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domingo, 17 de agosto de 2025

Miscelânea (12)

 

Está no seu pleno, a fruta. Embora com preços um pouco altos... Esta semana, apareceram nas bancas do mercado as ameixas Rainhas-cláudia, que no Norte, em linguagem chula, chamam Ameixas-caranguejas e, a Leste, aristocratizam para Mirabelle e Lorena. A meloa é que já teve melhores dias, mas deu lugar aos melões, que se recomendam, de doces. As uvas vão muito boas e os pêssegos também. As Pêras valem a pena nas suas variedades principais: D. Maria, Rocha e Amorim.
É de fartar, vilanagem!


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Miscelânea de diversos temas

 

Arrumem-se os diversos, mesmo incompatíveis:

1. A minha próxima troca de computadores pressagia uma eventual perturbação ou pausa no exercício ou actividade normal do Arpose. Esse computador, enorme, que me acompanhou tantos anos, merece o meu grato reconhecimento.

2. Como em quase todos os blogues há rémoras, também nas ditas "cartas ao director" há fala-baratos fiéis. Há, no jornal Público, um poveiro Ademar, de quem até já fixei o nome e apelido (Costa) que dialoga sobre tudo: desde o Dia do Cão até ao recente sismo, que nos atingiu. É, sem dúvida, um incontinente feliz.

3. Que me desculpem os fãs da criatura, mas eu acho que o Rangel, além de menor em vulto, é foleiro.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Miscelânea (11)


Aqui há uns bons anos, um jornal inglês de esquerda, perguntava na capa, com a imagem de Gerhard Schröder (1944), pouco antes de eleições germânicas, se o leitor era capaz de comprar um carro em segunda mão a este alemão. O dito ex-chanceler ganha, hoje, a vida na Gazprom, e muito bem.
Eu creio que, nessa altura, os reclames apresentavam ainda para bom exemplo indivíduos compostos, às vezes de gravata e fato, sérios, limpos e bonitos. Hoje o paradigma mudou radicalmente de estilo. Quanto mais sujo, descomposto e feio, melhor.



É certo que eu tenho grandes dúvidas que os jovens comprem o jornal Público, pelas capas, habitualmente inestéticas, do suplemento ípsilon, mas os directores devem achar que sim, para persistirem no método, de forma teimosa, para não dizer: autista. Pela minha parte, devo confessar que, do anexo hebdomadário, leio apenas, normalmente, a antepenúltima e penúltima página com os artigos de António Guerreiro e Ana Cristina Leonardo. O resto parece-me palha quase sempre, e da pior.

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Miscelânea (10)



Ousaria dizer que Anselmo Mendes, enólogo que produziu para a marca branca do P. D. um vinho Alvarinho, não terá sido criado e habituado a esta casta ibérica setentrional. O monocasta que fez para essa grande superfície só me lembra o dito pela indicação do rótulo. Mas a verdade, para além do sabor que não é o tradicional, pouco mais sei dizer para esclarecer esta minha atrevida afirmação.
Acontece que nem tudo, na nossa vida ou atitude, conseguimos explicar racionalmente.  

Ramos Rosa (1924-2013) e Fernando Echevarría (1929-2021), não há muito falecidos, foram dois dos mais prolíficos bons poetas portugueses. Mas se, do primeiro, a partir de O Livro da Ignorância (1988) comecei a ficar saturado do seu estilo de poesia, de Echevarría consigo e continuo ainda a lê-lo com algum entusiasmo e gosto natural.
Atente-se, por exemplo, neste pequeno poema:

Anoitecemos. Em nós o que se muda
é, não o que se perde
de claridade e nubla, 
mas o que, anoitecendo, se esclarece.
E esclarecer a noite em que nos suma
o sentimento agudo de perder-se,
amanhece na sombra, como se uma
vidraça abrisse ao mar sobre o que desse. *


* in Poesia, 1980-1984 (pg. 62).

