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sábado, 24 de junho de 2023

Do que fui lendo por aí... 58



Vai sendo uma releitura, até porque em ficção, actualmente, não arrisco uma maçada. E Graham Greene (1904-1991) é um lugar seguro, para mim. Ora atente-se ao pitoresco deste pormenor, na página 120: Enquanto Yusef ainda falava, Scobie adormeceu numa daquelas sonolências que duram alguns segundos, precisamente o tempo para reflectir sobre qualquer coisa que nos preocupa,... ( e não é que eu tenho um amigo a quem acontece isto, de vez em quando?!).
Curioso, no interior do livro, que comprei usado, vinha um marcador original da Editora Ulisseia, antigo e simples. Sendo a obra de 1956, diria que é um pioneiro raro...

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Mercearias Finas 146


Vai hoje a temática do poste, maioritariamente, em transcrição do livro Uma História Saborosa do Mundo (Casa das Letras, 2008), até porque, em matéria gastronómica, de Coimbra e Viseu não trouxe recordações de maior. Para lá de uma merenda ajantarada de convívio ameníssimo, em casa de um grande amigo que já não via há muito.
Actualmente, é difícil imaginarmos a preciosidade que representavam as especiarias para os nossos avoengos de quinhentos. Elas foram também, por motivos de comércio, uma das razões dos descobrimentos e fizeram algumas fortunas, sobretudo entre os nobres e alguns navegadores.
Mas o melhor será dar a palavra a Kenneth F. Kiple (1939), através de um pequeno excerto da página 134 da sua obra, acima referida.
Assim:

As cidades portuárias, como Lisboa, Londres, Dublin e Amesterdão enriqueceram com o comércio das especiarias, tal como cidades continentais como Constância, Augsburgo e Nuremberga. Todavia, as especiarias orientais, com inúmeros intermediários a subirem os preços ao longo do percurso, tornaram-se demasiado caras mesmo para os ricos. Um documento alemão de 1393 indica que meio quilo de noz-moscada valia sete vacas gordas e meio quilo de gengibre dava para comprar uma ovelha. A gente do povo, excluída do mercado das especiarias exóticas, tinha de se contentar com as plantas amargas regionais. Entre as mais adequadas, contavam-se os cominhos (Carum carvi), a genciana (género Gentiana), o zimbro (Juniperus communis) e o rábano picante (Armoracia rusticana).

com agradecimentos, dúplices, a A. de A. M. e a A. J. R. M. M.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Adagiário CCLVI


A indústria, para ser eficaz, tem de acompanhar as flutuações da moda ou os novos interesses do público.
Assim se explica que, actualmente, uma boa parte dos livros que se publicam venham já acompanhados de marcadores alusivos à obra, publicitando também a editora. É a constatação do facto duma intensificação de interesse no coleccionismo de marcadores de livros.
Outro tanto tem vindo a acontecer com os pacotinhos de açúcar que as Cafeeiras vendem com o seu produto principal. Pululam séries temáticas, algumas bem criativas e originais. Outras com design arrojado e bom gosto estético, que nos surpreendem e nos motivam para pequenas colecções que vão surgindo nos mais diversos blogues, através de imagens sugestivas.
Desde sempre me interessei por adagiários, que traduzem a sabedoria ancestral dos povos nos mais diversos aspectos da vida prática, quer nos seus aspectos mais sérios, mas também, por vezes, galhofeiros e atrevidos. Por isso, não posso deixar de saudar esta nova temática dos pacotinhos de açúcar do Café Sical, consagrada aos rifoneiros internacionais.
De uma série de nove, aqui ficam o nº 3/9 (com um adágio indiano) e o nº 4, com um provérbio etíope, que aqui reproduzo, para uma melhor leitura:

3/9 - Um segredo é pouco para um, suficiente para dois, demais para três. (Índia)
4/9 - Um bom nome é melhor que um bom perfume. (Etiópia). 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Na varanda a Leste


Há que procurar outra música, porque as que trago comigo parecem já cansadas de si mesmas, na sua perpétua multiplicação. E a luz ainda há-de crescer para iluminar os dias de Junho, por mais de duas semanas. Depois, será a vez da noite, que irá, pouco a pouco, ganhando mais espaço. Num ciclo natural limitado que, ciclicamente, se repete, sempre.
Poucas aves, defronte no meu ângulo de visão, mas sempre o costumeiro casal de rolas tímidas, rotineiras, que não voam nunca mais alto que os 30/40 metros de altura, num circuito de horizonte cerrado. Morreu a melhor roseira e o ano não tem sido bom para os limoeiros. A safra vai ser diminuta. Valha-nos a pequena oliveira, floridíssima.
Dizia, há pouco, Manguel, quando o li na página 314 (Uma História da Curiosidade, 2015): "...Além de nos ser impossível apreender a nossa própria morte, à medida que envelhecemos tornamo-nos mais conscientes da progressiva ausência dos outros. É-nos difícil dizer adeus. Cada despedida assombra-nos com a secreta suspeita de que poderá ser a última; tentamos continuar a acenar à porta durante o máximo de tempo possível. ..."
Um poema pode muito bem ser uma espécie de adivinha. Porque não responde, nem se clarifica por si, antes pergunta quase sempre, e restitui às palavras - quando de verdadeira poesia se trata - uma força antiga, inicial que, muitas vezes, já não conseguimos entender completamente.

terça-feira, 10 de março de 2015

Marcadores 26


Sucinto, essencial e mínimo, este marcador de livros da já desaparecida Galeria Quadrante que, livraria também, tinha um dinamismo considerável nos anos 60 do século passado. Fui encontrá-lo entre as páginas de Tédio Recompensado (1968), de Ruy Cinatti (1915-1986). Poeta estimável, de que passou, anteontem, o centenário do nascimento. Aqui fica o marcador, em imagem, e a nota breve sobre o Poeta que tanto amou Timor.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Marcadores-poemas


Uma criação original de Mariana Mattos, para quem goste de poesia.