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sexta-feira, 31 de maio de 2024

Uma volta pelo mercado

 

Os morangos de Palmela estão a melar rapidamente e o Telmo aconselhou-nos a trazer dos de Torres Vedras que estavam mais durázios. Ficamos também a saber que a Câmara de Almada está a usar de muita burocracia e até parece que não quer alugar as bancas do mercado, que vagaram, apesar de levar de jóia inicial 400 euros, mais 50 todos os meses, de aluguer, aos feirantes.
A D. Leonor tinha muito peixe, e do bom, embora o linguado estivesse caro: a 26 euros. E a garoupa a 16,95. Acabei por não resistir a mais uma vernissage - o peixe era bonito. De nome: rainha ou corvinata real e vinha ainda com mílharas róseas. O homem da traineira da Costa trouxera 4, mas a D. Leonor já só tinha uma. Era em conta, estava a 9,95 euros o quilo. Comprei-a.
A ver vamos, depois, se valeu a pena.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Mercearias Finas 164

 


Nos almoços natalícios, pensando no que nos espera à Consoada, no Cozido de Bacalhau da praxe, há que usar de parcimónia nos preparos. E, por isso, tentaram-me os gigantescos Camarões Tigre que a Leonor tinha na banca do Mercado, ao lado dos linguados médios, bonitos, que estavam a 17 euros o quilo. Leonor perguntou à filha, Tânia, o preço de que já não se lembrava. Escapou-se-me um chiça! desbocado, quando ouvi : 42 euros, pronunciados pela Tânia. Leonor riu-se da minha reacção. E lá vieram, humildemente, 18 gambas maneirinhas, a 14 euros o quilo; e que hão-de merecer um Alvarinho de Monção, no almoço de 24.



domingo, 19 de abril de 2020

Reabastecimento


Desabituadas a andanças mais prolongadas, ultimamente, as pernas começam mais cedo a claudicar. Próximo, o banco de cimento camarário convida-me a sentar, o que dá para notar os inúmeros brotos das velhas oliveiras, em frente, a família voadora das 5 rolas murmurantes e o orvalho perlado das ervas rasteiras. Até deu para ver uma rastejante minhoca esguia e coleante, bichinho que há meses não se me atravessava no caminho. Vem, fresca da chuva, rabiar ao Sol da manhã.
Chega de pausa, ala até ao Mercado!
Já dentro e de longe, aceno ao sr. Mário, que ainda tem o talho vazio pela hora matutina, o alentejano, hoje mascarado, que vende pão de boa qualidade artesanal, trouxe com ele um ajudante. A dona Irene falhou nos morangos, justificando-se com a chuva que, nos últimos dias, os melou de forma imperdoável, mas já tem pêras à venda e meloas temporãs, que só costumam vir em Maio. A banca do peixe está também fresca e abundante. Mas temos o frigorífico bem abastecido do produto.
No regresso, cruzámo-nos com mais uma mascarada, que o cão trouxe a passear pela trela... 

domingo, 9 de junho de 2019

No tempo das cerejas


Amália Rodrigues dizia, com graça evasiva, quando lhe perguntavam a idade, que tinha nascido no tempo das cerejas. O que, nessa altura, seria pelos idos de Julho. Ora, hoje em dia, elas chegam mais cedo. E, este ano, já provámos as da Gardunha e fomos buscar, esta manhã, uma caixa delas e de Resende, ao Telmo, que é um moço singular. A rondar os 30, é licenciado em História, e esteve, no ano passado, num dos Emirados, a praticar arqueologia. Ganha a sua vida, e creio que bem porque é competente naquilo que faz, no Mercado do Monte, à frente do  seu lugar de frutas e verduras de boa qualidade e frescura. Atencioso, sério e com um sorriso sempre pronto, natural.
À saída, ainda vi ao longe, a filha da Leonor, que ajuda a mãe, aos fins-de-semana, a amanhar e vender peixe. Pequena, jovem e franzina de corpo, é dinâmica e simpática. Como o Telmo, também é formada em História e está a acabar o Mestrado.
O Mercado do Monte tem destas singularidades humanas e, por encomenda ao Telmo, umas magníficas cerejas de Resende. Que, lá para a noitinha, hão-de encher alguns frascos de compota, sob a sábia administração e manufactura de HMJ.
Assim seja!

