A alegria não é um mistério: é simplesmente uma sensação pura - que não se experimenta senão em raros momentos em que desaparece a obsessão de sermos vítima, em que não invejamos ninguém, ou perdoamos a todos, ou em que somos invejados por um deus.
A alegria: nada me diz respeito daquilo que me acontece, e além disso nada acontece ou pode vir a acontecer. É uma luz que se devora em si mesma, inesgotavelmente: é o sol nos seus inícios.
E. M. Cioran, in Cahiers / 1957-1972 (pg. 775).