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sábado, 17 de agosto de 2013

Regionalismos transmontanos (3)


Retirados do livro "Dicionário de Trasmontanismos", anteriormente já referenciado, damos hoje seguimento a mais alguns regionalismos iniciados pela letra A:

1. Aceniscar - piscar os olhos com sono.
2. Achada - multa, coima, contravenção. Transgressão.
3. Achegado - levado (animal) à cobrição.
4. Achimpar - bater com força.
5. Acocado - aturdido, atordoado, desorientado.
6. Acucado - de cócoras.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Regionalismos transmontanos (2)


Acabados que foram os regionalismos minhotos, seleccionados da obra de M. Boaventura referida anteriormente, dá-se hoje sequência, duplamente (o primeiro poste sobre transmontanismos é de 1 de Março de 2011), aos regionalismos de Trás-os-Montes, escolhidos do livro "Dicionário de Trasmontanismos" (2005), de Adamir Dias e Manuela Tender.
As palavras passam, contagiam, evoluem e avançam, não se compadecendo com as fronteiras geográficas que os homens, administrativamente, traçam a régua e esquadro, sobre os mapas - nem tudo é coincidente. Por isso, é muito provável que alguns destes regionalismos transmontanos se possam, também, encontrar no Minho, como desta antiga província também alguns termos típicos tivessem passado para além do Marão.
Seguem-se, então, regionalismos transmontanos iniciados pela letra A:

1. À doca - à sorte.
2. Abantar - andar ou trabalhar depressa.
3. Abascado - burro, pateta, apalermado.
4. Abentão - a parte húmida do focinho do boi.
5. Abundar - trazer.
6. Acebar - açular, instigar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Exorcismos


De Elias Canetti (1905-1994), escritor de origem búlgara que se expressou, literariamente, através da língua alemã, nunca eu tinha lido nada. Canetti era descendente de judeus sefarditas, fugidos de Espanha em 1492, e o uso de palavras castelhanas era normal entre os membros da sua família, sobretudo em casa. O escritor, que foi Nobel da Literatura, em 1981, pertencia à classe média-alta, na Bulgária.
Pois, há dias, comecei a ler, em tradução francesa (Histoire d'une Jeunesse - La langue perdue) de Bernard Kreiss, a sua obra "Die Gerettete Zunge Geschichte einer Jugend". Da sua infância, entre muitas outras coisas, o escritor refere que, em sua casa, havia várias criadas muito jovens (10/12 anos), búlgaras e vindas da aldeia e campos vizinhos, que o ajudaram a criar-se, brincavam com ele e lhe faziam companhia, quando os pais de Elias estavam para fora. Sempre que isto acontecia, chegando a noite, as criaditas, com medo, juntavam-se umas às outras, e começavam a contar histórias de lobisomens e vampiros. Numa espécie de exorcismo psicológico - digo eu.
Ora, eu tive uma experiência semelhante, também na infância, em que a minha empregada, oriunda de Vieira do Minho, à noite, me lia histórias de livros, mas também me contava lendas, não de vampiros, mas de lobisomens que, dizia ela, habitavam no Marão. Isto seria, nela, provavelmente uma forma de exorcisar terrores ancestrais que traria de infância, passados de gerações em gerações. Creio que nunca tive medo excessivo destes contos e lendas, mas antes curiosidade e estranheza. Por isso, talvez, nunca tive necessidade de exorcisá-los, nem de passá-los aos meus filhos...