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quarta-feira, 24 de abril de 2024

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Nem de propósito e na véspera dos 50 anos sobre a passagem do grande dia da Democracia portuguesa, chegou-nos de uma boa Amiga um conjunto temático de marcadores com motivos alusivos ao 25 de Abril.
Com alguma dificuldade, fiz uma escolha de apenas alguns que mais me diziam para pôr em imagem.
Um bem haja à gentil Amiga, que se lembrou de nós e da efeméride a celebrar amanhã.





sábado, 11 de agosto de 2018

Ser ou não ser, por


Surpreendi-me, a mim mesmo. Eu, que não tenho espírito bélico, embora tenha a dose de agressividade inerente a qualquer ser humano, depois de pensar um pouco, acabei por alinhar com Manuel Alegre e com o PCP, que defendem a reintrodução do Serviço Militar obrigatório, que existiu até 2004, creio, em Portugal. De Janeiro de 1968 até Março de 1971, também passei por ele. E se alguns momentos houve negativos, nesse cumprir cívico, o balanço que hoje faço é positivo.
Disciplinou-me, numa altura em que eu levava quase uma vida boémia, reforçou-me, grandemente, o sentido de organização, despertou-me, na prática, os sentimentos de solidariedade que eu tinha muito teóricos e robusteceu-me a consciência política. Por outro lado, criei, pelo menos, duas amizades para toda a vida. E, isto, são aspectos importantes e que contam.
Acresce, actualmente, que o ogre norte-americano fechou o guarda-chuva de protecção sobre a Europa, e alguma da nossa juventude anda muito mal habituada, além de não lhe vir a fazer mal o criar sentimentos de solidariedade para com os outros, bem como começar a usar regras de disciplina, ordem e boa educação. Mesmo que temporariamente através de rituais que parecem formais e inúteis.
Sou a favor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Palavras do dia (6)


Nem só com tanques se invade um país e se mata uma Primavera. Quem coloca os mercados acima dos Estados e quem faz chantagem sobre o sentido de votos dos eleitores gregos está a invadir a Grécia e está a invadir-nos a todos nós.

Manuel Alegre, in Eleições e liberdade, no jornal Público (7/1/2015).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Manifesto da Associação 25 de Abril


Abril não desarma
Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.
Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.
A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!
Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa.
Porque consideramos que:
·  Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia.
·  Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes.
·  O nosso estatuto real é hoje o de um “protectorado”, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos.
·  O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder. As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem-estar social atingem a dignidade da pessoa humana.
·  Sem uma justiça capaz, com dirigentes políticos para quem a ética é palavra vã, Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais.
·  O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho.
Entendemos ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade e proclamar bem alto, perante os Portugueses, que:
A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa;
- O poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores;
Em conformidade, a A25A anuncia que:
- Não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril;
- Participará nas Comemorações Populares e outros actos locais de celebração do 25 de Abril;
- Continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.
Porque continuamos a acreditar na democracia, porque continuamos a considerar que os problemas da democracia se resolvem com mais democracia, esclarecemos que a nossa atitude não visa as Instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder.
Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os Militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político, que só cabe ao Povo português na sua diversidade e múltiplas formas de expressão.
Nesse mesmo sentido, declaramos ter plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal. Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu País e do seu Povo. Por isso, aqui manifestamos também o nosso respeito pela instituição militar e o nosso empenhamento pela sua dignificação e prestígio público da sua missão patriótica.
Neste momento difícil para Portugal, queremos, pois:
1. Reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português e à consolidação e perenidade da Pátria portuguesa.
2. Apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia.
Viva Portugal!

Nota: na eventualidade de alguns dos nossos amigos, ou visitantes, não terem tido acesso a este documento da Associação 25 de Abril, aqui o reproduzimos. Mais se informa que Mário Soares e Manuel Alegre tomaram posição, solidarizando-se com este Manifesto e não vão participar nas cerimónias oficiais do 25 de Abril, marcando assim uma opção política.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Portugal no seu melhor


