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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Insólito


Se bem que eu tente acompanhar de perto as movimentações em torno e as visitas ao Arpose, foi por mero acaso que me dei conta, ontem, de que um poste recente ( Aditamento: ainda no rescaldo de leitura da correspondência de Camus / Casarès, de 6 de Fevereiro de 2019 ) tinha tido um número enorme e inesperado de visitantes - 643! Vindo a ocupar assim, num espaço relativamente curto de 9 dias, a décima posição no ranking das visualizações mais frequentadas no Blogue.
Não sei explicar a que se deve esta atracção tão insólita e improvável, sobretudo, pela intensidade.
Mas aqui fica registada, para que conste.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Aditamento : ainda no rescaldo de leitura da correspondência Camus / Casarès


Muitos dos nossos ódios de estimação são difíceis de explicar. Viscerais e, muitas vezes, puramente instintivos, sem fundamento concreto e racional, para os outros.
Na troca de correspondência entre Camus e Casarès, ressaltam várias antipatias expressas. Maria Casarès refere várias vezes a escrita pretensiosa de Margarite Yourcenar e o tédio que está a sentir, bem como a dificuldade que está ter com a leitura de Memórias de Adriano. Curiosamente, já René Char, grande amigo de Camus, antipatizava muito com o estilo literário da escritora belga...
Quanto a Albert Camus, ele expressa, depreciativamente, a pobreza dos diálogos de Georges Simenon.
Para memória futura, aqui ficam estes dados e sentimentos negativos que me parecem injustos. E meramente emocionais.

Curiosidades 71


Ler correspondência amorosa alheia tem qualquer coisa de devassa ou de pecaminoso, muitas vezes. Entrar numa intimidade apaixonada, faz-nos sentir culpados dessa intrusão importuna, que os amantes, se fossem ouvidos antes, por certo não permitiriam e achariam, no mínimo, despropositada e deselegante.
Pois, tenho vindo a ler Correspondance / 1944-1959 (Gallimard, 2017) que compreende as cartas trocadas entre Maria Casarès (1922-1996) e Albert Camus (1913-1960), no decurso da sua relação amorosa. Mais ancoradas no real, as missivas de Casarès, mais intelectuais, as de Camus.
Não farei transcrições de sentimentos, nem de derrames emotivos. Mas, no decurso da leitura, apercebi-me que havia apenas referência a um nome português, aliás gralhado: Amalia Rodriguez (sic). Essas linhas elogiosas surgem na página 1067, em carta de 24 de Abril de 1956, de Camus para Maria Casarès.
Passo a traduzi-las:

"Sábado, a Virgínia tirou-me da sonolência 1) para ir ouvir Amalia Rodriguez cantar fados no Olympia. Admirável criatura, poética, apaixonada, e eu vim de lá completamente conquistado. É preciso comprar os seus discos. Mas faltará uma presença, que é a sua!"


com os maiores agradecimentos a MR.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Camus e a felicidade


Sob a chancela da Gallimard, saiu em 2017, um grosso volume contendo 865 cartas da correspondência trocada entre Albert Camus (1913-1960) e a grande actriz francesa, de origem espanhola, Maria Casarès (1922-1996), que terá sido - pese embora a relatividade da classificação - o grande amor, na vida, do romancista francês. O volume foi organizado por Catherine Camus, filha do prémio Nobel de 1957.
Neste caso, eu diria que é legítima, aquela que chamo a coscuvilhice nobre e, assim, ter a tentação de comprar e ler o livro...


Da intensidade desses afectos, de expressão mais intelectual nas cartas de Camus e mais fortemente terrestre, nas de Casarès, têm falado os críticos literários, que saudaram efusivamente a publicação do livro. Não resisto a transcrever, do penúltimo TLS, um retrato original, que dele traça John Fletcher: "Embora ele (Albert Camus) não fosse convencionalmente bonito, as suas feições - um cruzamento entre Fernandel e Humphrey Bogart - atraiam as mulheres."
E por onde andaria a felicidade, no meio destes dois seres humanos, que deram o seu melhor ao Teatro? Há que dar, naturalmente, a palavra final a Albert Camus...


Palavras estas que não deixam de ser acompanhadas por uma sábia e subtil ironia.