Mostrar mensagens com a etiqueta Maples. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maples. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de junho de 2014

A memória e o tempo


Naquela altura, eu sobrava bastante no grande maple de orelhas, do meu Tio. De lá e em frente, eu via as duas compoteiras (?) de cobre trabalhado, uma com as bolachas de Araruta, insípidas e pálidas, a outra, com as Maria, que eu ainda suportava. Mas, por cima de mim, omnipresente, o relógio musical ia contando esse tempo imenso da infância, de quarto em quarto de hora. E era importante, porque eu sabia que, por volta das 18h30, tinha de ceder esse lugar reconfortante  ao meu Tio, que chegava a casa, depois do trabalho.
Só talvez 30 anos depois, eu voltei a encontrar um assento assim cómodo, seguro, que me enchesse as medidas. Mas sentar, muitas vezes, ainda me sento na infância da memória.