
Quando os anos se me fizeram sentir, procurei preparar-me. Sentia-me um sobrevivente: já tantos tinham desaparecido... e eu ainda por cá andava. Sabia, porque tinha lido e havia exemplos ao longo da minha vida, que a velhice pode tomar dois aspectos - a arrogância e a humildade. Tinha conhecido uma bonita velhice de alguém que, com humildade a vivera e chegara aos 81 anos. Mas também tinha constatado que velhice é, normalmente, arrogância.
Ao procurar preparar-me, fiz uma pequena lista de várias obras. H. N., amigavelmente, emprestou-me "De Senectute" ( em tradução francesa) de Marco Túlio Cícero que chegou aos 63 anos e que escreveu a obra dois anos antes de morrer. Comprei "La Veillesse" de Simone Beauvoir que começou a escrever o livro quando tinha cerca de 60 anos. E li outras obras, ainda. Foram uma total decepção. Nenhuma da obras ajudou ou esclareceu e, a maior parte dos textos, era mais um balanço de peripécias, ou uma estatística de casos.
Mas, hoje, ao folhear um livro de Francis Bacon (1561-1626) dei de caras com algumas palavras que, na sua simplicidade, me parecem muito realistas. Aqui vão traduzidas e transcritas:
"...Os homens de idade contrapõem demasiado, documentam-se demais, ousam pouco, arrependem-se muito depressa, muitas vezes levam para casa os seus negócios e preocupações, mas contentam-se, a eles próprios, com a mediocridade de um pequeno sucesso. ..."