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sábado, 20 de dezembro de 2014

Afinal, em que ficamos?!


A gente já se habituou, nos últimos tempos, a que os políticos digam, hoje, uma coisa, e passados uns meses, ou até dias, venham dizer o seu contrário. Aos escritores, é que não perdoamos. A menos que isso represente uma evolução ponderada, entre a juventude e a maturidade, e que nós a possamos entender, nas suas razões justificadas e objectivas.
Escrever muito também não deve ajudar à coerência. À força de puxar pela moleirinha, vão saíndo as coisas mais díspares, às vezes, contraditórias. Será o caso, talvez, do M. E. C., que se desdobra, plumitivamente. Agora, numa mesma crónica, do mesmo dia e no mesmo jornal (Fugas/ Público, de 20/12/2014), em 2 parágrafos seguidos, dizer uma coisa e o seu contrário, é que eu nunca tinha visto.
Ora atente-se (as palavras vão sublinhadas, na imagem que encima o poste):
- "3) As maçãs assadas têm a desvantagem de só saberem bem acabadinhas de fazer. ..."
e
- "As maçãs assadas, sabe-se lá por que alquimias, melhoram com a passagem do tempo. As envelhecidas são mais saborosas do que as recém assadas. ..."

Eu terei lido bem?
O M. E. C. passou-se, de vez...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Retratos 11 : retrato do artista enquanto velho


Eu sei que vou consumir, magoar ou afligir algumas almas boas, piedosas e cristãs, mas que diabo!, este Blogue nunca se propôs espalhar, apenas, bem-aventuranças e, muito menos, a concórdia universal... Disparemos, então, com misericordiosa contenção. As almas sensíveis que se precatem!
Todos os dias, ele cai sob os meus olhos (porque todos os dias, atávico, eu compro o jornal), na sua cada vez mais infantilizada (a idade não perdoa, só ofende e agrava...) coluna. E, às vezes, custa-me ver esta degradação mental acentuada, este estreitamento doméstico de horizontes, porque o rapaz já foi pioneiro e inovador a escrever (embora inteligente e oportunista - basta ver o título de alguns dos seus livros, para deslumbrar e iluminar pategos...). Mas, hoje em dia, tudo se resume ao romance da coxinha, o tidesco folhetim de antanho, a comida (Freud diria...), ou o Estrangeiro (normalmente marcano) das mil delícias...
Portugal parece não existir, ou não lhe interessa. O homem parece um selenita, nunca fala daqui, num monarquismo soberano e diletante. A verdade é que ele só é meio português, mas que diabo!, então o ar que respira?, este solo que pisa? a miséria que (não) vê? Porque também é este miserável país que lhe paga (bem?) a distracção sobranceira e a sobrevivência razoável e diária.
Hoje, no entanto, redimiu-se um pouco, perante mim - disse uma verdade, pequenina é certo, sem grande importância, mas real. A benefício de inventário, citemos, da sua crónica, no jornal Público: "Hoje até os mais competentes críticos literários anglo-americanos incluem um resumo integral dos romances e dos contos sobre os quais escrevem. ..."
O que ele deve ter suado para chegar aqui!