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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A última vez que falaram de nós...


Se, nos anos 50/60, em Guimarães, se falasse de pintores, dois nomes ocorreriam: Xico Maia e Mestre Caçoila. O primeiro vivia de pintar, sobretudo, paisagens bucólicas que tinham procura e se podiam encontrar em muitas casas da pequena burguesia vimaranense. Mestre Caçoila (18/10/1900-1977)), de seu nome Manuel Mendes Pereira, pintava por gosto e "aos Domingos" - como dizia -, porque, nos dias úteis, vivia do seu mester de alfaiate, com loja aberta, próximo da Colegiada.
Xico Maia, nome artístico de Francisco Maia Oliveira, tinha figura imponente e cuidada, assemelhando ao rei D. Carlos, mas mais elegante de corpo. Era afável, convivial e sedutor, embora com família estável, mulher bonita e duas filhas. Mestre Caçoila era discreto e parecia tímido. Modesto, mas digno no trajar, usava boina e quase passava despercebido, para quem não conhecesse as suas pretensões artísticas. A José de Guimarães (1939) não passou ele despercebido, e fizeram-se amigos.
Não creio que Xico Maia alguma vez tivesse exposto em mostra individual. Mestre Caçoila, pelo contrário, teve o seu momento de glória ao integrar, no Palácio Foz (SNI), uma exposição colectiva de pintura naïf portuguesa, nos anos 60, suponho.
Muito procurei eu, por todo o lado, antes de fazer este poste, dados e elementos biográficos destes dois pintores vimaranenses, sem qualquer resultado. Encontrei só algumas obras. Valha-nos, ao menos, isso!...
A imortalidade é um mito.

domingo, 3 de junho de 2012

Trevos e Ciprestes


Há uma convivência natural que se adivinha, até pela Av. Conde de Margaride (que já não é sumptuosa) que confina com a estreita Rua do Gaiteiro - que não sei quem foi. Ou na armoriada casa dos Pombais, dos Viamonte, que não fica muito longe da laica Fábrica dos Pentes, já desactivada.
Mas, se subirmos até à Atouguia, acentua-se ainda mais esta proximidade inevitável. O mausoleu neo-gótico de Carlos Malheiro Dias não está longe da campa quase rasa do Mestre Caçoila. Um pintava com letras, o outro, com tintas e, cada um deles, tentou fazer o seu melhor, enquanto andou na Terra.
Nas cidades pequenas, as distâncias são difíceis. Um visconde pode acotovelar, ao balcão, com um honesto pedreiro, pedindo ambos um café curto. Talvez gostem os dois de um caldo verde com tora e uma rodela de chouriço, acompanhado por um naco de broa. A democracia, embora doseada, surge natural e quase obrigatória.
Como será previsivel a subida para a pequena colina da Atougia onde, ambos, irão repousar para sempre, não muito longe um do outro, por entre trevos e ciprestes.