A verdade será, também, por entre as nossas dúvidas, confessar as nossas próprias deficiências. Ou perceber os nossos limites.
Nunca fui familiar próximo da Filosofia e, aí, estou - creio - em consonância com a maioria dos portugueses. Porque também só com extrema boa vontade poderemos assinalar dois ou três nomes de "verdadeiros" filósofos, ao longo de toda a história portuguesa.
Li, e creio que compreendi, G. Berkeley, Pascal, Descartes, Kierkeegaard, Schopenauer, Nietzsche, Bergson, e alguma coisa dos Pré-socráticos. Por aí me fiquei, de algum modo. Spinoza já me criou dificuldades ou, se quisesse justificar-me airosamente, diria: aborreceu-me...
Mas também em poesia, às vezes, me acontecem dificuldades de leitura: nunca consegui entrar nos poemas de Paul Celan, mesmo através de traduções francesas. A espessura - para falar de prosa - de Maria Gabriela Llansol, nunca se me desvendou em claridade de entendimento. E, voltando à Filosofia, também tenho extrema dificuldade em ler Heidegger, mas insisto. E se penso que os seus postulados e proposições são minuciosos e lentos no avançar, caminhando a passo de caracol, mas exaustivos, como se fossem explicados para crianças, também me acontece perder-me, algumas vezes, nesse labirinto de reflexão.