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quinta-feira, 24 de março de 2022

Uma fotografia, de vez em quando... (156)



Húngaro, de ascendência judaica, o fotógrafo Nicolás Muller (1913-2000) teve uma formação em Direito mas cedo abandonou a advocacia para se dedicar à fotografia, sem preocupações de maior, visto que a família tinha boas condições financeiras.



Com o advento do nazismo viajou pela Europa ocidental e mais tarde por Marrocos. Também andou por Portugal e o seu portefólio sobre o nosso país é notável (mais de 70 fotos) e dele se fez, em 2016, uma exposição em Cascais. A partir de 1948, Muller fixou-se definitivamente em Espanha, onde veio a falecer.



Como curiosidade, registe-se que ao entrar pela primeira vez em Portugal foi detido em Vilar Formoso e, mais  tarde, foi preso, durante 15 dias, pela Pide, na cadeia do Aljube.




quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Uma fotografia, de vez em quando (67)


Gaëtan Gatian de Clérambaut (1872-1934) era descendente, por via materna, de Alfred de Vigny, e, do lado paterno, os seus ascendentes chegavam a Descartes. Exerceu psiquiatria, em França, e era um profissional muito considerado. Jacques Lacan, anos mais tarde, considerava-o o seu único mestre. Quase cego, por problemas de cataratas, Gaëtan suicidou-se a 17 de Novembro de 1934. Morreu solteiro.
Para além da psiquiatria, dedicou-se, também, intensivamente à fotografia, e o seu acervo conhecido é composto por cerca de 30.000 fotos. Mais do que a qualidade estética da sua obra, o que surpreende é que, a grande maioria das suas fotografias registam mulheres árabes (Marrocos) veladas, numa obsessão ou delírio que nos parecem singularíssimos e estranhos, mesmo para a época.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Expectativas


A menos que uma senilidade precoce nos faça reverter, balbuciar alucinações, a idade consegue reduzir, salutarmente, aquilo que se pode esperar de um ano novo, de um novo ciclo, natural, que começa. Se pedirmos pouco, alguma coisa nos há-de ser dado a ver, a fruir, em suma: a viver. Mas para quem nada tem, tudo o que vier é um acréscimo, um milagre abstracto, uma maravilha que só a Vida pode trazer. A Verdade ( com letra grande) também passa por aqui. E é preciso lembrá-lo, nestes tempos de incerteza.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Al Mu' tamid (1040-1095)


Tudo tem o termo p'ra que corre,
Como os seres a própria morte morre.
O destino tem a cor de um camaleão
Que é variável de seu próprio estado,
Somos jogo de xadrez em sua mão:
Perde-se, talvez, o rei por causa do peão.
A terra fica erma, o homem enterrado.
Este mundo vil nunca responde
Ao enigma do Além: Agmat o esconde.

Al-Mu'tamid

Nota: Al-Mu'tamid nasceu em Beja (1040), veio a governar Silves, e Sevilha. Derrotado e exilado, acabou por morrer em Marrocos (Agmat), em 1095, onde escreveu sentidas elegias e o seu próprio epitáfio. A tradução do poema deve-se a Adalberto Alves, e está incluido na antologia "O meu coração é Árabe" (Assírio e Alvim, 1987).