Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Ribeiro de Pavia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Ribeiro de Pavia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Antologia (poesia) 1

 


Eugénio de Andrade (1923-2005), in Pureza * (1945).


* este terceiro livro do poeta, foi excluído da bibliografia pelo autor.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Evocação de M. R. de Pavia, por Sidónio Muralha


Passará amanhã (19 de Março) mais um ano sobre o nascimento de Manuel Ribeiro de Pavia, que ocupou de beleza adolescente muitas capas de livros portugueses, dos anos 40 e 50 do século passado. Sidónio Muralha, no livro "A Caminhada - Livro de Vivências", livro aqui referido, há dias, fala dele com saudade. Assim:
76
O querido Manuel Ribeiro de Pavia! Li as páginas comovidas e comoventes com ele na minha frente, no Café Chiado que desenterrei das Pompeias da memória graças a você. Ele dizia-me: «A beleza, Sidónio, é um seixo polido. Alguém o apanha, abre a mão de repente, mostra essa maravilha molhada e lisa e todos descobrem a beleza construída em silêncio, que só tiveram olhos para ver quando alguém a fechou na mão e, de repente, a mostrou». Foi há quanto tempo já? A dedicatória de um dos três desenhos que me ofereceu o Pavia, escrita a lápis, quase desapareceu. Mais de um quarto de século passou, mas eu não esqueço, - seres verdadeiramente verticais, como o Manuel Ribeiro de Pavia, são tão raros que é impossível esquecê-los.
(São Paulo, Julho 1970)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Um poema de juventude de Juan Ramón Jiménez


Foram-te crescendo os seios por esta primavera
como se fossem maçãs que tivessem sido rosas...
um vago e terno aroma de mulher vai ficando
na brisa que rompes com as tuas pernas redondas...

Aquela suave e doce ternura de outros dias,
a volubilidade da tua carne de auroras
será para sempre como a flor de amendoeiras
caída pelo caminho vago da memória.

Estás contente: vagos relâmpagos te envolvem;
nos teus olhos, tão negros, há vinganças e cóleras
e uma ferida de sangue luxuriosa e quente
se entreabre como um lanho granada em tua boca.

Juan Ramón Jiménez, in Pasión Primera (1911-1912).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Allegro ma non troppo



Não merece, no meu entender, integrar a rubrica dos "Recomendado", nem mesmo a das "Mercearias Finas". Mas tem um rótulo maravilhoso de Pavia, desenho que eu já reproduzi aqui no Blogue. O vinho tem Touriga Nacional, Sirah e Alicante Bouschet, mas acho que tem a mais (9 meses de casco) sabor a resina ( ou aroma a "verniz"), para o meu gosto. Com os seus 14º alentejanos acompanha, mediocremente, um "Ensopado à Pastora" na sua singeleza natural. Já vai um pouco melhor com um queijo de ovelha, cujo sabor e travo a cardo seja ainda notório.
Este tinto alentejano, em favor de bónus da "Revista de Vinhos" de Abril de 2012, custa 6,00 euros. Acho muito. Ainda para mais, quando penso que Manuel Ribeiro de Pavia não vai, decerto nem os herdeiros, receber um tusto de direitos de autor. Ele, que morreu quase na miséria. Mas o seu desenho, no rótulo deste vinho, esta fresca e jovem ceifeira alentejana, são um espanto de alegria e de beleza, para sempre.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aurora


Havíamos de cobrir essa música, como se fosse nossa. Dar-lhe um rosto inesquecido, da memória. E celebrar, mesmo que fosse em elegia pobre e simples, esse tempo fresco e jovem, e a brancura da manhã na geada inesperada sobre os pequenos charcos do quintal - quebrá-los, como se estalassem os espelhos. Sobre a relva húmida, deitados, veríamos levantar e pousar pequenos pássaros coloridos - e faríamos nosso esse aeródromo minimal e verde. Olhando, depois, por entre a túrgida floração do limoeiro e as folhas ainda tenras, os pequenos azúis, no alto, também seriam nossos. Quase poderíamos ouvir, por entre a turbação caótica, a música de esferas de anjos inexistentes. Mas possíveis.
Saíamos para a vida e para a rua, vencedores, na ignorância do futuro, confiantes e inexpugnáveis, seguros da força dos sentimentos mais obscuros e na certeza quase adolescente. O desejo era, nessa altura, um mundo desconhecido, inofensivo na pele da ternura. E não deixaríamos sequer que uma palavra ou um milímetro pudesse perturbar a divina proporção das coisas. Apesar do excesso que trazíamos connosco.

