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sexta-feira, 19 de abril de 2013

De Manuel Machado (1874-1947), retrato em verso de Filipe IV


Nada mais cortesão nem mais polido
que o nosso Rei Filipe, que Deus guarde,
sempre de negro até aos pés vestido.
Tão pálida a sua pele, como é a tarde,
cansado o ouro do seu cabelo ondeado,
e dos seus olhos, o azul, cobarde.
Sobre o seu augusto peito generoso
nem jóias perturbam nem correntes
o negro veludo silencioso.
E em vez de ceptro real, segura apenas
com desmaio galante, uma luva diante
da branca mão de azuladas veias.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um soneto de Manuel Machado


Manuel Machado (1874-1947), que nasceu em Sevilha, era irmão mais velho de Antonio Machado. Ambos, poetas. Manuel formou-se em Filosofia e Letras. Sendo mais ortodoxo do que o irmão Antonio, trabalhou uma boa parte da sua vida como bibliotecário. O soneto que irei traduzir (Alfa y Omega) e transcrever, em seguida, insere-se num tema ou exercício intelectual que já tentara, como desafio, séculos atrás, Guilherme de Aquitânia quando inicia um poema a dizer que queria fazer uma poesia " de puro nada". Quevedo também aceitou o repto, num soneto bem interessante. E, entre nós, Alexandre O'Neill também não resistiu ao desafio. Entre o lúdico e o difícil exercício intelectual, aqui vai a tradução do soneto de Manuel Machado:

Cabe a vida inteira num soneto
começado com lânguido descuido,
e, apenas começado, já terá passado
a infância, imagem da primeira quadra.

Chega a juventude com o seu segredo
da vida, que passa, inadvertido,
e que se vai também, que já se foi,
antes de entrar o inicial terceto.

Maduros, olhando o ontem regressamos
magoados e, ansiosos, à manhã,
e assim o primeiro terceto dissipamos.

E, quando no último terceto entramos,
é para ver com experiência vã
que se acaba o soneto...E que nos vamos.