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terça-feira, 7 de abril de 2026

Mercearias Finas 217

 

Ortodoxo que foi o almoço de Páscoa, nem sequer falei do cabritinho (muito bom), do esparregado e das batatas assadas apetitosas. Da tarte de amendoa gulosa e do folar que nos trouxeram, com bom sabor de erva doce, que também acompanhou devidamente um queijo babão de Mangualde.
Mas eu não ficaria de bem comigo, se não referisse, para memória futura, a magnum gaulesa que abri, do tinto de Bordéus (2020), Vieilles Vignes, com as castas Mourvédre, Syrah e Grenache, que combinou na perfeição, nos seus 13,5º equilibrados.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Natalícios

 

Se bem me lembro, creio que comi, pela primeira vez, já tarde na vida, ganso assado, e na Alemanha, por alturas do Natal. Julgo que não estava muito nos hábitos alimentares portugueses dado que, pelo menos a Sul, era já substituído pelo peru, na sua corpulência, pela consoada que, a Norte, não dispensava, normalmente, o Cozido de Bacalhau tradicional.
Ora, porém da leitura do livro constante do poste anterior (Arte do Cozinheiro e Copeiro, 1841), o seu autor Visconde de Vilarinho de São Romão (1785-1863) refere, quanto a gansos, que "Estas aves são boas pelo Natal, engordam-se um mez antes,", o que me permite pensar que nesta primeira metade do século XIX, o peru ainda não tinha ganhado, possivelmente, lugar de honra na mesa natalícia.

domingo, 8 de março de 2026

Mercearias Finas 216

 

Devia ser por esta altura do ano que aparecia, por essa minha cidade de província, e no antigamente, o ciclista de cornetim a anunciar os peixes de rio, que trazia no cesto. Eu não os apreciava por aí além... Tinham pouco sabor e muita espinha. E, tirando a lampreia, pouco dava por eles. Bastou-me, depois, uma muge do Guadiana, que comprei em Mértola, barata é certo mas desenxabida de todo, e que HMJ cozinhou o melhor que pode.
No mercado, ontem, a banca da Ângela não estava no seu melhor, mas não tão pobre como nos dias da tempestade ("... não vás ao mar, Tóino..."). Por desforço profissional, ela quis mostrar-me dois magníficos sáveis do Mondego que deviam estar pejados (rica açorda!), mas custavam 29,80 euros o quilo. Para não vir de mãos a abanar, trouxe uns choquinhos com tinta, que estavam frescos e em conta.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Lembrete 77

 


Acabo de referir ao meu amigo C. S. a genial reflexão do rei D. João II, de que: "há um tempo de coruja e um tempo de milhafre." Assim há de facto, creio que para todos nós, um período de loquacidade, mas também há um espaço que recomenda silêncio e discrição nossa para com os outros, ainda que grandes amigos.
Estamos no tempo de peixes do rio, em que eu dou supremacia à saborosa lampreia. Altura em que C. S. reunia, em sua casa alguns, poucos, amigos para um almoço de um arroz do celebrado ciclóstomo acompanhado por um Sousão de Trás-os-Montes, ou Vinhão minhoto tinto. Aproveitei assim a efeméride, para quebrar esse silêncio de coruja. E falar-lhe.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mercearias Finas 215

 

Para mim, não há nada mais reconfortante contra este frio e dilúvio renegados do que uma canja ao jantar, para aquecer e aconchegar. Mais ainda se ela for heterodoxa e contiver uns fiapos de galinha e alho francês cortado fininho, para além de cenoura e massinhas. Assim foi ontem.
Acompanhou um tinto Regional Tejo, lotado com Touriga Nacional, Trincadeira e Castelão. Que cumpriu.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Da última ceia do ano velho

 

Para memória futura, convém lembrar os exemplares ingredientes:

- 1 lagosta nacional.
- 1 alface portuguesa.
- torradinhas de bom pão.
- maionese Hellmann's.
- Vinho Chablis (Chardonnay) 2020 Domaine Fèvre (12,5º).*

* oferta gentil de um bom Amigo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Mercearias Finas 214



Como por todos os Natais, HMJ não deixa de fazer os Mexidos, com base numa receita tradicional do Minho. Provados, estão óptimos. Falta apenas dizer que, em anos antigos, este doce de colher não era tão bem recheado...

