Mostrar mensagens com a etiqueta Martinho Lutero. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Martinho Lutero. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lutero, segundo Cioran


É melhor que eu o reconheça: a própria ideia de combater, pelo que quer que seja, repugna-me e ultrapassa-me. Abandonei definitivamente a idade em que gostava de disputar, de me fazer valer, de me pôr à frente. Além disso, desde há anos, que eu não faço senão abandonar as minhas antigas posições, de me concentrar na renúncia. Quero que me deixem tranquilo.
E entretanto...
Mergulhei em Lutero. E aquilo de que eu gosto nele é a verve, o furor, a invectiva, a acção. Aqui está um homem que eu amo e que, no entanto, está nos antípodas dos meus gostos actuais, que queria provocar, modificar. Ele lembra-me o orgulho demente que eu tinha na juventude e, é por isso, creio, que ele me apaixona. Aliás, nunca deixei de me sentir atraído pelo seu temperamento, a sua saborosa grosseria, o seu profetismo realçado pela escatologia.

E. M. Cioran, in Cahiers / 1957-1972 (pg. 607).

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Favoritos LXXI : Lucas Cranach, o Velho


Dedicado amigo de Lutero, Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), que lhe pintou vários retratos, pôs a sua arte ao serviço das novas ideias religiosas e, por isso, a sua obra reparte-se entre os temas laicos e os da nova fé. É também um retratista notável da alta burguesia alemã, a que também pertencia.
Esta "Vénus Negra" (provavelmente assim intitulada pelo escuro do fundo) terá sido pintada em 1532 e integra o acervo do Museu do Hermitage. Escapou à vaga de vendas, um pouco indiscriminada, que os governos bolcheviques, para restaurar as suas debilitadas finanças, fizeram para o Ocidente. Como por exemplo a "Diana" de Houdon, adquirida por Catarina, a Grande, e vendida, discretamente, a Calouste Gulbenkian, em 1930. Que, hoje, integra o Museu Gulbenkian, de Lisboa.
Pouco conhecida, a obra em imagem, de Cranach, tem, para mim, a qualidade de uma obra-prima.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Recomendado : vinte e seis - Lucien Febvre


É um livro desconcertante, mas denso porque, embora escrito por um famoso historiador, Lucien Febvre (1878-1956), não é necessariamente um livro de História. Por outro lado, sendo uma biografia, ultrapassa largamente os seus limites factuais. Muito bem documentado, foi um livro marcante na minha juventude, porque tratando, desapiedada e desapaixonadamente, a figura controversa de Martinho Lutero, tenta fazer-lhe justiça à luz da sua época, justificando as razões das suas atitudes.
Voltei a ler "Martinho Lutero - Um destino", há dias, e reforcei a minha impressão e convicção de que não sendo um livro de leitura simples ou linear, mas complexo, é uma obra singular que vale a pena ler, por isso, aqui o estou a recomendar a quem se interessa pela história das religiões e pelas paixões humanas. A primeira vez que o li, fi-lo em francês, pelo texto original (1928). O que se apresenta em imagem, também na minha posse, é a 1ª edição em português, editado pela Bertrand, em 1976 - que deve estar esgotada. Mas a Texto Editores, reeditou a obra, recentemente (2010).

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Acefalia aguda


Realmente, só sofrendo de acefalia, sendo muito "cool" e afectado penosamente (decerto) por uma patologia terminal de paciência franciscana, levada até ao misticismo e ao sacrificio extremo, se conseguem suportar algumas coisas, sem disparatar fragorosamente. Eu conto: uma criatura, porventura disléxica e apoucada, escreveu curiosa para o Google as seguintes search words gaguejantes: "jogo do ben 10 luteto co u  rex". Pois, na sua caridade cristã, servil e, também, acéfala, o motor de busca do Google indicou-lhe, sorridente e às cegas, um poste aqui no Blogue. (Que mal fiz eu a deus, para assistir a tudo isto?!). O poste é sobre um dístico de Martinho Lutero e foi colocado a 10 de Novembro de 2011. No mínimo, o Google, às baldas, tresleu Lutero por "luteto", coitado, rural e americano. 
Em tempo: este poste anterior teve uma consulta, e única, até hoje, proveniente da Santa Sé. O Vaticano não deve precisar, obvia e cristamente, do Arpose para nada. Dada a sua sabedoria milenar, mesmo sobre Martinho Lutero.
(Desculpem-me esta insistência obsessiva sobre as search words e o Google, mas a estupidez é tanta, que a gente tem que desabafar, de vez em quando.) 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Martinho Lutero (10/11/1483-18/2/1546)


"Deus é a segura fortaleza,
A melhor arma e defesa."

M. Lutero, do "Livro de Cânticos de Klug" (1529).

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pinacoteca Pessoal 8 : Lucas Cranach, o Velho


É um dos pintores renascentistas alemães preferidos por mim. Nascido por volta de 1470 (1472?), Lucas Sonder ou Lucas Cranach, o Velho, veio a falecer em 1553. Pertencia a uma família de pintores e o seu filho veio, também, a seguir a mesma carreira. Lucas Cranach passou grande parte da sua vida em Wittenberg sobre o Elba, mas o seu apelido (Cranach) terá vindo provavelmente, por deturpação, do local de nascimento: Kronach. Foi pintor oficial da corte do Eleitor da Saxónia, e amigo de Lutero, de quem fez vários retratos.

A sua pintura alguma coisa deve a Dürer e Grünewald. Mas o traço das suas mulheres jovens, esguias e elegantes, é inconfundível. A pele evanescente, os olhos amendoados, os rostos cuja expressão espelha malícia, se não perversidade, ou determinação, são a sua marca de água mais evidente.

Talvez a "Salomé" das Janelas Verdes (MNAA), seja o quadro que prefiro, de Lucas Cranach, mas já consta do arquivo do Arpose (19/7/2010). Por isso optei por esta "Vénus e Cupido" que se guarda num Museu de Berlim.

para H. N., pela atenta Amizade, e com gratidão.

domingo, 27 de junho de 2010

Citações XXXV : Martinho Lutero


"Quem não gosta de vinho, de mulheres e de canções, será um tolo toda a sua vida."

Martinho Lutero (1483-1546).