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terça-feira, 2 de julho de 2013

O "cadavre exquis", ou a II Brigada do Reumático


Não saberão os mais jovens ou aqueles que ignoram a história portuguesa mais recente, por se dedicarem mais fervorosamente à história americana ou do mundo internacionalista, mas, a 14 de Março de 1974, houve uma manifestação de apoio e desagravo ao então Presidente do Conselho Marcelo Caetano, por parte da maioria dos oficiais Generais portugueses, liderados por Paiva Brandão, que botou discurso. Já o Estado Novo estava apodrecido e moribundo. E, isto, apenas 2 dias antes do abortado golpe das Caldas e cerca de 40 dias antes do 25 de Abril. A esta manifestação orquestrada chamou-se, pelo patético da situação : a Brigada do Reumático. Se, porventura, houver no Parlamento uma moção de confiança ao governo de Passos Coelho, o Paiva Brandão desta reedição da Brigada do Reumático, terá com certeza o nome de Luis Montenegro. Há nisto, por ironia, várias coincidências. Uma delas, é o facto de Passos Coelho ser do mesmo signo astrológico de Marcelo Caetano. Muito embora Thomaz tivesse larga experiência de tempestades marítimas e o actual PR, não. E sejam de signos diferentes.
Entretanto, não haverá ninguém que nos livre de um pesadelo Seguro, no futuro? É que de Spínola, já eu tive que me baste. E, esse, ao menos, tinha experiência...
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Para final do dia, e em jeito de inventário


Muito honestamente, sem pretender branquear o passado, se eu comparar o dia de hoje com o mesmo dia, aqui há 40 anos (1/5/73), sob o consulado do Presidente-marinheiro e de Marcelo Caetano, tenho de dizer que, tirando a falta de liberdade de expressão e manifestação, e a existência da polícia política (DGS), havia mais respeito pelos direitos constitucionais (mais restritivos, embora) dos cidadãos. E havia, sobretudo, mais esperança em dias melhores.
Hoje, com o cacique rural de Boliqueime, em Belém, e o Coelho de Massamá, em S. Bento, tendo à volta a mediocridade quase geral de amanuenses burocratas, o futuro não oferece nem garantias nos direitos constitucionais, nem esperança. Não trocava de Tempo, mas estamos, francamente, pior, pela experiência dos tempos por que passei. E tenho que, humilde e melancolicamente, o confessar. Há que dar uma volta a isto, seja como for. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Entre a usurpação e a primavera, dita marcelista


O que vou escrever será, porventura, polémico.
Mas penso que, qualquer cidadão português consciente, hoje, deve sentir algo de semelhante ao desconforto que sentiam os portugueses aquando da usurpação filipina entre 1580 e 1640. E, nesse período, até houve, por pequenos períodos, governantes de origem portuguesa, muito embora todos soubessem que eram meros títeres de Madrid. Hoje, não é só de Madrid. Porém nesse tempo houve sempre a esperança da libertação e do regresso da independência. Hoje em dia, haverá?
Por outro lado, e noutra época, na dita "primavera marcelista", onde também houve esperança, permanecia também uma ditadura disfarçada, mais subtil. A Pide transformara-se em DGS (com os mesmos métodos de repressão), havia alguma (muito pouca) liberdade e os trabalhadores, pouco a pouco, iam vendo uma pequena melhoria dos seus salários (normalmente miseráveis) e de alguns direitos secundários. Mas, e apesar de tudo, parecia haver uma moral ou uma ética em alguns dos governantes - talvez de obrigação cristã, talvez hipócrita... E havia uma elite política oposicionista, e de intelectuais esclarecida, patriótica, corajosa e aguerrida que permitia olhar o futuro com alguma esperança para Portugal.
E, hoje, haverá?