sábado, 13 de dezembro de 2025

Uma louvável iniciativa 67

 

Mensalmente, aos Sábados, no presente, o jornal Público faz acompanhar a sua edição de um antigo livro de cozinha, em edição facsimilada e a um preço razoável. É uma boa ideia, para os apreciadores da gastronomia portuguesa, que os queiram conhecer.
Hoje, o voluminho em tamanho, mas de 296 páginas, reproduz o primeiro livro de cozinha nacional, editado em 1680, por Domingos Rodrigues (1637-1719), que foi cozinheiro na corte do rei D. Pedro II.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O último

 

O rótulo, esfacelado, acusa o desgaste dos 40 anos de idade, porém a cor, quase rubi do líquido, aparentava uma vivacidade juvenil. E este Rolls-Royce dos vinhos portugueses bateu-se, em muito boas condições, com um Montiqueijo baboso de Lousa (Tojal). Assim se finou pelos 8 de Dezembro de 2025, deixando boa memória nos 4 participantes prandiais.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Mercearias Finas 213

 

Num simples (?) Cozido de Bacalhau, com todos, concentra-se a sabedoria gastronómica de séculos portugueses. Pioneira terá sido a intuição do pescador que, na Terra Nova, pressentiu a qualidade desse peixe grande de águas frias; depois, essa invenção criadora, com certeza, feminina, de o escalar e pôr ao sol. Houve quem, depois de o demolhar e secar, lhe juntasse batatas, cebolas, cenouras e um ovo cozido, penca, e temperasse com sal, pimenta, azeite e vinagre, alho cortado em miudinho - assim se fez um prato tradicional português, pouco a pouco. Natalício, sobretudo.
Que fica bem acompanhado com um vinho branco encorpado ou até mesmo com um tinto de Monção.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Mercearias Finas 212

 
Os sabugos das unhas acabaram por ficar doridos, esbranquiçados do miolo das castanhas cozidas que fomos descascando depois do jantar: talvez 300 gramas, a que HMJ veio a juntar leite e uns pozinhos de noz moscada e, com a ajuda da varinha mágica, pulverizou na perfeição homogénea. Puré que há-de acompanhar as perdizes estufadas,  lá para o Natal. Porque lá diz o ditado: " quem vai ao mar, avia-se em terra."

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Mercearias Finas 211

 

Em princípio, não tenho nada contra as marcas brancas. Este monocasta Pinot Noir (Regional Lisboa) 2024, 13º, fruto de uma parceria da Ravasqueira Vinhos, S.A. / PD, trabalho do enólogo Vasco Rosa Santos, cumpre com dignidade a sua função. Parece delgado na cor, mas tem estrutura e equilibrado gosto.
Acompanhou lindamente umas iscas de borrego em cebolada. E o preço é uma boa surpresa.

domingo, 6 de julho de 2025

Mercearias Finas 210

 


Calhou termos de ir ao mercado, de manhã, buscar uma garoupa que estava encomendada, para o almoço. A banca da Ângela estava repleta de bom peixe, onde imperavam uns bonitos salmonetes. Mas havia também peixe-espada nas suas duas variedades: branco e preto. Que me foi sugerido e declinei: "Temos o frigorífico cheio, já não cabe mais nada!"
E depois acrescentei: "Não como peixe-espada desde os anos 70. Saturei." Explicando que, em Coimbra, tinha as refeições contratadas ao mês, por 600$00 e, por causa dos preços, tive que gramar carapaus e peixe-espada branco, 3 a 4 vezes por semana, porque eram peixes mais baratos. De carapau ainda recuperei, agora de peixe-espada bastou. Para nunca mais!


