Chove, miudamente. E parece que toda a semana há-de chover, num destino que Janeiro traz consigo.
Na Tabacaria iluminada, onde vou comprar o jornal e tabaco, um homem de meia idade e sorriso prazenteiro obstina-se em desejar Bom Ano!, a todos os entrantes. Digo-lhe que não o conheço, mas aceito, e agradeço. A empregada, afável, explica-me que ele faz isso com todos os clientes...
Decidido que está o sentido do meu voto, para 24/1, não me tenho preocupado, excessivamente, em presenciar e avaliar os debates entre os candidatos. Mas tem ocorrido que, entre os zappings que faço, tenha ouvido pequenas partes de alguns. Mornos e pouco empolgantes. Admira-me, no entanto, a feroz agressividade de alguns jornalistas-moderadores(?). Na melhor esteira das Marantes, das Guedes, dos Santos orelhudos, das Sousas... Intimidados, os presidenciáveis, até parecem tímidos e com sentimentos de culpa. E lá vão, constrangidos, debitando banalidades.
Dá-me para a nostalgia e para me lembrar do profissionalismo de Letria e de Maria Elisa, excelentes perguntadores que permitiam a conversa amena e o esclarecimento útil. A minha melancolia, no entanto, é capaz de vir da chuva... Que continua a cair, miudinha e persistente.