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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Voltando ao assunto das "Ordenações cuniculares"...


Entre a Portaria 244/2014 (Vinhos do Alentejo) e a 246/2014 (Vinhos do Dão), publicada ontem no Diário da República, vai uma diferença de tomo...
Se a alentejana era pródiga e "mãos rotas" na liberalidade anárquica de castas estrangeiras permitidas (26 em 68 totais), a que disciplina a região demarcada do Dão é muito mais criteriosa e circunspecta, porque apenas permite (3 em 42): Semillon, Alicante-Bouschet e Monvedro - que julgo serem não originárias, tradicionalmente, da região do Dão.
De quem será o mérito desta usura? Do sr. Albuquerque não deve ser com certeza...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ordenações cuniculares


Como se teriam, livremente, organizado as coisas, neste caso as castas de uvas, desde o início dos tempos, quando agora parece ser imperioso e administrativo arrumá-las por Diário da República?
Se a Baga é retintamente bairradina, também a branca Alvarinho foi, até há bem pouco tempo, exclusivamente alto-minhota (e galega, valha a verdade). Bem como a Antão Vaz, genuinamente alentejana. Não está em causa a razão disciplinar da portaria (244/2014) do Ministério de Agricultura, o que eu acho é que o seu conteúdo é um autêntico "albergue espanhol", querendo meter o Rossio na Betesga, neste caso nas vinhas alentejanas. Nada menos de 68 castas, incluindo a Baga bairradina e, pasme-se, nada menos de 26 castas estrangeiras, que vão da Zinfandel à Nero-d'Avola, passando pela Sangiovese, para que o vinho possa ostentar a denominação: Alentejo...
Num país como o nosso que, na Europa, é um dos que maior diversidade de castas autóctones possui, esta portaria globalizante parece-me um enorme disparate. Uma autêntica corrida cega para a descaracterização de uma região vinícola demarcada.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mercearias Finas 34 : o mal das rolhas


Acontece que, muito recentemente, mandei vir no mesmo restaurante onde, anteriormente, já o tinha pedido por 2 ou 3 vezes, o "Duque de Viseu", Dão branco de 2009, da Sogrape. É um vinho agradável, para um Verão não excessivamente quente, e que acompanha bem pratos leves de carne, ou de peixe. Desta vez era para fazer as honras a um despretensioso folhado de carne (grande, tipo timbale), com arroz branco solto e salada de alface, rúcula, agrião e tomate. As viandas estavam bem feitas, o folhado, como deve ser, e bem apaladado. Tudo estava no ponto. Mas o vinho, não. Tinha o chamado "cheiro a rolha", e foi prontamente substituído. Por outro, da mesma marca e ano, que estava em perfeitas condições. Soube-nos bem. É a segunda vez, este ano, que me acontece este percalço, embora com vinhos diferentes.
Mas, lá fora, já me tem acontecido o mesmo, também. Pelo menos, na Bélgica e Alemanha, e com vinhos estrangeiros. É sempre um desprazer, numa refeição, e pior ainda, quando há convidados à mesa. É um fenómeno misterioso, este do "cheiro a rolha". Dizem que provém dum fungo, que pode ser causado por mau armazenamento do vinho ou das garrafas, ou por um deficiente engarrafamento. Como não sou especialista, nem versado em química, não tenho opinião. Mas detesto que aconteça.
Entretanto, e por causa deste problema originário da cortiça, há já, pelo mundo, vários produtores de vinho que deixaram de usar rolhas de cortiça, principalmente na América e na Austrália. Usam uns contraplacados de plástico e outras burundangas afins..., enfim. E há sobretudo uma coisa que eu não consigo entender: sendo Portugal o 1º produtor e exportador mundial de cortiça, por que é que ainda não se estudou e investigou, séria e objectivamente, este problema. Para o resolver. A Sogrape, o Sr. Berardo (Bacalhoa e Aliança...), a José Mª da Fonseca, o Ministério da Agricultura, o Sr. Américo Amorim (o da cortiça), e outros interessados investiam, através duma parceria, qualquer "coisinha" e encarregavam uma Universidade (a de Trás-os-Montes, porventura a mais vocacionada) para investigar o problema, e tentar resolvê-lo, como deve ser. Talvez não aumente a produtividade, mas decerto ajuda a competitividade e exportações portuguesas. É uma proposta objectiva que aqui fica.