A nossa garoupa a caminho do forno...
E, como hoje é o Dia Nacional do Vinho, irá ser acompanhada por um Alvarinho Deu La Deu 2024.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Refeiçoar à antiga



Desde que as vacas enlouqueceram que as miudezas das ditas quase desapareceram dos restaurantes. Rins, fressuras, bofes, é vê-los!...
Ora eu que sempre gostei de língua de vitela estufada, se a quiser comer, já sei que tenho que amesendar no balcão de O Galeto, na avenida da República.
Que o espaço ao balcão é muito curto para as minhas pernas, eu sabia, que o arquitecto Vitor Palla (1922-2006), em 1966 ao projectá-lo, não teve em linha de conta que os íncolas nacionais iam crescer...
Confirmei o serviço desordenado (já dele aqui falei em 22/9/24), que não por escassez de empregados, mas ausência de organização e chefia competente. E a falta de vnhos que até eram recomendados na ementa!...
Da cozinha, tirando o espúrio Toucinho do Céu, que em vez de amêndoa, tinha coco, só posso dizer bem. E a Língua Estufada, acompanhada de puré e folhas de agrião e rúcula, estava óptima.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Mercearias Finas 209

 

Perguntar-se-á o que virão aqui fazer as imagens, em fotografia, de algumas preciosidades enológicas portuguesas, que passo a descrever cronológicamente:

1. Bairrada Garrafeira 1980 das Caves D. Teodósio, e que custou, na altura (anos 90), Esc. 1.055$00.
2. Barca Velha 1985, ícone dos vinhos nacionais que me foi oferecido pelo meu Amigo A. de A. Mattos.
3. Sogrape Garrafeira Bairrada 1985 que, numa mercearia da rua do Arsenal (Lisboa), me custou Esc. 890$00.

Ora, estes tintos de gabarito vieram à colação por os associar, em qualidade, a um Barolo de 2018 (oferta gentil do meu Amigo H. N.) que decidi abrir para acompanhar um rosbife de vitela maronesa excelente, há poucos dias atrás. O tinto italiano portou-se lindamente, nos seus 13,5º equilibrados. Como é costume deste Nebbiolo monocasta a que chamam o rei dos vinhos do Piemonte - com inteira propriedade.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Bíblica



Há dias em que entendo, inteiramente, que Esaú tenha vendido a Jacob o direito de primogenitura, apenas  por um prato de sopa de lentilhas.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Da Páscoa

 

Por estas alturas também vem à tona da memória as doçarias pascais. Lembraria os bolos de gemas, as cavacas e sobretudo, pela antiguidade (cerca de 300 anos) tradicional, o Pão de Ló de Margaride que se fabrica na terra homónimo, próximo de Guimarães. E que, como dizia Cesário, se não fora " pão de ló molhado em malvasia", era ao menos embebido no café com leite matinal, nos meus tempos de infância.

domingo, 6 de abril de 2025

Mercearias Finas 208

 

É um daqueles vinhos que, ciclicamente, naqueles truques foleiros e parôlos, algumas grandes superfícies reduzem, em promoção (sublinhando o facto...), para menos de metade do preço a garrafa*. (Só quem é distraído, não repara nesta estranjeirinha moderna comercial.) É por essas alturas que eu costumo comprar o Vinha da Coutada Velha, do Monte da Ravasqueira, de Arroiolos. Porque é lotado por três, das quatro grandes castas brancas autóctones portuguesas: Alvarinho, Arinto e Antão Vaz. E é bom.
A colheita de 2023, vinho branco (13º), combinou lindamente, com um caril de chôcos, que HMJ fez de forma original, na perfeição e de sabor, deliciosos.


* Que isto, e como diz o ditado: "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia."

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Mercearias Finas 207

 


As nozes chegaram cá a casa, ainda neste passado Janeiro: estão caras, mas são boas.
Das nogueiras lembro-me das duas de Merkenich, plantadas por um antepassado de HMJ, e que eram para, crescendo, vir a ser fabricada a nova mobília doméstica, com madeira fina e nobre. Perdeu-se no entanto a intenção pelo caminho, mas os frutos secos foram sendo produzidos todos os anos para prazer da família. Também me recordo das nogueiras vimaranenses da Inha e do seu quintal campesino. Bem como dos boníssimos bolos de nozes que ela fazia, para nos deliciar, ao lanche.
As recentes e sobrantes estão agora na cozinha à guarda do metálico cão quebra-nozes que, há mais de 60 anos, cumpre bem o seu serviço mandibular.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Mercearias Finas 206




Foi assim o jantar condizente contra o frio, hoje, pela sopa de lentilhas muito bem adubada, para uma noite aconchegada... 
Para ajudar, uns fiapos de vitela barrosã, as ditas cujas lentilhas, nabo, aipo, cenoura, alho-porro e massas estrelinhas.
Sopa que estava um espanto!