Em tempo e mais tarde:

sábado, 15 de dezembro de 2018

Divagações 138


No Mercado, a dona Irene lacrimosa, soluçando a tuberculose inesperada de uma jovem parente sua, de 21 anos, tinha o pinhão a 70 euros, o quilo. Mas eu, este ano, até já o vi mais caro, e menos bonito.
Daí, algumas confeitarias, por vezes, fazerem uma vaquinha com caju e até amendoim torrado que, como vem de África, sempre fica mais barato e dá mais lucro no Bolo-rei vendido. Como já notei, aqui há dias.
Porque isto de tradições é tudo uma questão formal e de parecer. Mas também de contágio, como a tuberculose. Quem já passou Natal e Ano Novo, sozinho, alguma vez na vida, sabe que o facto pode nada ter de dramático ou infeliz. Sobretudo, se for depois de um enorme dia de trabalho...
Desde que haja uma fatia de Bolo-rei, com pinhões autênticos, e outros com casca, mesmo que não esteja ninguém à beira, com quem jogar o Rapa (,tira e põe), como a lembrar a infância de outrora.
Não farei coro com Sartre, a dizer que o Inferno são os outros, mas o Comércio é que leva à obrigação devota e clonada de afivelarmos, por uns dias, esta máscara de solidariedade e alegria, formais, sem mesmo reflectirmos, realmente, se estamos de bem com a Vida. E com os outros...


sábado, 12 de agosto de 2017

Dispersas e matinais


Se os relvados ainda estão verdes, graças à rega matinal mecânica, já apresentam, porém, grandes peladas acastanhadas pela falta de chuva. As flores dos aloendros, mal nascem, ficam logo meladas e definham, sem crescer. E, à volta das pobres oliveiras centenárias, o solo está juncado de azeitonas ainda verdes e raquíticas. Uma dor de alma!
A falta de água provoca uma acentuada luta pela sobrevivência do mundo da natureza.
Formigas endiabradas e vorazes esburgavam a carcaça de uma carocha pequena e negra, já morta.
No Mercado, as bancas de peixe tinham clientes, mas o talho estava vazio e às moscas.
A D. Irene tinha o seu lugar cheio de fruta e como lhe esgotamos os figos lampos ainda verdes, lançou, popular e críptica, o seu provérbio: "Na minha casa há mulher, na da vizinha envergonhei-me."
Não fora eu ter lido, há dias, uma nota de Leite de Vasconcelos sobre ditados portugueses, e ficaria preocupado e curioso, com o dito da D. Irene. Dizia o linguista e etnólogo português que nem sempre os adágios têm conceitos sábios ou claros. É necessário é que tenham rima. Seja ela disparatada ou erudita...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ementa


O Mercado estava às moscas. Se estivesse a Norte, chamar-lhe-ia: Praça. Ao contrário do que pensávamos, tinha aberto no 25 de Abril - mais um sacrilégio à conta deste liberalismo que vamos vivendo, indiferentemente. E a dona Leonor tinha a banca farta e diversificada, sobrante decerto do Dia da Liberdade. A Pescada a 9,80 euros, os Linguados a 15; um Choco gigantesco apresentava-se a 9, o Sargo ainda mais barato. E havia Polvo, mais umas Pescadinhas em círculo fechado, o vibrante Cantaril, as Petingas. Lulas pequenas, mas simpáticas e frescas, mais o Peixe Espada Preto, Pargo em muito boa conta, também, Pregado e Azevias, Carapaus médios e apetitosos - era um fartar, vilanagem!...
Fomos pela Caldeirada, também a bom preço, com Raia, Pata Roxa e duas postas de Perca-do-Nilo (aquacultura, já se vê*), para compor a miscelânea. Vou abrir um Grão Vasco branco, da Sogrape, para companhia. E que seja o que o deus Neptuno quiser...

