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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Os Trabalhos e os Dias 7: Outras Histórias



Os objectos mais vulgares do nosso quotidiano escondem, frequentemente, uma História, com letra maiúscula, interessante e apaixonante. Tais Histórias enquadram-se, normalmente, em áreas afins – quiçá de ciências auxiliares – independentemente da sua utilidade para uma imensa minoria de investigadores.

A reprodução do livro em epígrafe, publicado em Julho de 2015, dá-me o mote para falar dessa imensa minoria que se dedica ao estudo e à História do Papel em Portugal. A autora, Maria José Ferreira dos Santos, fala-nos do “percurso milenar” do papel para se centrar, sobretudo, no aspecto mais apaixonante, a saber, da filigrana e da marca de água do papel.

Para os menos informados e versados na matéria, explica-se, então, que a palavra  filigrana, para além de outros significados, “corresponde à figura formada por finos fios metálicos, cosida ou bordada sobre a superfície da teia da forma” – moldura que segurava a “papa” de trapos – e que “ocasiona áreas de uma maior transparência, visíveis em contraluz. Ou seja, a filigrana dá origem a uma marca na folha de papel chamada marca de água.”


Ora, o livro em apreço apresenta, portanto, o resultado de um projecto de investigação, registando marcas de água em documentos – manuscritos ou impressos – provenientes dos acervos da ANTT, BNP e BPE – que integram a colecção da Tecnicelpa.

No espaço europeu existem, de facto, estudos muito interessantes sobre a História do Papel, para além de bancos de dados de marcas de água – acervo indispensável para investigações documentadas. Para Portugal dependíamos, para além de contribuições parcelares e avulsas, do trabalho pioneiro de Ataíde e Melo que reproduziu algumas marcas de água.

A actual publicação, acompanhada do respectivo cd-rom com imagens, vai no bom sentido de dotar o país de um banco de dados – da MARCAS DE ÁGUA – tão necessário como interessante.

Um agradecimento especial aos artífices na reprodução das marcas de água.


Para o A.de A.M., obviamente

Post de HMJ

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Da Janela do Aposento 37: Tornar visível


Para quem se dedica à observação atenta e ao estudo do livro antigo, sabe, perfeitamente, que as revelações surgem e surpreendem a cada passo, i.e., a cada olhar. São os pormenores do material tipográfico usado, os detalhes na composição da mancha gráfica ou na impressão que se vão somando e gravando na memória visual. Aconselha-se, contudo, que o registo visual das imagens, sendo humanamente limitado no tempo, se grave, por escrito, para memória futura.
Acrescenta-se, ao prazer de observação do livro antigo, o gozo supremo de o manusear quando o objecto é nosso, permitindo tornar visível o que, frequentemente, fica escondido no meio das letras, ofuscado pela tinta e apenas visível a contra luz. Trata-se, portanto, das marcas de água, ou seja, aqueles símbolos que os fazedores de papel, como demonstra a imagem acima, usavam para deixar a sua marca e atestar a origem do papel. 


Partilho, pois, com os meus leitores, duas marcas de água que fizeram o meu encanto ao fim do dia. Um unicórnio 1, grande, pai ou mãe, e um pequenino, filho, que surgiu quase no final do livro.


P.S. A câmara digital, como recurso rudimentar, não permite transmitir uma imagem mais nítida.

Post de HMJ, dedicado a JAD