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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Razões



É no mínimo curioso constatarmos que, se aqui há 30/40 anos, os professores se queixavam do desemprego e de não arranjarem colocação nas escolas, hoje em dia  é a falta deles que é notícia. Passou-se pois ao inverso, numa espécie de mundo às avessas.
Convém lembrar, entretanto, o título de um livro de Marçal Grilo (1942), que este publicou já depois de ter deixado de ser ministro de Educação ( pudera!.. ): Difícil é sentá-los. Bem significativo! E catártico.
Do alto da minha ignorância, atrevo-me a apontar algumas razões para a escassez de docentes:
- Profissão pouco atractiva e mal remunerada, inicialmente.
- Barbarização e selvajaria de muitos alunos que chegam às escolas. Indisciplina reinante nas salas de aula.
- Dificuldade e altos preços de aluguel de casas (ou quartos), quando há necessidade de deslocação de docentes.
- Aumento exponencial de baixas entre professores por dificuldades psicológicas decorrentes.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Centrão, revisitado


Ontem à noite, na RTP3, após a notícia do nosso PR, em visita à Croácia, ter admitido a hipótese de Portugal vir a crescer cerca de 3,2%, assisti a um diálogo surreal, moderado inteligentemente por Ana Lourenço, entre Marçal Grilo (ex-ministro da Educação de um governo PS) e Nobre Guedes (um ex-ministro do Ambiente, indicado pelo CDS, num governo do PSD).


Pareciam travestis ou hermafroditas políticos. Marçal Grilo, com aquela sua voz de abade beirão, de quem ainda tem sopa de feijões na boca, ao falar, defendia fervorosamente as anteriores reformas do governo de Passos Coelho, que teriam permitido os sucessos do actual governo. E Nobre Guedes, com aquele seu ar ligeiro, fluente, da linha de Cascais, em tom azul cueca (não estranhem, até há um blogue luso com este lindo nome, na Net!...), re-clamava e aplaudia, com grande desportivismo, os resultados económicos presentemente alcançados e previstos, do governo de António Costa.



Fiquei varado. Teriam trocado de camisola? - perguntei-me eu, confundido e perturbado, por estas criaturas tão bem falantes e assertivas, na sua pureza de comentadores.
Caí em mim. Não, com certeza: são os fantasmas do Centrão a funcionar, no seu melhor registo mercenário e permissivo, tentando conservar e assegurar as suas mordomias. 
Ainda bem que, temporariamente pelo menos, nos livrámos deles. Irra!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os moralistas da 25ª hora


Não sei se será um vício exclusivamente português, mas creio que não. Até porque La Rochefoucauld o sublinhou através da máxima: "Les vieillards aiment à donner de bons précepetes, pour se consoler de n'être plus en état de donner de mauvais exemples" (aqui no bloge, em tradução, a 29/11/09). E Charles Aznavour, paralelamente e numa outra direcção, emite o mesmo conceito na canção "Alléluia". O facto, é que já estou cansado de ver figuras públicas e ex-ministros darem conselhos para bem gerir as suas "ex-cátedras", depois de largarem o lugar e de terem tido oportunidade de os aplicar, objectivamente.
E os nomes, em questão, abundam. Desde Marçal Grilo que, depois de largar o Ministério da Educação, escreveu o livro "Difícil é sentá-los". Até Campos e Cunha, o ministro-cometa de Finanças no 1º consulado de José Sócrates e que, quase todas as semanas, dita regras (no "Público") de como se devem gerir as finanças e economia portuguesas; e ainda um obscuro juíz que, quando se aposentou do Tribunal de Contas, veio perorar sobre o que devia ser feito nessas competências. Para não falar dos senhoritos portugueses bem instalados na vida, ou a comer à mesa do orçamento, quando vem dar conselhos à populaça para gastar menos e se sacrificar: "Bem prega Frei Tomás..." E, no mínimo, esta hipocrisia vai fazendo escola.
O último caso flagrante foi António Barreto no seu discurso moralista do 25 de Abril, a zurzir nos políticos, quando ele próprio também o foi, e não está livre de críticas.
E fico-me por aqui, para não ir mais alto e mais acima...