Se, nos anos 50/60, em Guimarães, se falasse de pintores, dois nomes ocorreriam: Xico Maia e Mestre Caçoila. O primeiro vivia de pintar, sobretudo, paisagens bucólicas que tinham procura e se podiam encontrar em muitas casas da pequena burguesia vimaranense. Mestre Caçoila (18/10/1900-1977)), de seu nome Manuel Mendes Pereira, pintava por gosto e "aos Domingos" - como dizia -, porque, nos dias úteis, vivia do seu mester de alfaiate, com loja aberta, próximo da Colegiada.
Xico Maia, nome artístico de Francisco Maia Oliveira, tinha figura imponente e cuidada, assemelhando ao rei D. Carlos, mas mais elegante de corpo. Era afável, convivial e sedutor, embora com família estável, mulher bonita e duas filhas. Mestre Caçoila era discreto e parecia tímido. Modesto, mas digno no trajar, usava boina e quase passava despercebido, para quem não conhecesse as suas pretensões artísticas. A José de Guimarães (1939) não passou ele despercebido, e fizeram-se amigos.
Não creio que Xico Maia alguma vez tivesse exposto em mostra individual. Mestre Caçoila, pelo contrário, teve o seu momento de glória ao integrar, no Palácio Foz (SNI), uma exposição colectiva de pintura naïf portuguesa, nos anos 60, suponho.
Muito procurei eu, por todo o lado, antes de fazer este poste, dados e elementos biográficos destes dois pintores vimaranenses, sem qualquer resultado. Encontrei só algumas obras. Valha-nos, ao menos, isso!...