* Nota posterior: por informação amiga (AVP) tive conhecimento que a Perca-do-Nilo não é produzida em aquacultura, sendo um peixe de água doce; nem sempre criado nas melhores condições...

domingo, 21 de agosto de 2016

Apontamento 85: Produtos da Terra



Embora correndo o risco de reincidir na temática, reafirmo o meu gosto pelas idas ao mercado e a compra de produtos frescos.

São, certamente, saudades desse quintal, já mítico, de média dimensão, que nos abastecia de batatas, hortaliça e fruta. No entanto, também não esqueci o trabalhão, que era, e o saber próprio para produzir e, de seguida, arranjar e conservar o necessário para o Inverno.

Assim, lá fomos nós, mais uma vez, a Almoçageme, mirando e comprando os produtos da terra reproduzidos acima. Desta vez, o objectivo era comprar rainhas-cláudias para as conservar em calda e para acompanhar a sericaia, pois considero o preço das ameixas de Elvas quase obsceno: 8,50 euros para um frasquinho de 8 e 10 ameixas ! A minha calda faz o mesmo e o resto do líquido ainda deu para doce de rainhas-cláudias, a pensar no próximo Inverno.



Como encontrei uns feijões amarelos – “feijão de cera”, como se dizia na minha juventude – preparei-os para acompanhar o nosso almoço de hoje.




E de fruta está a casa cheia !

Post de HMJ

domingo, 17 de janeiro de 2016

Mercearias Finas 109


Ainda as bancas se compunham, porque chegámos cedo, pouco depois das 8.
As amêijoas brancas e pretas buliçosas espirravam esguichos salgados, como caladas e serenas estavam os perceves (a 23 euros o quilo) que, do róseo pedicular ao negro da unha, juncavam o tabuleiro de metal esbranquiçado. A banca mostrava ainda búzios, camarões rosados e carabineiros, caracóis, sapateiras e mexilhões, num mar pequeno de cheiros oceânicos, e domésticos entre as paredes do Mercado.
Perdoe-se às lagostas não terem vindo, nem as ostras do Sado. Mas, para matar saudades do mar, já me bastava. E o Espadeiro minhoto, no seu rubi clarinho e puríssimo, a esfriar no frigorífico, há-de esperar pelo meio da tarde, para acompanhar a sapateira e as tostas apropriadas, na merenda de amigos.

domingo, 5 de agosto de 2012

No Mercado, logo pela manhã, com preços e tudo


Ver uma profissional competente "descascar" uma boa pescada e transformá-la em filetes, é um espectáculo digno de apreciação, logo pela manhã. A pescada, do alto, estava a 8,75 euros, mas nós tinhamos vindo por causa da sardinha que, fresca e apetitosa, se oferecia a 10,50, o quilo. Protestei. A filha (licenciada, mas trabalhadora) da dona da Banca que, hoje, estava de candeias às avessas com a mãe, replicou-me que, pelo Sto. António, tinha chegado aos 15 euros.
Entretanto o robalo e a dourada, pesca à linha e alto-mar, pousavam na Banca, por igual, a 17,50. Valia-nos o popular carapau pequeno, a 3,95 - e estava fresco. Lá vieram 6 sardinhas, bem cheias e gordas, como manda a lei. Mais uns pimentos vermelhinhos, pepino, umas simpáticas maçãs riscadinhas, pêssegos, e assim se foi compondo o almoço de domingo. Que será acompanhado por um Sauvignon Blanc, da Casa Santos Lima, em cuja Quinta o Herculano produzia, no séc. XIX, o melhor azeite de Portugal. Quando se abandonou à Lavoura e deixou, de lado, a História...