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sábado, 7 de março de 2020

Ideias fixas 54


À terceira ou quarta página de A Sibila, relendo, veio-me à memória Camilo. Embora actualizado de vocabulário. Somos assim, naturalmente: ou pelo mundo, como Eça, ou nortenhos e terrunhos, amando de perdição. Em boa companhia, aliás, com Régio, Manoel de Oliveira... - tudo da mesma família.
Ao menos, poupavam-se os néons amaricados. Ou marcanos? De lojas pindéricas, a armar ao fino, por esses algarves foleiros e lisboetas pacóvios. De gentinha, que imagina saber inglês.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Letras e imagens


Neste segundo episódio televisivo, ontem (11/8/2019), Hastings também não apareceu, mas ele consta, vindo da América, no policial de Agatha Christie. Nem o inspector Japp, substituído que foi pelo convencido Crome, também ele da Scotland Yard. Não é por isso literal e fiel esta adaptação de Sarah Phelps, do policial The A.B.C. Murders, para a Fox Crime. E não é que estou a habituar-me ao Poirot de Malkovich? Embora continue a pensar que o Poirot-Finney era melhor. O detective belga, nesta série, é um ser mais solitário.
Todos nos lembrámos das pequeninas zangas entre Agustina e Manoel de Oliveira, pelas infidelidades cometidas pelo realizador ao adaptar os romances da escritora  ao cinema. E será que Fitzgerald e Faulkner foram fiéis, quando andaram por Hollywood? Duvido. Assim, desculpemos a Sarah Phelps ter metido, na série televisiva, coisas da sua lavra. Como popularmente se diz: Quem conta um conto, acrescenta um ponto. É humano, e assim até parece história nova, esta, para quem a vê e já tinha lido o romance policial.
Por afecto às origens, e enquanto espero pelo terceiro e último episódio, no próximo Domingo, fui buscar à estante o número 167 da Vampiro (Os Crimes do ABC), para reconstituir a verdade ficcional que Agatha Christie imaginou em 1936. E que Sarah Phelps re-criou, agora, para a televisão.
Já  agora louve-se, na banda sonora, a breve entrada de Schubert (Trio op. 100). Copiada de Kubrick?
(Conhecem? Está por aqui [Arpose] a 3/1/2017. É uma peça musical lindíssima!)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Para remate : Agustina e Oliveira - história, ficção e cinema


Esta conversa no Porto, em documentário de Daniele Segre, foi gravada em 2005, e é, por isso, um dos últimos testemunhos de duas personalidades fascinantes - Agustina Bessa-Luís (1922-2019), escritora, e o cineasta Manoel de Oliveira (1908-2011). Há, por aqui, várias reflexões sobre a Arte, de dois amigos que nem sempre se entendiam, mas muitas vezes se completavam. Até porque ambos pensavam à sua maneira, coisa que, em Portugal, nem sempre é habitual, mesmo entre criadores.

Nota: o documentário tem a duração de 1 hora, 14 minutos e 14 segundos. É para se ir vendo e ouvindo, como eu vou fazendo...

quinta-feira, 15 de março de 2018

Casamentos felizes


Nem sempre cinema e literatura casam bem. E há, por vezes, alguma desproporção entre uma obra literária célebre, que foi adaptada ao cinema, e o filme realizado. Acontece que, normalmente, existe um certo desequilíbrio entre as duas formas de Arte, pese embora a força impressiva das imagens de um filme, em confronto com o poder (menor?) das palavras de um romance, conto ou novela. Para citar Camilo, nem sempre há casamentos felizes. Do que li e vi, não consigo, no balanço de memória, encontrar Doze Casamentos Felizes, como no romance do Escritor. No meu cotejo, dou por fé, no entanto, 9 adaptações primorosas de literatura ao cinema. Cronologicamente, aqui ficam, com referência aos respectivos autores e datas dos filmes:

- "À beira do abismo" (The Big Sleep), de Raymond Chandler - Howard Hawks (1948).
- "O Leopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa - Luchino Visconti (1963).
- "O Doutor Jivago",  de Boris Pasternak - David Lean (1965). 
- "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury - François Truffaut (1966).
- "2001 - Odisseia no Espaço", de Arthur C. Clarke - Stanley Kubrick (1968).
- "Morte em Veneza", de Thomas Mann - Luchino Visconti (1971).
- "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco - Manoel de Oliveira (1978).
- "The Dead", de James Joyce - John Huston (1987).
- "The End of the Affair", de Graham Greene - Neil Jordan (1999).