Nota: o desenho, que encima este poste, é de Manuel Ribeiro de Pavia, nascido a 19 de Março de 1910.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Notícias de dentro


Hoje, o Blogue recebeu, pela primeira vez, uma visita oriunda da Geórgia. Mais concretamente, da cidade de Tiblissi, que veio parar a uma imagem de uma gravura de Manuel Ribeiro de Pavia, por sinal, bem bonita, colocada num poste de 7/9/2010. A visita ficou bem servida!
Mas, hoje também, o motor de busca do Google, encaminhou um visitante, de um país de língua portuguesa, para outro poste, este de René Char (de 15/10/2011), onde traduzi 3 fragmentos do poeta francês. Mas aqui fiquei intrigadíssimo. O distinto investigador da net escreveu, como search words, o seguinte: "ochar do devilzm comintas kimg" (sic), cripticamente.
Se eu soubesse esperanto ou tupi, talvez tivesse percebido a relação, mas como não sei, fiquei com a minha curiosidade por satisfazer. Mas o Google lá sabe, na sua infinita sabedoria...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pinacoteca Pessoal 24 : Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957)


Dele, em Os Afluentes do Silêncio, disse Eugénio de Andrade, que o conheceu:
"...As suas palavras eram quase sempre a reacção de um intelectual honesto e lúcido, com frequência azedo, à mediocridade de um meio e de uma cultura em que fatalmente vivia, e de que se sentia desapegado. Despido de sentimentalidade. Era como se não tivesse tido mãe, nem infância, nem uma mulher, nem um amigo. Como se nunca tivesse reparado na cor matinal dos cardos, nem no perfume melado das frésias. Como se nunca tivesse adormecido nas dunas ou não tivesse saudades duma poça de água ludra onde se chapinhou em pequeno. Mas em tudo ele devia ter reparado, pois doutra maneira não seria possível todo o lirismo dos seus desenhos. Não falaria disso por pudor, como quem se envergonha de uma intimidade fácil, apesar de luminosa, com as pequenas e efémeras fontes da vida. ..."
E eu acrescentaria que, quem encheu de beleza tantos livros espelhando alegria e amor à vida, não merecia, de todo, estar tão esquecido.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O centenário de Alves Redol



Só tarde me dei conta de que tinha deixado passar a data do centenário do nascimento de Alves Redol (29/12/1911 - Novembro de 1969) e, hoje, verifiquei que nunca referira o seu nome neste Blogue. É uma omissão imperdoável, a minha, até porque li boa parte da sua obra, e gostei muito de dois ou três livros que Redol escreveu. Ainda considero "Barranco de Cegos" (1961) um dos bons romances portugueses do séc. XX, até porque o voltei a ler, aqui há poucos anos. E mantive a opinião que tinha sobre a sua qualidade literária.
Esquecidos, ou desvalorizados pelo tempo, tantos outros como Namora, Faure da Rosa, Marmelo e Silva, Loureiro Botas, Ferro Rodrigues, todos eles colados ao neo-realismo, mas datados, o verbo de Alves Redol, em muitas das suas obras, mantém o vigor e interesse de leitura. Por isso aqui o lembro, através das capas de três dos seus livros.

Obsv.: a capa de "Gaibéus" é de Manuel Ribeiro de Pavia, as outras, de João da Câmara Leme.  

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Favoritos XXXV : Manuel Ribeiro de Pavia



Está hoje praticamente esquecido. E parece que não teve uma vida afortunada. No entanto, encheu de beleza, claridade e sensual alegria livros e capas de livros que foram de Eugénio de Andrade a Manuel da Fonseca, de Eduardo Teófilo a José Gomes Ferreira, e tantos outros. Manuel Ribeiro de Pavia que nasceu no Alentejo em 1907, veio a falecer, desamparado, num quarto de pensão que lhe servia de atelier, no dia em que completava, exactamente, 50 anos. A 19 de Março de 1957, na Rua Bernardim Ribeiro, em Lisboa.
Eugénio de Andrade, que o conhecia bem, em Os Afluentes do Silêncio, fala dele:
"Esta morte, assim sem mais nem menos, que um amigo me comunica, entala-se-me na garganta. «Morreu o Manuel Ribeiro de Pavia. Levou-o uma pneumonia que o foi encontrar depauperado por uma vida quase de miséria. Passava fome! Tinha uma única camisa! Não pagava o quarto há imenso tempo! E nós a falarmos-lhe de poesia...» Assim é: passava realmente fome. Todos nós o sabíamos. E ele a falar-nos de pintura, de poesia, da dignificação da vida. É justamente nisto que residia a sua grandeza. Não falava da sua fome - de que, feitas bem as contas, veio a morrer. A fome não consta de nenhum epitáfio. ..."