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Miscelânea matinal outrabandista


1. À vontade, pela raridade dos carros agora, o gato preto vadio que costuma albergar-se por baixo das viaturas, quando chove, ou no tejadilho dos automóveis, para se aquecer quando o dia é frio mas soalheiro, prantou-se, hoje de manhã, mesmo no meio da estrada, diletante e  despreocupado, ocupando o terreno...

2. Taralhouca, talvez também pela forçada reclusão, a senhora de "paupérrimas feições" e já de idade, demorou que tempos para atinar com as moedas para pagar o jornal e as raspadinhas, no postigo de acrílico do quiosque a que o Ricardo atende, sem máscara nem luvas.

2. Desolado pela qualidade já perdida, o meu amigo C. S. abriu um dos seus últimos Barca Velha, de 1991 - imprestável, disse-me por telefone. Mais sorte tive eu, que experimentei, da zona do Cartaxo, um modestíssmo branco Rendeiro, a acompanhar o caseiro e saboroso Bacalhau à Gomes de Sá, e cujo rótulo, perigosamente, nem a data de colheita tinha. Bem agradável estava o vinho! Teria Tália? Vital? Fernão Pires tinha no lote, com certeza.

4. Diz-me um Fabiano, em apreciação aparentemente efusiva (o farsante!), que gostou imenso de uma pequena (4 m. e 17 s.) obrinha musical, aqui no Blogue. Só que o dito esteve apenas 56 segundos a ouvi-la... Que concluir?
Que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Ainda que o mentiroso seja um chico-esperto oportunista e burgesso.

5. Entretenimento pueril, vou 4 ou 5 vezes, por dia, à varanda a sul, para contar a bicha que serpenteia à porta do pequeno supermercado outrabandista. A fila nunca ultrapassou as 12 pessoas, pelo menos, até hoje, que eu visse. Mas cada vez há mais mascarados. Até parece que estamos já muito próximos, outra vez, do Carnaval.




quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Miscelânea


Uma publicação alemã, que também promove viagens, tem alguns dos seus destinos turísticos para a passagem do ano já esgotados. Um dos primeiros foi Lisboa e, por isso, não será tão cedo que nos livramos desta massificação desordenada, ruidosa e fotografante.
Esta sofreguidão pelo futuro pouco tem de consistente. Os picos da novidade ou interesses momentâneos correspondem apenas a meros caprichos que o poder mediático explora para ganhar audiências da corrente acarneirada dominante e da publicidade paralela e correspondente.
Neste mês de Novembro, e em pouco mais de uma semana, calaram-se três vozes portuguesas - duas fadistas e um cantautor. Logo o Arpose teve um pico de audiência sobre dois dos nomes que constavam do registo do Blogue, no dia e seguintes a estes dois óbitos nacionais. Mórbida atracção de vários anónimos e desconhecidos peléns que, decerto, nunca frequentaram sequer o Arpose.
Acrescente-se, por equilíbrio e por uma questão de justiça, ao obituário, o nome de Argentina Santos (1924-2019), nonagenária e fadista estimável, que não constava do registo do Blogue.
Agora, já consta...

terça-feira, 13 de agosto de 2019

De uma miscelânea manuscrita da B. G. U. C.


Não sendo normalmente de grande qualidade, sobra a uma boa parte da poesia portuguesa dos séculos XVII e XVIII uma certa irreverência, humor, fresca licenciosidade e até uma libertina ausência de preconceitos para tratar os mais insólitos assuntos. Nalguns aspectos a liberdade de expressão aproxima-se da dos cancioneiros medievais, em particular das cantigas de escárnio e maldizer.
Das horas proveitosas que passei na BGUC, consultei 3 ou 4 miscelâneas manuscritas do século XVIII. Tomei apontamentos, fiz algumas transcrições, embora muitas caligrafias sejam de difícil decifração. Em suma, pessoalmente, ocupei bem o tempo. E sorri, algumas vezes, do que li. Da miscelânea nº 1639 (pg. 45), intitulada "Collecção/ De/ Peças Poéticas/ De Bom Gôsto", com marca de posse manuscrita em nome de Miguel Justino de Araújo Gomes Álvares, vou transcrever (sic), de um autor anónimo, um soneto brejeiro e engraçado:

Senhor Doutor, que tem esta rapariga
Que não é como dantes? Tanto andeja,
Cóspe, vomita, mil coisas deseja,
Cresce-lhe o panno, incha-lhe a barriga:

Parou-lhe de repente a copia antiga
Do sangue, que por baixo se despeja;
Faz diligencia que ninguém a veja
Até se esconde da mayor amiga:

Será isto porventura do Demonio
Algum ardil, alguma trapalhada?
Se assim é vou leva-la a Santo Antonio.

«Não, Senhor, a Menina não tem nada,
Quiz effeitos provar do Matrimonio,
Para não estranhar sendo casada.» *


* apesar de imperfeito, creio que o soneto estava inédito.

domingo, 24 de março de 2019

Miscelânea : dispersas e sentimentais


1. Toda a grande poesia tem uma nova linguagem. Ou, em termos abstractos, uma expressão própria.  Difícil de descriptar, até que nos habituemos. Li eu, algures. O que é verdade: Nobre e Herberto Helder; Emily Dickinson e René Char, por exemplo. Não será regra absoluta, entre grandes poetas, mas quase.
Depois, há os versinhos de que toda a gente gosta...

2. A fotografia banalizou-se, deixou de ser um ritual próprio em circunstâncias especiais, oficiada por escolhidos ou profissionais. Perguntaram a Roger Scruton (1944), filósofo inglês, o porquê da seriedade das expressões, nos retratos do século XIX. Ele falou vagamente da solenidade do acto, nessa época.
Mas referiu também, no presente: as idiot smiling faces of the selfies.

3. A complacência, pecado maior. Ainda que sem notarmos, fazemos quase sempre um movimento e um esforço imperceptível para nos integrarmos na ordem estabelecida ou no gosto da maioria. Mesmo que essa adesão implique um constrangimento às nossas convicções mais íntimas ou pessoais.
As vanguardas artísticas já aceites, o filme (mais banal) já premiado, a canção eleita, mesmo pimba...

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Bibliofilia 162


Esta miscelânea, impressa em 1781, na tipografia de Chrispim Sabino dos Santos, é uma antologia de 11 entremezes que, provavelmente, terão tido grande sucesso nos palcos populares de Lisboa. Os galegos, taberneiros, criadas e ciganas, médicos e juízes, são personagens frequentes e quase constantes nestas pequenas paródias que se destinavam ao divertimento dos lisboetas menos exigentes do ponto de vista cultural.



Os títulos, por vezes insólitos (deixo um em imagem), pressagiam, no entanto, os enredos ligeiros de que eram feitas estas representações, que tinham, como único objectivo, o entretenimento popular.  E que correspondiam no séc. XVIII, de algum modo, ao que foi a Revista à portuguesa do século passado. Atente-se no facto de todos estes entremezes serem anónimos, quanto à autoria.
A antologia tem 256 páginas e está em razoável estado de conservação, embora com algumas manchas de humidade. Brochada, custou-me 22 euros. Que achei ser um preço justo e merecido.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Sic, a propósito do tempo que passa


Um só mau oficial
que ha em üa cidade
destrui a comunidade:
vede bem se faram mal
muitos desta qualidade.
Deus e el-rei nom sam servidos,
os povos sam destruidos,
a policia damnada,
a república roubada,
e os pobres oprimidos.


Miscelânea (estância XXXIII), de Garcia de Resende (1470-1536).


............................................
Nota pessoal: por razões porventura líricas e primaveris, resolveu a Unesco consagrar o Dia Mundial da Poesia neste 21 de Março de 2018. Evitando o derrame lírico, optei, no entanto, por um excerto mais musculado, do séc. XVI, onde costumes e gentes são objecto de crítica, pela voz de Garcia  de Resende. Como hoje, aliás, também poderiam ser, numa ausência, que se vai notando, de ética e de princípios...

sábado, 7 de outubro de 2017

Miscelânea descentrada


Levei cerca de uma hora a ler um hebdomadário e um diário, saídos hoje, ainda frescos.

