que fez no Arpose. Que me perdoem a veleidade, quer o poeta Frost, quer a Miss Tolstoi. Prometo não prevaricar muitas vezes.