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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Últimas aquisições (34)




Li muito Júlio Dantas (1876-1962) durante a minha juventude, pelo menos até conhecer o Manifesto do Almada que me pareceu expurgatório. Mais tarde, vencidos os pruridos adolescentes e o politicamente correcto, voltei-lhe à carga nas leituras, porque o seu estilo sempre me pareceu pitoresco e a escrita, elegante.
Ontem, reincidi mais uma vez e por bem. Num dos já raros alfarrabistas lisboetas adquiri, usado e por 4 euros, o póstumo Páginas de Memórias (Portugália, 1968). E já vou na página 97...

Adenda temporal: bem vistas as coisas, Júlio Dantas não era mais nem menos do que um artista do regime, tal como hoje, a Joana Vasconcelos, salvo as devidas proporções estéticas. Embora o escritor trabalhasse sozinho. Ou mesmo Almada Negreiros, que se academizou nos últimos anos da sua vida.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Uma vida em cena


Se Mémoires (1985), de Alec Guinness (1914-2000), é reordenado por grandes temáticas, que definem os capítulos (Chère Martita, Vers le Rivage...), o diário My Name Escapes Me (1996), com prefácio de John Le Carré, é menos ambicioso, dando conta, dia a dia, de deslocações e viagens, de jantares amigáveis, de questões de saúde em que, apesar de tudo, o registo nunca perde um tom de optimismo mitigado e de humor sibilino, ou de ironia, que vai fazendo companhia à imparável velhice.
E se o último capítulo de Mémoires, é todo ele inconclusivo, pela tentiva de Alec Guinness tentar descobrir, em vão, a identidade do seu anónimo pai, o diário, de 1996, conclui-se na data em que o seu único filho, Matthew, completa 50 anos. Para trás, ficam esboços de retratos, humaníssimos ou pitorescos, de Gielgud, Edith Sitwell, Ralph Richardson, Peter Glenville, Hemingway e outros, numa galeria de afectos e de cordialidade de que, talvez, só Alec Guinness, apesar de actor, fosse capaz.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Pequena história (37)


Memórias, sabe-se que são, muitas vezes, uma forma de cristalizar, em primeira mão, uma biografia. Dissimulando ou expurgando-a dos episódios mais contraditórios ou menos recomendáveis, que o próprio não quer que passem à posteridade ou à História oficial.
Diz-se que o Marechal Pétain (1856-1951), ao ser-lhe perguntado porque não se decidia a escrever as suas Memórias, terá respondido: "Memórias, eu escrevê-las?! Jamais! Eu não tenho nada a esconder!"...

domingo, 28 de dezembro de 2014

Leituras : passado, presente e futuro


Uma das vantagens do Inverno é que acabamos por ler mais: o inóspito exterior e as longas noites, a isso convidam.
Findo que foi o primeiro livro das Memórias de José-Augusto França (Tomar, 1922), vou já a meio da leitura do segundo volume (em imagem), que se ocupa dos primeiros anos do século XXI, até 2012. Memórias movimentadas, com grande ritmo descritivo, importantes para quem queira conhecer ou se interesse pela vida artística portuguesa de grande parte do século passado. Espera vez, entretanto, a vida da rainha Victoria (1819-1901), levantamento histórico de um longo reinado, levado a cabo por um notável autor inglês de biografias - Lytton Strachey (1880-1932).