Haverá alguém que imagine o Prémio Nobel a ser atribuído a John Le Carré? Creio que não.

Premeia-se por contraste, para tomar posição. Veja-se o da Paz, ou a deslocação do Sabadell...

Sempre Verão, também cansa. Porque conheço algumas pessoas que aspiram a ver a chuva, de casa.

Os 2 jornais, que li, recomendam quase só vinhos de 9 a 30 e tal euros. Para quem?

Recordo que, nas Cooperativas do Douro, as uvas se estavam a pagar a menos de 1 euro, o quilo.

No "Expresso", há dois encartes, grossos, sobre Angola. Vingança do chinês, ou subserviência lusa?

Vou reler o último livro de Gastão Cruz (Existência) para arejar a vista e mudar de alma.

Que, como dizia um poeta inglês: a esperança terá de ir para outras coisas.

Até porque Londres e o seu hipotético nevoeiro não me vão, seguramente, mudar a vida.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Miscelânea pré-natal


Sempre me perguntei sobre o que teria feito cobrir os nossos antepassados das cavernas: teria sido o pudor ou o frio?
Porque chega-se a uma altura do Outono, já perto de Dezembro, que, quando é noite, o que apetece é ficar encotinhado a um canto, de preferência num maple, com os pés aquecidos, a ler uma obra agradável de um autor predilecto, e não fazer mais nada...
A proximidade do Natal traz muitas coisas consigo, num mimético atavismo que se repete, ano após ano. A começar, cada vez mais donas de casa a virem ao Arpose, para consultar (ou copiar) a receita dos mexidos vimaranenses (em Dezembro do ano passado foram mais de 250 videirinhas)...
Jornais e revistas aumentam a publicidade, para as prendas natalícias. Por sua vez, o TLS recorda Dezembros passados. Lembra que, em 1974, pediu, por exemplo, a 14 escritores renomados recordações dos seus livros mais memoráveis de infância.
De alguns escritores mais conhecidos, aqui vão as preferências:
Isaiah Berlin - "Os filhos do Capitão Grant" e "David Copperfield";
William Golding - "A Família do Robinson Suiço";
Iris Murdoch - "A Iha do Tesouro".
Curiosamente, todos estes livros estavam traduzidos em português e também foram lidos por mim, na juventude. Os mais vezes citados foram porém: Black Beauty ("O Cavalo Preto", em português), de Anna Sewell, Tom Sawyer, de Mark Twain, e "O Coração", de Edmundo de Amicis, que constam da minha biblioteca e me deixaram também boas recordações.
Realmente, não há nada como o Natal para nos aproximar dos anos mais tenros...


sábado, 4 de julho de 2015

Miscelânea, da varanda a leste


Dos cerca de três dezenas de telhados, mais baixos, que vejo e alcanço da varanda a leste, apenas quatro me parecem ter painéis solares. E, tirando duas manchas, mais densas, de verde, o horizonte do meu olhar acolhe apenas mais algumas, raras, árvores esparsas, entre elas, duas palmeiras isoladas.
Quando, há anos, li que Portugal possuía, proporcionalmente, uma das maiores manchas florestais da Europa, pasmei. HMJ não acreditou. Mas é verdade. Entretanto começou ela a ler, com algum entusiasmo, o "Portugal Económico" (1902), em que Anselmo de Andrade (1844-1928) defende a tese de que Portugal não é assim tão pobrezinho, aproveita é mal os recursos naturais.
Na sua despedida de docente, no Porto, Alexandre Quintanilha (1945) recebeu dos seus alunos, um pequeno, mas grato, recado manuscrito, que dizia assim: "Professor, obrigado por nos ajudar a distinguir o verdadeiro do óbvio".