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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

No melhor pano cai a nódoa...

 

Isto das editoras, na sua grande parte, quererem poupar dinheiro ao despedirem os revisores, tem os seus custos perniciosos. A Asa Editores S. A., ao editar este livro do embaixador Marcello Duarte Mathias (1938) deveria ter tido mais cuidado para não manchar o nome ao diplomata. Exemplifiquemos:
na página 353, do livro em imagem acima, pode ler-se - " A emergência da democracia-cristã na Itália; as relações entre a política e a Igreja; Paulo VI e Salazar em Fátima em 1962. Vaticano II."
Ora como se sabe, nesta altura, em Roma pontificava João XXIII. Paulo VI esteve em Fátima a 13/5/1967. Daqui se conclui que nenhum responsável da editora terá lido as provas deste livro com a atenção devida.

sábado, 14 de setembro de 2024

Citações CDXCV

 


Não sei se será justa, embora cruel, a caracterização que colhi no Diário de Paris / 2001-2003 (página 114), de Marcello Duarte Mathias (1938), sobre estes sul-americanos:

"É conhecida a definição caricatural do argentino como sendo um italiano que fala mal espanhol, anda convencido que é francês, e que no fundo gostaria de ser inglês."

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Medicina e diplomacia

 

Inesperada oferta amiga de dois títulos que, sendo de autores afastados dos meus quadrantes ideológicos, prometem seguramente elegância de escrita e reflexões apuradas.



Acresce ainda que os dois livros ostentam dedicatórias manuscritas dos seus autores, um médico conhecido já falecido e um diplomata ainda vivo.
Agradecimentos a H. N..

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Últimas aquisições (45)

 

Comprei o livro talvez por desfastio, mas só depois reparei que se tratava de uma antologia de autores diversos portugueses (de Alçada Baptista a P. Varela Gomes), sobre o tema, escolhidos pelo Embaixador. Com certeza que a selecção tenderá, na oblíqua, para a direita, só espero é que tenha bom gosto nos textos incluídos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Do que fui lendo por aí... 45

Citando:

Do nosso amigo Robert Perroud sobre um dos nossos escritores: «Não escreve mal, mas tem por vezes a escrita obesa.»
Também na prosa, tal como no talho, eliminar a gordura é a primeira prioridade. Com uma diferença, todavia: há que conservar o nervo.

Marcello Duarte Mathias (1938), in Diário da Abuxarda 2007-2014 (pg. 174).  

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

As palavras do dia (43)


No mundo anglo-saxónico, as instituições moldam aqueles que as servem; nos países latinos, e muito especialmente em Portugal, são as pessoas que fazem as instituições. Uma nomeação errada e todo um projecto fica comprometido.

Marcello Duarte Mathias (1938), in Diário da Abuxarda (pg. 45).

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Do que fui lendo por aí... 43

O livro é de leitura agradável, convidando à fluidez natural dos temas e à elegância da escrita. O autor, pertencente a uma dinastia que se foi perpetuando nas Necessidades, reuniu no volume textos vários já publicados em revistas e jornais (JL, sobretudo, Grande Reportagem, Semanário...), abordando assuntos literários, políticos, sociais. Escolhi umas linhas, da página 290/1, em que Marcello Duarte Mathias (1938) fala de enologia e Cascais, assim: "Das coisas que me divertem, logo que chego a Portugal, é ir ali a uma loja de vinhos em Cascais abastecer a minha mini-cave com meia dúzia de boas garrafas de tinto e branco, é sempre dinheiro bem gasto. Não sendo, todavia, grande enólogo, aconselho-me com um senhor simpático que trabalha no local e que já conhece os meus gostos e preferências. Lá me vai recomendando uns brancos secos, mas não muito, uns tintos leves e saborosos de cor fina até acertarmos naquilo que procuro. E ali me deixo ficar um bom pedaço naquela penumbra convidativa, a admirar o figurino e a elegância das garrafas, alinhadas nas prateleiras de madeira como livros ao longo duma estante, os rótulos e os pormenores que referem as regiões donde provêm..."

Percebi o porquê da minha preferência e selecção do texto do Embaixador, lembrando-me que em meados dos anos 70 também por lá andei (Cascais), e dessa (creio) loja trouxe uns Messias Garrafeira Particular, brancos, e uns Colares Chitas, tintos, que deixei amadurecer na minha garrafeira para proveito meu, da família e de bons amigos que me acompanharam à mesa, anos depois.

grato reconhecimento a H. N., que me proporcionou esta leitura amena.

domingo, 26 de abril de 2015

Faça, você, a sua!


Não consigo descortinar o que leva um escritor ou um artista, até mesmo, um simples ser humano a elaborar listas de preferências ou de gosto. Alberto Manguel tem, por exemplo, várias. Listas que, por sua vez, exercem uma certa atracção e curiosidade nos outros e que são, muitas vezes, um estímulo para que eles formulem as suas, também, mesmo que silenciosa e intimamente. Talvez num esforço ou para proclamarem a sua identidade e diferença.
Marcello Duarte Mathias (1938), embaixador aposentado, não foge à regra, na sua obra Diário de Paris/2001-2003 (Oceanos, 2006).
A sua lista de "Perfis marcantes da história de Portugal" contém, entre outras, as seguintes personagens:
o mais temível: o marquês de Pombal;
o mais desprezível: Cristóvão de Moura;
o mais cativante: Luís de Camões;
o mais espalhafatoso: o duque de Saldanha;
o mais vaidoso: António Spínola;
o mais lúdico: António Botto;
o mais pessimista: Oliveira Martins;
o mais poliédrico: Almada Negreiros;
o mais triste: D. Manuel II;
o mais enigmático: Fernando Pessoa;
o mais senhoril: Óscar Carmona.
Partindo do princípio que tudo isto é uma espécie de jogo e que pode servir para ocupar tempos livres, posso concordar e imaginar o apodo do marechal Carmona, mas tenho uma extrema dificuldade em entender o lúdico colado a António Botto...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Leituras


