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sábado, 31 de agosto de 2024

Diálogo de final de Agosto



O patrocínio de Cícero (103-43 a. C.) impunha-se até por questões geriátricas, na conversa. Antes, viera o nome e dois poemas de Eugénio. Ao tribuno romano, seguiu-se, naturalmente, Beauvoir por causa de La Vieillesse, na minha opinião, obra bem mais conseguida na caracterização dessa idade. Lembrei-me também do mau envelhecer de Yeats. No diálogo de amigos, Camilo foi referido, nas leituras recíprocas; do outro lado, Sara, de Olga Gonçalves. E releituras que já íamos fazendo, por este final de Agosto.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Sociedades secretas e passagem de testemunhos


A italiana e mafiosa palavra omertá vem à colação a propósito do tema, mas não só. Ao longo da minha vida, os velhos de minha estimação e proximidade sempre me referiram o enfraquecimento da sua memória, alguns a puerilidade crescente das emoções, também a insegurança, a perda de forças e o cansaço progressivo, o balbuceio da voz e a cada vez mais difícil procura de expressão, outros o tédio do dejá vu e a repetição mesma dos grandes acontecimentos. Mais raros, me confidenciaram outras fraquezas mais íntimas, perdas de controlo, reacções infantis, incontinências...
Quando chegou a minha idade biológica de velhice, humildemente, procurei informar-me e preparar-me um pouco mais: li Cícero, Beauvoir... E todos eles eram omissos. Nenhum foi capaz de me informar,( malandros!), da fraqueza das pernas que sobrevém inexorável e fatalmente com os anos!
( Para que não me acusem de corporativismo, aqui fica o aviso aos mais novos. )

terça-feira, 25 de maio de 2010

Citações XXIX : Francis Bacon


Quando os anos se me fizeram sentir, procurei preparar-me. Sentia-me um sobrevivente: já tantos tinham desaparecido... e eu ainda por cá andava. Sabia, porque tinha lido e havia exemplos ao longo da minha vida, que a velhice pode tomar dois aspectos - a arrogância e a humildade. Tinha conhecido uma bonita velhice de alguém que, com humildade a vivera e chegara aos 81 anos. Mas também tinha constatado que velhice é, normalmente, arrogância.
Ao procurar preparar-me, fiz uma pequena lista de várias obras. H. N., amigavelmente, emprestou-me "De Senectute" ( em tradução francesa) de Marco Túlio Cícero que chegou aos 63 anos e que escreveu a obra dois anos antes de morrer. Comprei "La Veillesse" de Simone Beauvoir que começou a escrever o livro quando tinha cerca de 60 anos. E li outras obras, ainda. Foram uma total decepção. Nenhuma da obras ajudou ou esclareceu e, a maior parte dos textos, era mais um balanço de peripécias, ou uma estatística de casos.
Mas, hoje, ao folhear um livro de Francis Bacon (1561-1626) dei de caras com algumas palavras que, na sua simplicidade, me parecem muito realistas. Aqui vão traduzidas e transcritas:
"...Os homens de idade contrapõem demasiado, documentam-se demais, ousam pouco, arrependem-se muito depressa, muitas vezes levam para casa os seus negócios e preocupações, mas contentam-se, a eles próprios, com a mediocridade de um pequeno sucesso. ..."