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domingo, 3 de março de 2013

Paisagem matinal do dia seguinte


Limpa de pássaros, a manhã abria-se ao sol de Inverno das ruas desertas. Mas, da copa densa da árvore grande, vinham uns flébeis e maviosos trinados de algum pássaro tímido. No café silencioso, onde fui comprar o jornal, dois velhos, debruçados sobre a mesa, pareciam dobrados ao peso dos anos e do tempo a que assistem.
Que terá ficado da raiva de ontem que - mais que justificada - se espalhou pelas ruas das cidades, como um rio caudaloso, justiceiro e vingador? 
Quero acreditar que tenha sido como que um feitiço primitivo, irracional, que atinja os seus propósitos, instintivamente. E que alguma coisa mude, radicalmente, atingindo as causas: uma ira divina, um fulgor bíblico de justiça que destrua os fautores torpes desta "apagada e vil tristeza" portuguesa.