Acabado que foi, com extremo proveito, o livro de G. Steiner, iniciei já a leitura do livro em imagem que, o meu amigo H. N., gentilmente, também me emprestou, depois de o ler. O gesto, em si, é uma garantia antecipada.
Sentimentos contraditórios, no entanto, me atravessam - ignorado que foi o prefácio, parcialmente, que pouco vale ou acrescenta -, logo nas primeiras páginas: vou na trigésima terceira, das 403 de texto.
Agrada-me o estilo (elegante, sóbrio, com períodos curtos), algumas histórias da pequena história que, com insuficiente e prático conhecimento, me fazem concluir que a vida de um diplomata, muito raramente, tem riscos; as mais das vezes, benesses e muito tempo livre de lazer. Mas, ao mesmo tempo que deslizo, com gosto, pelas páginas fluidas e vaporosas, irrita-me também, um pouco, o tom sobranceiro (que não chega a ser elitista, inteligentemente), e alto, do contador. Mas não se pode ter tudo: sol na eira e chuva no nabal...
Retenho uma frase, do que já li - "Ninguém envelhece bem, envelhecer é cruzar-se com o rancor."  Lembro-me (excepção?) de uma velhice exemplar e simpática, a que assisti. O contrário pode existir.
E, talvez incomodamente, me sinta dividido, na prossecução da leitura, como a raposa perante as uvas, na fábula de Esopo. Que se me aliviem os pecados, em função da auto-crítica que faço, por aqui.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Castas


Famílias há, em que as vocações se perpetuam, um pouco por devoção atávica, conveniência ou por hábito acomodatício. Até, quem sabe, por adaptação genética, inexplicável. Assim acontece, por exemplo, na sucessão de escritórios de advogados, consultórios médicos em que as gerações se eternizam, como que num determinismo inexorável e previsto. O mesmo acontece com muitas famílias políticas: Kennedy, Papandreou, Gandhi (Nehru), Soares... Apesar de tudo, nestas dinastias, referidas atrás, haverá sempre algum risco possível ou, nalguns casos, a ousadia e ambição de ir mais longe do que os antecessores - embora nem sempre bem sucedidas, nem isentas de algum perigo de carreira.
Mas dei-me conta, ao longo da leitura de um livro do embaixador Marcello Duarte Mathias (Diário da Índia - 1993-1997), como a casta de diplomatas - que quase nada arrisca - ao longo de gerações tem, quase sempre, o futuro assegurado, colhendo, por educação, mimetismo e contactos privilegiados, os lugares que os seus antecessores também tiveram, no passado, sem dificuldades de maior. Bastará, apenas, prudência, gradual adaptação a novos regimes políticos, camaleonismo e alguma inteligência no saber viver, em altas esferas.
E é curioso como o único embaixador, que sai "fora do baralho", porque não pertencendo, por família, à casta dos intocáveis, de nome Fernando de Castro Brandão - que, por acaso, eu conheci, ainda jovem universitário - é, também, o único que é beliscado, diplomaticamente, por M. Mathias, como sendo "trocista e truculento" (pg. 300).
Creio que está tudo dito...

terça-feira, 6 de maio de 2014

Miscelânea de Oeste


Entre a diligente Marta que serpenteia por entre as mesas, para nos servir, e as 5/6 ondas sucessivas e paralelas que, suavemente, morrem na praia, interminavelmente, vou olhando as Berlengas ao longe, fixas como cachalotes antigos incrustados no mar. A praia vai deserta e limpa com o vento ligeiro de Maio, que alisou a areia sobre as rochas invisíveis.
Do sono me desperta um telefonema nimbado de desespero, que me pede conselho. A voz amiga, a quem não pagam o trabalho extra, há já dois meses, pergunta-me o que deve fazer. E eu, mal desperto, dificilmente consigo atinar uma resposta que não seja violenta, face a tal injustiça. Mundo cão, este, em que nem sequer há hombridade para ensaiar uma explicação humana, perante quem precisa de trabalhar diariamente para o seu sustento.
Volto-me para o inefável, das altas esferas, através do livro (Marcello Duarte Mathias, Diário da Índia, 2004) que mão amiga me deixou pousado sobre a mesa, na casa emprestada:
"...Gisbert narra que a inimizade entre Mittérrand e Rocard levou o primeiro a estabelecer uma lista de possíveis presidenciáveis em que Rocard aparece em sexta posição, logo a seguir ao cão de Mittérrand situado, esse, em quinto lugar.
A este propósito, a Helena Vaz da Silva contava-nos ontem ao jantar que Cavaco, instado a responder nos mesmos moldes, havia esclarecido: «No meu caso, teria de colocar o meu cão mais acima!» "(pg. 58)
Sem dúvida, que outros mundos caninos, mas a mesma desumanidade...

domingo, 26 de janeiro de 2014

Pessoana e diplomática, já antiga


"O pobre do Pessoa transformado hoje no drugstore do pensamento nacional."

Marcello D. Mathias, in Diário da Índia - 1993- 1997 (Gótica, 2004).