Aqui há trinta anos, habituei-me a vê-las a partir de Alcácer do Sal, e a Sul. Há dois ou três anos consegui avistar algumas sobre o Mondego, pouco antes de Coimbra, e fiquei surpreendido por vê-las tão a Norte. Nesses tempos, era sobretudo nos campanários das igrejas que as cegonhas faziam os seus ninhos. Alguém as foi ajudando, entretanto.
Ontem, em redor da Marateca, pelas terras do Sado, vi imensos ninhos de cegonha, artificiais mas a servir o nobre exercício de berçários, colocados nos postes de alta tensão da REN. E quase todos me pareceram habitados, pelos longuilíneos pescoços que assomavam. Pareciam um bairro social aéreo, nascido da solidariedade humana para com as aves.