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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Do falar minderico


Situado a meio de Portugal, dizem da terra que "aí onde a serra se afunda numa depressão grandiosa, formando uma concha para aceitar as águas das chuvas, aí fica Minde." Também dizem que o minderico, singular dialecto local, começou a ganhar expressão por alturas do século XVIII, mas eu não o posso garantir.



O que se pode assegurar é que este linguajar próprio se originou entre os feirantes, comerciantes e fabricantes de mantas de Minde, que pretendiam fazer os seus negócios pela calada e sem que os seus potenciais clientes ficassem a saber dos pormenores. O dialecto acabou por se alargar, depois, a outros temas e assuntos. De Minde e deste seu específico regionalismo já tinhamos falado, aqui no Arpose, em 11/4/2014.



Mas, recentemente, em rearrumos de livros, desencantamos este voluminho de 50 páginas, patrocinado por um restaurante local, donde respigamos uma pequena selecção de palavras do dialecto minderico, que por aqui deixámos, em seguida:

1. Âmbria - fome, larica, peneira.
2. Botins de chincheiro - ferraduras.
3. Carochinhas - azeitonas.
4. Dar à piadeira - ralhar, conversar animadamente, acaloradamente.
5. Encolher os mirantes - morrer, dar o último suspiro.
6. Favola - pessoa que tem por hábito andar sempre com os dentes à mostra.
7. Lutaros - figos.
8. Mané-Sousa - membro viril do homem.
9. Ninhou - Minde, terra natal, lugar onde nascemos.
10. Pássara-moura - borboleta.
11. Renhonhon - gaita de foles ou gaita galega.
12. Talha-mar - nariz.
13. Ter os mirantes atiamados de regatinho - chorar.
14. Voadeira - perdiz

sexta-feira, 11 de abril de 2014

As faces dialectais Portuguesas


Apesar da relativa exiguidade territorial, Portugal conta, pelo menos e ao que julgo, com quatro dialectos reconhecidos: o mirandês (Miranda do Douro) e o barranquenho (Barrancos), ambos com influências castelhanas; e, ainda, o nazareno, hoje provavelmente quase extinto, mas que foi usado por Alfredo Cortês (1880-1946), nalgumas suas peças teatrais (Tá-mar...).
Finalmente, na zona de Minde (Alcanena), terra natal de Roque Gameiro (1864-1935), temos o minderico, talvez o menos conhecido dos dialectos portugueses. E foi, com alegre surpresa, que descobri e comprei a curiosa monografia (com a capa em imagem) "Piação dos Charales do Ninhou" - cujo título significa, mais ou menos: Linguagem dos habitantes de Minde.
Maqueda!