Numa sua recensão crítica, no TLS (nº 5875), o escritor e filósofo inglês Roger Scruton (1944), professor convidado da Universidade de Oxford, ao abordar o volume (traduzido) de Vargas Llosa, Notes on the death of Culture, epígono da obra de T. S. Eliot (Notes towards a definition of Culture, 1948), permite-se um tom irónico, muito british na sua essência, ao caracterizar as diferentes formas de cultura. Porque o texto me divertiu imenso, vou traduzir, de forma livre, um pequeno excerto dessa recensão bem humorada. Assim:
"... Há segredos que é preciso saber descriptar, ao contrário de outros, que são permissivos livros abertos. Ao contrário da cultura pop, a alta cultura é algo que não se pode consumir. É alguma coisa em que apenas somos iniciados. E que tem um efeito transformador na nossa vida, e uma vez partilhada, tudo muda - amigos, amantes, companhias, actividades, dia a dia e lazer. Algumas vezes, é verdade, acontecer beijarmos uma rapariga, mesmo quando ela não saiba distinguir o prelúdio menor do Livro primeiro de Bach, da Opus 48 do Livro II; mas esses beijos não foram verdadeiros beijos: eles pertencem ao mundo da ephemera, e não à vida autêntica que deve ser vivida. Bem assim como à diferença entre a pop e a clássica aplicada a beijar como deve ser. Não reconhecer isso, é trair tudo aquilo que aprendemos com F. R. Leavis, Eliot e D. H. Lawrence. ..."