Por mero acaso, assisti na TV a um diálogo (com moderadores equilibrados, mas activos e perspicazes) entre Manuel Alegre e José Cid. Sobre temas da actualidade. Nada de mais oposto, politicamente. José Cid, monárquico empedernido, Manuel Alegre, retintamente republicano, mas ambos de uma coerência ideológica firme e cristalina que nunca excluíu um diálogo urbano, solidário e inteligente. Houve momentos de emoção, de humor, de picardia, por vezes, mas sempre num tom de respeito democrático e elevado. Foi salutar, para mim. Até ambos, numa aliança de nobreza e dignidade, recusaram "jogar", durante o programa, o desporto, muito em voga hoje em dia, denominado "tiro ao Cavaco" - assim crismado pelo acutilante Professor Marcelo.
No final, José Cid sentou-se ao piano e cantou, com letra de Manuel Alegre, uma canção dedicada a um amigo comum - Adriano Correia de Oliveira. O Poeta assistiu, de rosto emocionado. Foi um momento bonito de uma fraternidade portuguesa que pode ultrapassar os pormenores da divergência, para se unir, naquilo que nos é essencial. 

domingo, 1 de maio de 2011

Primeiro de Maio, precário




Houve um tempo, e não vai há muito, que eu considerava que, para ajuizar da justeza e interesse profissional de um trabalhador, para a mais valia de uma empresa, através da legislação laboral em vigor para os contractos, 18 meses de experiência e análise crítica, não eram demais. Eram, apenas, o minimamente suficiente. Sei, hoje, que os trabalhadores precários e a recibo verde, em Portugal, são mais de 20% da força trabalhadora, quase todos jovens, a maior parte dos quais, do Estado: é uma hipocrisia monstruosa! Como posso aceitar que este estado de coisas provenha de um governo socialista, em princípio, solidário e de esquerda?


Mas, depois, há os outros precários... Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, que deu a cara, honradamente, e o sono tranquilo, para fazer face às agências de ratos, às bocas foleiras, ao egoismo cego da UE, às oposições populistas e demagógicas, à irresponsabilidade dos outros, com manifesta hombridade e atitude sincera, foi, pura e simplesmente, abandonado pelo PS, como um leão moribundo ao escoicear dos asnos. Não fossem hoje as palavras justas de Manuel Alegre, com o desassombro equilibrado que lhe é peculiar, e eu teria descrido, em absoluto, da Esquerda portuguesa ( no meio desta esquerda europeia de celulóide e gelatina), para sempre.


Viva o 1º de Maio!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mercearias Finas 29 : breve miscelânea sobre a caça




A caça foi, de início, uma forma natural de exercício humano mas, também, uma questão de necessidade para a sobrevivência do Homem. Para os primitivos, a caça foi o seu alimento principal, servia de vestuário e ferramenta, através dos ossos dos animais abatidos.



Vários escritores portugueses usaram a caça como motivo ou falaram dela nos seus escritos. De Fernão Lopes a Torga, de Camilo a Manuel Alegre. De Bulhão Pato, escritor e gastrónomo conhecido, há pelo menos uma receita: Lebre à Bulhão Pato. E, de Fialho de Almeida, também consta um Arroz de Perdizes. Por falar nesta ave de caça, há um ditado que diz: "Perdiz, só com dedo no nariz", que tem uma razão objectiva. De uma forma geral, nenhuma peça abatida, seja ela javali, lebre, veado ou perdiz, deve ser comida no próprio dia em que é caçada. E isto porque ao sentir-se perseguido, o animal ao fugir e ao ser caçado tem medo e o seu organismo segrega ácido láctico em excesso para alimentar os músculos que, por sua vez, libertam ácido úrico que se espalha pela carne. Daí a vantagem de algum tempo de repouso, antes da caça ser cozinhada e comida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

86 anos


É a sua eterna juventude que não o deixa resistir a "cavalgar" uma tartaruga nas Seychelles ou a pôr na cabeça os mais insólitos chapéus ou bonés; a sua irreverência tão distante do cinzentismo português, que me faz gostar dele. A fraqueza humana dos seus amores, mesmo contra a corrente, ou dos seus ódios de estimação (Manuel Alegre, Salgado Zenha) partidária. Por vezes, a sua rudeza franca. Mas também a clarividência política que o faz apostar Obama, muito antes dele ser o favorito. É, ainda, o nosso maior animal político, vivo, felizmente.

Parabéns, Dr. Mário Soares. E longa vida!