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domingo, 24 de novembro de 2019

domingo, 26 de outubro de 2014

Regionalismos transmontanos (59)


1. Pachancas - molengão, vagaroso.
2. Pachouchice - o m. q. pachochada, tolice, disparate, parvoíce.
3. Palonzano - pateta, bronco, bruto, lapuz.
4. Pandorrilha - pessoa mentirosa e presumida. Pessoa de pouco préstimo.
5. Pangaio - chico esperto, malandro. Peralta.
6. Pantomineiro - intrujão, embusteiro. Galhofeiro, divertido.

sábado, 28 de junho de 2014

Regionalismos transmontanos (43)


1. Gala-fula - apressadamente, com sofreguidão.
2. Galfarro - vadio, beleguim.
3. Galiqueira - blenorragia.
4. Ganapo - rapazito. Lampantim.
5. Garimo - quente, abrigado, carinhoso.
6. Gastalhão - homem alto.

Nota pessoal: as palavras 2, 3 e 4 eram usadas, no Minho, com o mesmo significado.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Fisionomias e feitios


Andam-nos a prometer bom tempo e Primavera, mas eles nunca mais aparecem... Daí este ar melancólico, que vemos nas pessoas, pelas ruas de Lisboa. No entanto, os turistas já andam de calções, sorridentes, de mangas arregaçadas, só porque não há chuva, aproveitando a menor réstia de Sol.
Já aqui falei (Imagens de Alegria, 28/11/2010) da circunspecta iconografia religiosa portuguesa, a propósito da Virgem Maria que, por exemplo, em imagens de Coblença e da Catalunha, apresenta, pelo contrário, um ar feliz e sorridente.
O mesmo se passa com o Menino Jesus. Até mesmo o celebrado Menino Jesus da Cartolinha (Miranda do Douro) apresenta um semblante neutro, como se temesse sorrir, embora o seu ar não seja carrancudo.
Compare-se, no entanto, a neutralidade fisionómica lusitana, com a sorridente alegria deste Menino Jesus de Rostock ( de cerca de 1500), que se guarda no convento de Santa Cruz, da cidade alemã, para perceber a diferença de atitude.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Torga e o Douro


A Torga, quase posso perdoar-lhe tudo, mesmo alguns poemas excessivamente prosaicos e sensaborões, pelo belíssimo Bucólica ("A vida é feita de nadas:/ De grandes serras paradas...") que nos deixou. E por uma parte da rija prosa que escreveu. Até me posso esquecer do mal que ele diz do Minho, por excessivamente verde (assim o justifica), no início deste livro - Portugal.
Porque também me reconcilio com o Douro que ele descreve, apaixonado. Porque também não me esqueci, e me lembro do rio, lá em baixo, visto do alto alcantilado da Sé de Miranda. São coisas que não saem da memória. Mas ouçamos Miguel Torga, no seu verbo fluente, cinzelado, onde se sente pulsar um coração:
"...É sair do Chiado, porque é nele que as mentiras nacionais começam, e ver: onde há água com tanto barro e desespero? Onde há saibro mais desgraçado e mais triste? De ponta a ponta do ano, não há benção que cubra esta dor. No verão, um calor de forja seca o rio e caldeia o xisto; no inverno, as próprias cepas choram de frio. (...) Não é descer de Sabrosa para o Pinhão, estacar em S. Cristovão e abrir a boca de espanto. Não é ir ao miradoiro de S. Brás, olhar o Éden ao fundo, e dizer ah! Não é espreitar de S. Salvador do Mundo o Cachão da Valeira e sentir calafrios. É entender toda a significação da tragédia, desde a desgraça de Prometeu até ao clamor do coro. É deixar os estofos do comboio, trepar pela escadaria do Olimpo acima, e descer carregado dum vindimeiro a escorrer mosto. É vestir a croça e tesourar numa manhã de inverno, a chuva a cair ou o gelo a fazer pinguelos nas mãos; é dar a meia-noite num lagar, os músculos já sem acção, e o capataz a mandar, a mandar; é cavar de sol a sol, o suor a abrir crateras na poeira; é comer uma malga de caldo e uma sardinha, e saibrar o dia inteiro.
Não há maior ofensa à dignidade humana do que ir de Cadillac a uma vindima do Rio Torto, fotografá-la e descrevê-la depois num chá das cinco ou num jornal da tarde. O Doiro dos barcos rabelos de calendário e dos socalcos fotogénicos, o Doiro dos cartazes comerciais e dos lordes em climatério, é uma mentira. O verdadeiro Doiro, rio e região, é a ferida do lado de Portugal." (pgs. 40/41)