Terei esquecido alguma geminação equilibrada? É possível. E convém acrescentar a limitação das minhas leituras e dos filmes que tive ocasão de ver. Para não falar do gosto pessoal. Sempre subjectivo.

para Maria Franco, e por causa de um seu comentário (ao poste anterior), aqui no Arpose...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Da dificuldade de ir até ao fim


Julgo que uma experiência muito comum a seres humanos, desde que letrados, é a que consubstancia a leitura de alguns livros que, passado o entusiasmo inicial, se revelam uma sensaboria e tornam exasperante a hipótese de os ler até ao fim. Já me aconteceu isto, muitas vezes, com romances policiais e até com obras de escritores consagrados. Que abandonei a meio.
Ao tomar banho, hoje, - e em sentido contrário -, quase acabei um pequeno sabonete branco, macio e oloroso, que tenho vindo a usar. De marca desconhecida, deve ser muito difícil eu conseguir comprar outro semelhante. Pelas dimensões, já muito reduzidas pelo uso dos últimos dias, foi um trabalho difícil obter espuma, mas o que eu lamentava mais era que estivesse a acabar, porque era muito bom.
Nos tempos, da velha senhora, em que poupar era uma das essenciais disciplinas domésticas, estes restos de sabonetes eram, com jeito, "colados" e acrescentados a um sabonete novo, sendo que, deste modo, eram utilizados até à última. Como as pontas dos lápis, que eram abertos, a faca ou canivete, para se lhes extrair as minas que iriam servir nas lapiseiras. Mas, hoje, quase já ninguém usa lapiseiras... E os lápis acabam por morrer antes do tempo. Assim como as velas de estearina, que eram aproveitadas até ao fim, antigamente.
Por vezes, também algumas conversas sociais nos enfastiam até à exaustão, e tentamos, em vão, uma maneira delicada de lhes pôr fim, embora não seja fácil, se o interlocutor for muito loquaz. A propósito disto, há um momento fílmico muito curioso, aos 59 minutos da projecção (mais ou menos), em "O Passado e o Presente" (1971), de Manoel de Oliveira. Num curto "Ora, viva!", entoado pela voz cavernosa  de João Bénard da Costa, o protagonista, irritadíssimo e abrupto, põe termo à conversa desgastante, e abandona a cena.
Bem gostaria eu de, no passado, em algumas situações limite, ter tido esta coragem, mas preferi conformar-me, estoicamente, como Rimbaud, que dizia: "par délicatesse/ j'ai perdu ma vie..."

terça-feira, 30 de junho de 2015

Recuperado de um moleskine (13)


Se para um sim o silêncio basta para o significar, como aquiescência, o não obriga, normalmente, a que a palavra seja pronunciada, para o expressar.
Sobre o não (ou non) falou, há muito, o Pe. António Vieira (1608-1697) num sermão célebre ("...Terrível palavra é o non."), e por palavras; Manoel de Oliveira (1908-2015) glosou-o, sobretudo em imagens.
Forma última de defesa e sinal inequívoco de maturidade, o não é, muitas vezes, um sinal de desconforto, para quem o pronuncia e para quem o recebe. Mas, até mesmo nas crianças, pode indiciar um modo de afirmação pessoal. E, nem sempre, apenas de rebeldia, caprichosa.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Divagações 84


Economista afável e simpático, frontal e realista, acabo de saber que José da Silva Lopes (1932-2015) morreu hoje, no mesmo dia em que Manoel de Oliveira desapareceu do ecrã da vida. Homens de princípios, representantes de uma ética que já não existe e já ninguém recomenda...
O dia parece-me estranho, na sua circunstância de obituário carregado. Ao alto, no céu desta noite morna de Abril, até a Lua cheia parece envolvida num halo verde insólito e inexplicável, que se projecta sobre o rio. E lembro-me de uma greguería de Ramón Gómez de la Serna, a propósito:

A lua é um banco arruinado de metáforas.

Era assim ... e assim foi...

Foi a única maneira de o proibirem de filmar...


...ou não? Quem sabe se não há películas etéreas e celestiais, que não de celulóide, onde o céu e deus caibam por inteiro?
Manoel de Oliveira (11/12/1908-2/4/2015): Fim.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Lembrete 12


Manoel de Oliveira faz, amanhã, 105 anos. A antiguidade é um posto - como se dizia na tropa -, sobretudo, para quem tem uma vida tão cheia de realizações...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Os 103 anos de Manoel de Oliveira


Foi com 32 anos que Manoel de Oliveira (1908) fez este filme publicitário, acompanhado de texto lido por Vasco Santana. Mas até hoje, dia em que completa 103 anos, nunca mais parou. De corredor de automóveis a actor de cinema, de gerente de Fábrica a realizador, tem sido uma vida plena e activa, sempre com compromissos de Futuro. É o decano dos realizadores de cinema, em actividade, no mundo. No dia do seu aniversário, esta singela homenagem do Arpose, a este português que nos honra a todos.

com os melhores agradecimentos a ms.